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45. Passear dos imortais

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  Askiel vs Felix F. Odsei

  As lutas voltaram após longo silêncio e descanso.

  Os Animadores reapareceram como vozes sobre a arena, comentários pulsantes que transformavam cada impacto em espetáculo, e o Coliseu respondeu: a multid?o bateu junto no peito da arquibancada como um único tambor. A névoa cerrava-se no ar, espessa e elétrica, como se quisesse sentir tudo; o cheiro de metal aquecido e poeira antiga enrolou-se na garganta de todo mundo.

  Poucos dias antes

  Poucos dias antes, Ribeiro havia atravessado o piso de treino anexado à biblioteca: Um espa?o criado especificamente para impedir que algum curioso explodisse um corredor inteiro por engano. N?o ficou muito; só experimentou o essencial.

  A levita??o saiu trêmula, como se o ar resistisse ao próprio toque. As laminas de mana cortaram o espa?o com for?a demais e queimaram a manga do casaco. Depois veio a pequena esfera translúcida, onde o mini-inseto girava entre os barris como um satélite inquieto.

  — “Por que eu t? aqui… me sinto um hamster…”

  — “Irm?o, perguntei?”

  — “Ti fude.”

  Foi uma sequência curta, mas suficiente para sentir algo diferente correndo dentro do próprio corpo. Uma espécie de início.

  Ele guardou a esfera no bolso e seguiu para a arena com a sensa??o de quem finalmente aprendeu a tirar for?a do mínimo. Capella observou, sem surpresa; Thua riu baixo. A transmiss?o já come?ava:

  “Senhoras e senhores! As Eliminatórias retornam!”

  A transmiss?o

  — “Temos a terceira rodada das Selecionadoras! Askiel, o Arcanjo Tronos, contra Felix F. Odsei, o Shinobi!”

  Um dos Animadores explodiu no ar, modulando vozes que subiam e desciam como se a própria arena respirasse em música.

  Ribeiro se encostou numa sombra, a esfera quente contra o bolso. O mini-inseto resmungou algo inaudível. Capella cruzou os bra?os. Thua apenas sorriu. Uma plateia pequena, mas atenta.

  No centro, Askiel empunhava as espadas gêmeas: laminas que brilhavam como brasas em chuva, cortando o próprio ar com elegancia impassível.

  O público parecia segurar o f?lego, cada respira??o um impacto.

  Felix, pequeno, veloz, e com um rego de deixar artista marcial deprimido, sorriu com aquela certeza perigosa dos que vivem no limite. As adagas reluziam, e o fogo do Shinobi lambia sua pele: poder rápido, com pre?o alto, a cada dez segundos, um pouco da própria vitalidade escorria.

  Askiel levou a m?o ao rosto, semicerrando os olhos com um sorriso torto.

  — "Você tá muito velho pra isso, senhor humano... já devia ter morrido uns setenta anos atrás."

  Felix riu pelo nariz, ajeitando a postura como se isso apagasse o fato de ter mais de duzentos anos.

  — "E você é pior, Askiel. Dois séculos nas costas e ainda age como um adolescente com asas."

  As espadas de Askiel brilharam mais, como uma aurora contida.

  — "Porém, prossigo com meu corpo original. N?o troco de pele toda vez que aparece uma verruga... n?o é mesmo, senhor humano?"

  Felix abriu os bra?os, provocando; o fogo subiu como aplausos.

  — "Para um velhote de duzentos anos, você fala demais… e ainda por cima no tamanho de uma formiga.

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  Askiel respondeu, afiado como Tramontina

  — "PSSSS... KKKK— EU SOU FORMIGA? O QUE TU éS? áTOMUS? KKKK!"

  E ent?o a arena explodiu em som:

  o clamor da multid?o,

  o rugido dos Animadores,

  e o estrondo de duas presen?as antigas colidindo como se o tempo se curvase para assistir.

  Alguém da plateia gritou:

  — "OOOOO LAPADA SECA!"

  Round 1 — Troca inicial

  Felix atacou primeiro, praticamente um borr?o; suas adagas riscaram o ar com inten??o de rasgar a defesa. O calor das chamas deixou o couro cabeludo de quem assistia úmido de suor. O ch?o tremia a cada investida, como um aviso.

  Askiel levantou as espadas e permaneceu, quase imóvel. N?o era indiferen?a, era a calma de quem pode ver o amanh?. Por um instante, a luta virou confronto de ritmos: Felix martelava, tentando quebrar uma guarda que n?o cedia; as laminas dele trovejaram contra as gêmeas de Askiel e produziram faíscas, o impacto martelou o pulso de Felix e seu próprio bra?o grogue come?ou a tremer.

  — “Interessante… mas previsível.”

  Askiel murmurou, sem pressa, e aquilo só fez Felix, apertar mais os dentes.

  Os Animadores gritavam frases curtas, emocionais: “Vejam a press?o! Felix tentando romper a muralha! Askiel permanece, frio como estatua!”

