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Capítulo 26 - A Toca da Gata

  De longe, ambos encaram o guarda.

  Ele também está mascarado, mas a sua máscara é de a?o. O seu elmo, a sua armadura e a sua lan?a mostram a sua competência.

  Mesmo sem lutar ou sem sentir a energia daquele, o porteiro parece amea?ador e poderoso para o garoto.

  一 N?o olhe nos olhos dele.

  O sussurro do velho por debaixo da máscara é audível para o menino, que responde com um aceno de cabe?a.

  Ao se aproximarem do guarda, o jovem permaneceu com a cabe?a baixa sem demonstrar os olhos.

  Por outro lado, Yurgen ergueu o semblante e confrontou o soldado.

  一 Identifiquem-se!

  A voz do homem ressoou como um vácuo ao mesmo tempo que o cabo da lan?a em pé, bateu contra o ch?o.

  O contraste entre o cinza e o olhar escarlate do guarda causa uma tens?o sufocante no rapaz sequer observando a cena. Isso mostra o qu?o selvagem é esse lugar.

  一 Ruja! ó glorioso le?o das chamas!

  Com a entona??o firme, o mentor disse enquanto seguia encarando o guarda.

  Contudo, ao dizer essas palavras, a vontade dele cresce como se tivesse perdido o controle. A inten??o assassina de Yurgen paralisa o guarda, que pisca com medo vendo o potencial e a for?a daquele à sua frente 一 Capaz de fazer a armadura estremecer e vibrar.

  一 P-Podem passar.

  Ele libera o caminho para o port?o e vira de lado.

  Conforme ambos, discípulo e mestre passam, o soldado observa o muro.

  “Desde quando está trincado? N?o pode ser…”

  As pernas do porteiro tremem brevemente enquanto engole seco. Após a passagem da dupla, ele volta a proteger o port?o. Mas a imagem infernal do mascarado ainda lhe assombraria por muito tempo.

  Do lado de dentro, a cabe?a de Raisel se levanta em conjunto com um suspiro.

  “Que nervoso… Pensei que meu cora??o fosse parar.”

  Todavia, ao levantar o olhar, ele percebe o qu?o próspero esse lugar é.

  O barulho preso entre as paredes da muralha é de agita??o total. Falas, gritos, música. é como se estivesse em um festival inacabável.

  O detalhe mais impressionante é a quantidade de pessoas com as máscaras transitando pelo lugar. Diferente do véu negro, há véus de todas as cores e máscaras com inúmeros detalhes.

  Apesar de momentaneamente maravilhado, a curta visualiza??o dos escravos corta o clima do menino como uma navalha.

  Em silêncio, ele permanece focado e introduz o olhar para o mentor.

  一 E agora?

  Por mais que houvesse falado em uma boa entona??o, o mestre n?o respondeu. Parecia paralisado, ou em choque.

  一 Vov??

  Numa segunda vez, a aten??o do velho é fisgada.

  一 Perd?o, perd?o… Me distrai.

  Ele volta a caminhar enquanto esbo?a uma risada sem gra?a.

  “O que ele estava pensando tanto? Ele está sempre atento…”

  一 A “Toca da Gata” é por aqui.

  Diferente de seguir a rua principal, entre inúmeras barracas, arranha-céus e fluxo de carros, ele lateraliza as passadas e busca um caminho próximo a muralha que circunda o Distrito.

  Nesses becos entre os arranha-céus, há diversas pessoas em uma situa??o miserável. A maior parte delas é idosa ou deficiente, com membros faltando.

  O cheiro podre ganha destaque com a escurid?o emanada deles.

  O odor é forte ao ponto de fazer Raisel lacrimejar.

  一 N?o os encare muito.

  Com a fala, o rapaz leva o rosto à frente e segue o que o av? diz.

  “Que lugar deplorável… Parece que tem tanta riqueza, mas tem pessoas nessa situa??o. Est?o praticamente mortas ou quebradas.”

  Estreitando o olhar, eles chegam a uma divisória entre os arranha-céus onde o trajeto se divide em quatro caminhos, como uma cruz.

  O mentor para no centro dele.

  一 O Reino de Balmund é dividido em três setores. Nós estamos em um deles, o distrito comercial.

  Antes de voltar a falar, ele segue para a direita.

  一 Mais pra frente, perto do coliseu, é o distrito nobre.

  Caminhando um pouco para a direita, há uma espécie de ponte e uma passagem por baixo dela em forma de arco. Entretanto, Yurgen salta para a passagem acima.

  一 Ainda mais longe, já na área do deserto, existe um outro distrito.

  一 área do deserto?

  Surpreso, Raisel n?o parece acreditar. Ainda que seguisse o mentor enquanto caminhava numa área mais estreita nessa espécie de ponte.

  一 Sim. O noroeste e o oeste de Balmund s?o cobertos por um deserto. Lá é o “Distrito dos Covardes”.

  一 Que nome mais…

  Em silêncio, o menino n?o encontra a palavra certa.

  O mentor para em frente a uma porta de um dos arranha-céus, no fim da ponte.

  一 Chegamos.

  Com uns passos para o lado, o protagonista observa uma placa com um gato enrolado, como se estivesse aconchegado ao ch?o.

  O velho abre a porta, mas n?o há nada ali. é uma porta de frente para uma parede.

