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40,2. SEGUNDA LUTA: Pico da Gravidade

  O som do coliseu morreu.

  O vento parou.

  Até a poeira pareceu hesitar no ar, como se tivesse medo de escolher um lado.

  Gryvy flutuava a poucos passos, o corpo de luz oscilando como uma chama prestes a apagar.

  A tatuagem estelar em seu peito pulsou, uma única batida irregular, como se reconhecesse perigo.

  Ribeiro deu um passo.

  A arena tremeu.

  N?o por poder bruto.

  Mas porque a gravidade ao redor dele se descolou, quebrando a ordem natural como vidro trincando de dentro pra fora.

  A plateia inteira engoliu seco.

  — “H-H?? Foi a arena que mexeu?”

  — “Isso n?o é efeito de magia, né?”

  — “Eu… eu acho que vi o som falhar.”

  Acima da arquibancada, o Patr?o praguejou algo inaudível e estendeu a m?o.

  Rios de mana roxa contornaram o coliseu, formando uma barreira que ondulou como vidro líquido sob press?o.

  — “SE AFASTA, PORRA!”

  gritou ele para os guardas.

  — “ISSO AQUI VAI EXPLODIR A FíSICA, EU N?O VOU TER QUE PAGAR FUNERAL DE CEM PESSOAS HOJE!”

  A névoa gargalhou, empolgada:

  — “é ISSO! Aí SIM! AGORA VOCê LUTA COMO VOCê MESMO!”

  Ribeiro girou o pesco?o, estalando os ossos com uma calma irritante.

  — Obrigado por me levantar, Gryvy…

  — “Levantar?”

  o monge repetiu, genuinamente confuso.

  Ribeiro sorriu, leve, mas vazio.

  Um sorriso de alguém que já desistiu de ser gentil.

  — …Agora eu posso te derrubar direito.

  Gryvy n?o esperou.

  Num único gesto, multiplicou a gravidade ao redor de Ribeiro em dez vezes.

  O ch?o afundou.

  A arena rangeu.

  A for?a invisível tentou esmagá-lo como alumínio sob um motor hidráulico.

  Love this novel? Read it on Royal Road to ensure the author gets credit.

  Ribeiro continuou andando.

  Um passo.

  Outro.

  Mais um.

  Como se estivesse caminhando em água até o tornozelo.

  A plateia ficou em silêncio absoluto.

  Nem respira??o.

  Nem murmúrio.

  Gryvy se engasgou no ar.

  — “Isso… isso n?o é possível.”

  Ribeiro ergueu a m?o, estudando-a como se fosse nova.

  — N?o é que n?o seja possível…

  — …é só que você achou que eu seguia suas regras.

  E desapareceu.

  N?o um teleporte.

  N?o um flash azul.

  N?o um rastro de mana.

  Ele simplesmente deixou de existir dentro do campo gravitacional.

  O Patr?o arregalou os olhos.

  — “QUE MER— ELE PASSOU ENTRE AS FREQUêNCIAS DE DENSIDADE!? COMO!?”

  Gryvy procurou, desesperado.

  — “Mas… MAS COMO—”

  — Aqui... Aprendi que o espa?o é a fechadura, e eu a chave...

  A voz soou atrás.

  Gryvy virou, tarde demais.

  Ribeiro segurou seu pulso.

  A gravidade ao redor estilha?ou-se como uma lente quebrada, perdendo dire??o e lei.

  O “fogo gravitacional” do monge piscou, falhando por um instante.

  Ribeiro murmurou:

  — Você controla a queda.

  — Eu controlo onde EU existo.

  O socou.

  O impacto n?o fez barulho.

  O som simplesmente… falhou.

  O peito de Gryvy afundou como se um meteoro colidisse à queima-roupa.

  Ele foi arremessado, n?o empurrado.

  Arrancado da própria gravidade como se fosse um erro físico sendo corrigido à for?a.

  A parede da arena virou poeira.

  O corpo do monge distorceu o espa?o ao redor, vibrando em arcos de luz quebrada.

  A plateia explodiu:

  — “EU VI O MUNDO TRAVAR! EU VI O MUNDO TRAVAR!”

  — “MEU OLHO Tá SANGRANDO?”

  — “ALGUéM PEGA A CRIAN?A DO CARA, ELA Tá FLUTUANDO!”

  O Patr?o rangia os dentes, suando:

  — “SE ESSA BARRREIRA CAIR, TODO MUNDO VIRA UMA TATUAGEM NO CH?O!”

  Gryvy tentou retomar a postura flutuante, mas sua gravidade cambaleava, ferida, instável.

  — “Que técnica é essa…?”

  ele sussurrou.

  Ribeiro caminhou.

  Devagar.

  Cada passo distorcendo a areia como se a realidade tivesse que se ajustar a ele, e n?o o contrário.

  — Isso n?o é técnica.

  — é criatividade.

  As pupilas de Gryvy tremeram.

  Ribeiro fechou os dedos, estalando-os.

  — Você controla a queda.

  — Eu… decidi parar de cair.

  A plateia gelou.

  Gryvy inspirou fundo.

  E ent?o… sua chama mudou.

  A CHAMA ETERNA despertou.

  (Para melhor experiência nesta parte, ou?a “Megalovania”)

  O brilho em seu peito virou uma estrela em colapso.

  A tatuagem se abriu como uma cicatriz viva.

  Rachaduras de luz subiram pelo corpo inteiro.

  A névoa engoliu seco.

  — “Eita porra… ele… ele tá indo pro estágio superior…”

  O monge ergueu o rosto.

  E por um instante, seu sorriso foi humano, calmo, triste.

  — “Como ousa… me ferir assim?”

  O ar queimou.

  O espa?o curvou.

  Toda a arena pareceu ser sugada para dentro dele.

  Gryvy abriu os bra?os, e sua voz saiu como o rugido de um sol morrendo:

  — "AGORA TERá QUE ENFRENTAR…"

  "A S C E N S ? O. D A S. C H A M AS."

  Um clar?o subiu aos céus.

  Seu corpo virou luz líquida, gravidade viva, energia dobrada sobre si mesma.

  E ent?o:

  — "LAST CHANCE: NEO EX."

  A arena se apagou.

  Tudo silenciou.

  Até a névoa ficou muda.

  E Ribeiro sorriu como quem vinha esperando exatamente por isso...

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