  Felix tentou uma sequência de varia??es de angulo, buscando uma brecha; Askiel desviou sem perder postura. O primeiro round acabou com o público tremendo no peito, e a sensa??o de desgaste já rondava ambos: Felix com a pele marcada e a respira??o cortada; Askiel com a respira??o mais lenta, mas os bra?os firmes, como se cada movimento custasse algo que ele escondia.

  Round 2 — Estratégia, leitura e custo

  Felix come?ou a pagar: a chama consumia carne e vigor, transformando sua velocidade em potência, mas drenando HP a cada segundo. O odor de pele tostada entrava na massa humana do Coliseu; os olhos dele cintilavam, quase vazios de sangue, movendo-se preso à mecanica do instinto.

  Askiel subiu a aposta pela inteligência, n?o pela fúria. Girou no ar e ativou Proje??o Psiquo, uma linha de percep??o que leu o campo como se fosse um mapa. A vis?o mental do arcanjo varreu passos, músculos, respira??es.

  — “Sistema… analise simples atual.”

  uma voz interna, quase clínica.

  


  Scan: HP 950/1000, velocidade +50%, padr?o de ataque: linear com varia??es.

  Com isso, Askiel orquestrou a defesa para n?o só bloquear, mas para controlar o espa?o. Quando Felix lan?ou duas chamas e avan?ou, Askiel cravou as espadas no solo: uma onda explodiu, dissipando as chamas e arrancando os pés do atacante do ch?o por fra??es de segundo. O impacto veio como um soco sonoro, poeira voando, e Felix rolou, queimaduras estalando, roupa chamuscada.

  — “N?o tá nada mal.”

  Askiel disse, limpando pó de mana como se fosse só sujeira.

  — “Tá achando que me ganha assim fácil?”

  Felix cuspiu faíscas, e em cada palavra a exaust?o respirava junto.

  O público rangia; o Coliseu soava a cada respira??o como se fosse um corpo único com febre.

  Round 3 — última chance de fazer algo

  O custo pesava demais para Felix. Ele arfava, chiado saindo do peito; as m?os tremiam de calor e sangue seco na comissura dos dedos. Sabia que precisava terminar ou morreria em poucos segundos de fogo.

  Decidiu tudo: investida em linha reta, velocidade pura, chama concentrada, tudo ou nada.

  Askiel respondeu com Reflexos Divinos. O desvio foi calculado, mas a verdadeira virada n?o foi instantanea: Askiel girou as espadas numa sequência fluida, usando o vento e a névoa de Félix como alavanca. A névoa produzida pelo ataque de Felix foi sugada, comprimida e redirecionada contra ele.

  No momento do contato, tudo se arrastou como mel: Felix sentiu um choque percorrer o antebra?o, n?o totalmente elétrico, mas uma sensa??o de vazio que abriu os dedos. As adagas, que um segundo antes eram extens?o de sua vontade, romperam a aderência; os punhos falharam. As laminas escaparam das m?os de Felix como se fossem arrancadas por cordas invisíveis, girando no ar em camera lenta.

  Felix viu as adagas deslizarem pelos dedos, percebeu o brilho fugaz delas descrevendo um arco, depois o espa?o aberto, e só ent?o, com atraso torturante, sentiu o impacto de cair no ch?o. As armas bateram no solo a metros, chispas de mana soltando faíscas.

  — “Acabou?”

  ele perguntou, voz rasgada.

  — “Acabou. Você é rápido… mas previsível... bom! Foi um bom passear, meu amigo”

  Askiel respondeu, com a calma de quem termina um exercício.

  O som da queda das adagas cortou o ar; a plateia gritou. Felix ofegou, queimado, mas vivo, e ali, no ch?o, a derrota tinha gosto de ferro e calor.

  Conclus?o — pós-luta e sensa??o física

  O Coliseu explodiu em aplausos e vozes. Askiel manteve postura rígida, laminas baixas, respirando de forma controlada, havia gasto, mas ninguém via as rachaduras; apenas a imponência. Felix se ajoelhou meio cambaleante, ergueu a m?o ao peito em sinal de respeito antes de ser escoltado para fora. O cheiro de fuma?a ficou no ar como uma lembran?a pegajosa.

  Ribeiro, ainda com a esfera no bolso, observou tudo com olhos atentos. O mini-inseto murmurou:

  — “Eita… esse aqui n?o é brincadeira, hein.”

  — “Cala a boca, inseto. Aprende observando.”

  Ribeiro devolveu, mexendo a m?o até sentir o calor da esfera. Ele n?o disse em voz alta que sentia o próprio pulso acelerado.

  Os Animadores fecharam a transmiss?o com drama:

  “Askiel vai à final! Felix sai queimado, e pronto para voltar no próximo torneio!”

  e a multid?o respondeu com um rugido que fez a arquibancada tremer mais uma vez.

  Poucos dias de estudo, algumas faíscas e uma esfera no bolso, o suficiente para perceber: o jogo recome?ara, e o desgaste físico, mais que a técnica, mostraria quem aguentaria até o fim.

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