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44. O ECO DOS REGISTROS

  O corredor fedia a poeira antiga e metal quente quando Ribeiro saiu da enfermaria. As palavras de Thua martelavam:

  "Tu fala como jumento ou como sábio. Vai estudar."

  A névoa sibilou, irritada, uma sombra viva.

  — "Ele te chamou de burro educado."

  — Cale boca-te…

  — Mas ele tá certo. Me sinto um animal lendo mapa ao contrário.

  A Biblioteca Arcaica ficava umas quadras acima do Coliseu. Por fora: torre espiralada. Por dentro: espa?o que respirava. A runa neutra na porta tremia, dobrando o tempo com calma perigosa.

  Assim que entrou, o mundo murchou de som.

  Estantes subiam como costelas. Livros murmuravam mana. Tudo olhava Ribeiro como se perguntasse:

  “Tu sabe ler, criatura?”

  1 — Dez dias em dez horas

  Ribeiro tocou um grimório e resmungou:

  — Porra… cadê o tutorial?

  A névoa estalou; ploc, um peda?o dela caiu no ch?o e tomou forma: um mini-ser de fuma?a negra, do tamanho de um rato, bra?os cruzados, olhos de brasa.

  — "Oi."

  — O que é isso? Um… inseto?

  — "Sou eu animal, lembra n?o? ü"

  — Por que saiu de lá?

  — "Consegui escapar da zona que tu chama de cérebro."

  Ribeiro pisou, reflexo. Nada.

  — "Quanta intolerancia."

  — Vai ti fude, inseto.

  — "Você pisa. Mas eu é que sou burro?"

  o inseto devolveu com calma.

  E come?ou o estudo.

  Levita??o (básica). A pedra subiu cinco centímetros e caiu.

  — Que bosta.

  — "Tu pede pro vento e chama de “talento”, jumento."

  Bola de fogo. Explodiu bonito; metade do manto virou inexistente. Ribeiro olhou o buraco na roupa.

  — …eu... Sou mana pura.

  — "Parabéns, Sherlock."

  Ele encontrou termos que voltavam: runa neutra, condensa??o, esqueleto de mana, tríades. Rabiscou, testou, quebrou regras.

  


  Condensa??o de Mana, vers?o prática

  Ribeiro aprendeu a comprimir a névoa num ponto: n?o era só magia, era extens?o do corpo. A condensa??o forma um núcleo denso de mana que se modela, laminas etéreas, pequenos escudos, ou um núcleo para alimentar invoca??es fracas. Para alguém comum, é gasto de vida; para Ribeiro, a névoa é o combustível e o esqueleto: o custo “n?o aparece” da forma usual, é o corpo reformando-se.

  Nota: transferir consciência para um objeto com condensa??o funciona por instantes. Sem um esqueleto de mana real (o corpo dele), a consciência desbota. Roubo poderoso — mas instável.

  Testes práticos:

  


  Runa Neutra

  Estabilizar: desenhou um anel de mana; o tempo dentro murchou por alguns segundos. Doeu no peito.

  Faísca Astral: condensou uma lamina azul no punho; cortou um tomo. Cheiro de oz?nio. Pre?o: um pulso fraco, batimentos lentos.

  Dez dias lá dentro. Dez horas fora.

  The story has been taken without consent; if you see it on Amazon, report the incident.

  A runa neutra sorriu em silêncio.

  2 — As Estrelas (tudo o que Ribeiro rabiscou)

  No décimo dia encontrou um tomo com um céu dividido em dez.

  As runas acenderam e ele leu, anotando com letra torta:

  O criador dessas artes era o Deus Superior, Zenerity: o Deus das Estrelas.

  O tomo dizia que, em um passado remoto, seus seguidores, uma ra?a que n?o era deste mundo, herdavam esses dons já no nascimento, como quem respira.

  


  3 Pontas — Parar Ciclos: interrompe UM elemento de ciclo por vez (vida/morte/renascimento), se o ciclo tiver três elementos. Efeito cessa com a morte do usuário.

  


  4 Pontas — Controle Elemental + Corpo Aprimorado: manipula qualquer elemento; +30% de defesa. N?o dá imunidade.

  


  5 Pontas — For?a Expandida & Invoca??o: +50% em todos os status. Invoca e rasga véus para outras dimens?es do mesmo planeta. (Capella.)

  


  6 Pontas — Divis?o & Cria??o: separa ou funde matéria; falha vira aberra??o.

  


  7 Pontas — Voz que Muda o Mundo: palavras alteram a realidade; pre?o proporcional ao absurdo.

  


  8 Pontas — Viagem Temporal: possess?o de outras eras; risco de perder-se.

  


  9 Pontas — O Nome Divino: acumula nomes e for?as do divino; conceito em ato.

  


  10 Pontas — O Inefável: além do divino; possuir distorce o véu por existir.

  Ribeiro encarou a 5a. Pensou em Capella. Pensou em perigo.

  — "A nove e a dez seriam divertidas"

  o mini-inseto cutucou.

