A luz que envolvia Gryvy n?o era mais brilho.
Era eros?o.
Cada respira??o arrancava uma fra??o da própria vida, anos queimando como lenha úmida num fogo que n?o queria acender.
Ele abriu os olhos. Calmos. Profundos. Quase… tristes.
— “Cada segundo que passa…”
A voz saiu como gravidade raspando ferro.
— “…uma semana da minha vida se desfaz.”
A plateia prendeu o fiapo de ar que restava.
Gryvy sorriu, um sorriso manso, rachado.
— “Vale a pena… se for para parar você, anomalia.”
Ribeiro piscou uma vez.
E explodiu:
— ANOMALIA é TU, CARALHO!
Apontou o ch?o, onde a gravidade dobrava pedras como massinha.
— OLHA O ESTADO DO UNIVERSO, PORRA! ATé O SOM Tá MORRENDO!
A névoa gargalhou como um coro indecente:
— “ELE TEM UM PONTO!!”
Gryvy cerrou os punhos.
Rachaduras de luz correram por seu bra?o, n?o brilho: vida evaporando.
— “O custo é meu.”
— “O mundo n?o aguenta seres como você.”
Ribeiro deu um passo.
O espa?o fez um som de madeira se partindo.
— O mundo que lute.
Gryvy inspirou fundo.
O ar dobrou. Linhas tortas se espalharam como rachaduras em vidro.
A voz dele veio como um martelo na espinha do tempo:
— “Super… Nova…”
O peito se abriu numa cicatriz de fogo.
A tatuagem explodiu em luz, um sol preso em carne viva.
— “Big… Bang.”
A arena curvou.
A luz se distorceu.
O solo virou pó antes de alcan?ar seus pés.
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E ent?o Gryvy desapareceu, n?o sumiu: escavou um túnel na gravidade, rasgando a estrutura do universo até emergir atrás de Ribeiro.
— “Lamento.”
A primeira onda n?o era golpe.
Era press?o absoluta, o ar tentando esmagar Ribeiro até virar poeira molecular.
Ribeiro n?o estava mais lá.
Reapareceu acima, rindo com a alma incendiada:
— PORRA, AGORA SIM! VEM COM TUDO CARV?O!
O pre?o subiu.
O corpo de Gryvy tremia, meses, anos, décadas sendo queimadas por segundo.
Ele avan?ou.
Cada passo criava crateras microscópicas.
As bordas da arena choravam poeira.
Mas Ribeiro… n?o respondia com for?a.
Respondia com entendimento.
Em vez de se lan?ar, desaparecia em microexistências.
Reaparecia exatamente nos “nós” onde o campo gravitacional se organizava, como se enxergasse a geometria da técnica de dentro.
Era um duelo assimétrico:
Gryvy queimando a vida.
Ribeiro dobrando a presen?a.
O Patr?o, desesperado, empilhava selos, camadas, invoca??es.
A barreira ganhava densidade de muralha divina, segundos comprados com panico.
Gryvy reuniu o resto.
A voz dele saiu em rompantes:
— “Aldebaran…”
E o mundo amassou.
Uma esfera de densidade nasceu ao redor dele.
N?o luz.
N?o calor.
Press?o pura.
Uma estrela condenada engolindo tudo num único ponto.
A plateia sentiu o ar fugir dos pulm?es.
O universo parecia… encolher.
Todos esperavam Ribeiro escapar.
Ele n?o escapou.
Ele voltou.
Escolheu o único ponto onde a técnica precisava existir, o centro do nó.
O cora??o da compress?o.
E apareceu lá dentro.
A esfera encontrou resistência.
A resistência encontrou vontade.
E a técnica virou um espelho perverso.
Gryvy gritou, um som que n?o era humano nem estelar.
Era o rugido de uma lei sendo quebrada.
A compress?o refletiu.
O port?o colapsou.
A tatuagem em seu peito se partiu como ceramica superaquecida.
Dobramentos gravitacionais rasgaram seu corpo por dentro.
O Patr?o berrava selos até sangrar.
A névoa chorava de ódio.
Nada adiantava.
O sacrifício, agora invertido, cobrou o pre?o completo.
Gryvy caiu de joelhos.
Sem explos?o.
Sem espetáculo.
Só o suspiro silencioso de uma estrela morrendo.
Ele ergueu o olhar, velho, cansado, ainda digno.
— “Como… você…”
A voz veio em pó.
— “…ousa…”
Ribeiro, sujo, suado, ferido, mas inteiro por pura teimosia existencial, respondeu:
— Você me ensinou a caminhar.
Um toque no ombro.
Respeito.
Fim.
Gryvy tentou levantar.
N?o conseguiu.
A Chama de Aldebaran, nome de um dos melhores de sua ra?a, consumiu o que o sustentava.
A névoa murmurou, reverente:
— “Acabou…”
Ribeiro ajeitou o manto, limpando o sangue com o dorso da m?o.
Olhou ao redor.
Plateia tremendo.
Patr?o dividido entre alívio e culpa.
O universo, quieto, como se tivesse medo de contrariá-lo.
— …Agora sim.
Virou-se.
— Próximo.
O silêncio coube uma cidade.
Depois, veio o rugido.
Medo.
Luto.
Devo??o.
E a certeza:
as regras do mundo acabavam onde Ribeiro decidia existir.
Ele saiu da arena do mesmo jeito que sempre fazia:
simplesmente escolhendo estar.