  — "Se você quisesse explodir a realidade."

  — Cala a boca, bicho estranho.

  3 — O mini-bicho: a sombra que aprendeu a reclamar

  N?o era outro ser: era fragmento da névoa fundidos nos resquícios do Inseto. Quando ela se comprimira, parte da consciência ficou petrificada ali, resquícios com vontade própria. Agora domesticado, o bicho falava, insultava, observava, mas faltava-lhe massa. Podia gesticular, emitir ordens curtas, mas magia duradoura? N?o.

  


  Ribeiro anotou: névoa = esqueleto fluido. Comprimir cria ecos de consciência. Práticos, úteis; jamais completos.

  — Tu fala demais.

  Ribeiro disse.

  — "Tu pisa muito."

  Ele devolveu.

  — "Equilíbrio... Hehe"

  4 — Corpo-Esfera: experimento tolo, resultado doce

  Por tédio e carinho, Ribeiro condensou mana em esfera translúcida, do tamanho de uma cabe?a, e ofereceu para o bicho. Ele entrou e ganhou voz firme por minutos. A esfera andou, tintilou, bateu numa estante; livros tossiram pó de mana.

  


  Dura??o: minutos. Custo: Ribeiro sentiu um cansa?o estranho, troco direto de essência.

  — "Tu me deu perna."

  a névoa/bicho murmurou, com voz de vidro.

  — N?o chama de perna, chama de esfera com atitude.

  Ribeiro riu.

  Guardou a esfera no bolso. N?o admitiria.

  5 — Volta ao Coliseu

  Ele saiu com o peito rachando de informa??o, e de perguntas.

  Capella estava. Thua, também.

  — Pronto. Estudei.

  — "Quanto tempo?"

  Capella perguntou

  — Dez dias.

  — "Mas... Se saiu só a algumas horas para lá fora"

  Ela ergueu sobrancelha.

  — é... Biblioteca bugada.

  Ribeiro respirou fundo.

  — Capella… tu conhece Zenerity?

  Ela sorriu daquele jeito macio, quase musical.

  — "CLAROOOO! Ele nos salvou! Tirou a fome! Nos guiou! Limpou nossos pecados! Aliás — onde ele tá? Você viu ele por aí???"

  Ribeiro encarou o ch?o.

  — …Ent?o.

  Ele engoliu seco.

  — A gente… tacou ele na cruz.

  O silêncio caiu pesado.

  Tipo chumbo espiritual.

  Capella piscou uma vez. Depois outra. Bem devagar.

  — "Desculpa. Como é?"

  — E depois tacou fogo… (?′? ?.? ?.?? ?.? ?`?)

  Ele suspirou.

  — A humanidade achou que ele era impostor. Aí, mil anos depois, ele voltou… vers?o buffada, super luz, edi??o deluxe… e a gente expulsou de novo.

  — E antes de ir, ele deixou uma profecia: destrui??o geral. Timer do apocalipse. N?o me pergunta como eu sei. Eu só sei. ;-;

  Ela n?o sorriu. N?o reclamou.

  Só ficou ali… absorvendo o desastre inteiro.

  — "Vocês… s?o realmente eficientes em destruir quem salva vocês."

  Ribeiro deu de ombros.

  — Pois é. Se tem uma coisa que a gente faz bem… é burrice histórica.

  A pausa disso tudo cortou mais que lamina.

  6 — Humanos Puros

  Ribeiro abriu o tomo numa página fragmentada:

  — Humanos Puros. N?o têm tríades. Quando morrem, morrem. Sem renascimento, sem resquício.

  — "Vazios? Espera... Se roubou este livro?"

  Capella perguntou.

  — Vazios… e perigosos. Alguém tentou dissecar um. E eu só peguei emprestado sem tempo de validade, relaxa, e sem avisar também :3.

  Capella empalideceu. O vento soprou baixo, como um mundo que pediu desculpas e n?o tinha como entregar.

  7 — Conclus?o nada épica (mas sugestiva)

  — Enfim…

  Ribeiro ergueu a m?o

  — agora eu sei condensar mana, levitar e duas magias básicas.

  — "Parabéns."

  Capella: seca.

  — "Bela de umas bostas, nunca use."

  — Nem vou.

  A névoa "deu um tapa" no ombro dele.

  — "Conta da bola de fogo."

  — Cala a boca, inseto.

  — "INSULTO! EU NUNCA ME MISTURARIA COM AQUELA COISA"

  Thua resmungou:

  — "Pelo menos tu n?o é mais um jumento completo."

  — Sou meio-jumento.

  — "Aceito isso."

  Ribeiro saiu com um segredo no bolso: uma esfera de mana, quieta, brilhando como se tivesse batimentos. Ele n?o admitiria que a olharia de vez em quando. Nem que sentia, por instantes, o peso de um corpo que n?o era só dele.

  E o conhecimento? Arma e promessa. O mundo ia precisar desse tipo de loucura logo, muito antes do que todos imaginavam.

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