  一 Ué?

  Sem entender, o menino encara o av?.

  O adulto solta uma breve risada anasalada e abafada pela máscara.

  一 A primeira vez que eu vi, fiquei assim também.

  一 Mas n?o tem nada além da porta.

  一 Só parece.

  一 Como assim, é uma ilus?o?

  Sem entender nada, o rapaz vê o mestre levar o dedo até um dos blocos de pedra, como se fossem tijolos. é o tijolo mais no canto diagonal superior esquerdo.

  Ao pressionar esse bloco, ele se afunda.

  Os olhos de Raisel se arregalam.

  “Uma passagem secreta?!”

  Ele se inclina para frente. Com o primeiro bloco afundado, os outros come?am a afundar como um dominó e, em seguida, o som de uma engrenagem come?a a puxar a porta para o lado.

  一 Uau… Isso aí é demais!

  A porta falsa de concreto desapareceu e uma escadaria para baixo apareceu. Com uma espécie de sequência de lampi?es preso sobre as paredes.

  一 Vamos.

  O velho come?a a descer as escadas após fechar a porta normal.

  Logo atrás, Raisel o acompanha.

  O barulho das engrenagens indicam a porta secreta se fechando.

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  Olhando para os lados, percebe que há algo dentro dos lampi?es que iluminavam o local.

  一 N?o é acesso com fogo, né?

  一 Os lampi?es? N?o. S?o borboletas.

  一 Borboletas brilhantes?

  一 é. Existem de todas as cores. Elas se agitam com a escurid?o, s?o uma boa fonte de luz por serem baratas.

  一 Maneiro.

  Após a fala, uns bons minutos de silêncio se instauram. Somente o som dos passos descendo a escadaria que n?o parece ter fim, ecoa naquele túnel estreito.

  一 Minhas pernas est?o come?ando a cansar.

  一 Estamos quase lá.

  Olhando para trás, Raisel sequer consegue ver o início do caminho. Em um suspiro insatisfeito, ele volta a caminhar.

  Mais alguns minutos se passam e os olhos dourados fisgam uma porta de a?o.

  De frente para ela, o velho cessa o caminhar.

  O punho direito contra a porta, bate quatro vezes como se fosse uma cruz.

  Uma fenda para os olhos se abre na parte superior da entrada.

  一 A ca?ada sempre termina...

  Diferente de antes, a atmosfera ao redor de Yurgen está leve. Por baixo da máscara e da barba, um sorriso breve se abre.

  一 E hienas zombam do le?o.

  “Hienas zombam do le?o? Que código mais esquisito…”

  O garoto n?o entende direito. Imaginou que seria o mesmo código que usaram para entrarem no distrito.

  Alguns instantes depois, a fenda se fecha.

  A porta se abre.

  Do lado de dentro, está tudo escuro.

  O mentor adentra.

  Raisel o acompanha apreensivo.

  As borboletas cintilantes se acendem uma após a outra e a cena faz o protagonista arregalar os olhos.

  Lavi, Lila e Carmen est?o jogados ao ch?o e cobertos por um vermelho vibrante. Boquiaberto, o aroma de uva faz o nariz do protagonista co?ar e, ao levantar o olhar, vê um barril estourado.

  一 Carmen… O que você tá fazendo?

  Confuso, o velho permanece a encarar após a fala.

  Subitamente, a ruiva de cabelos curtos se senta sobre o ch?o.

  一 Yurgen! Já chegou?!

  As crian?as ainda est?o nocauteadas.

  Os olhos dourados do rapaz deslizam pelo ambiente, n?o há nada além de barris, mesas e cadeiras. Entretanto, em uma das paredes, há uma porta e um balc?o.

  一 Sim. Onde está o Olga?

  O olhar da espadachim decai e encara o vinho vermelho.

  一 O Olga… disse que n?o vai ajudar.

  O clima pesa. Porém, Yurgen apenas suspira.

  一 Eu sabia. Ele está priorizando a saúde da Katarina.

  一 Sim… é uma pena.

  A ruiva também suspira em decep??o.

  一 E ent?o, o que aconteceu pra vocês estarem encharcados de suco de uva?

  Pondo a m?o na máscara após a fala, ele desativa a vestimenta e volta ao normal.

  Raisel faz o mesmo.

  一 Bem, acontece que…

  A perspectiva volta para alguns minutos atrás, Carmen, Lila e Lavi est?o de frente para a porta.

  Enquanto o menino está todo coberto por um manto marrom que revela só os olhos, a menina está com uma máscara da oculta??o junto a adulta.

  O espa?o da porta de ferro para os olhos, se abre.

  一 A ca?ada sempre termina…

  一 E as hienas zombam do le?o!

  Com confian?a, a espadachim completa a frase.

  Do mesmo modo, a porta se abre e o ambiente escuro se revela.

  一 Ué, n?o tem ninguém, tia Carmen…

  Confuso, o gêmeo segue a mulher.

  一 Que medo…

  Com os ombros tremendo, ela agarra parte do véu da mulher com os dedos.

  Atrás do balc?o, há um homem de terno franzino com uma máscara de gato.

  Destemidamente, a ruiva se aproxima dele.

  一 Ei, servo. Diz pra velhota que a Spencer tá aqui.

  O servo ouve e acena com a cabe?a. Ele, portanto, adentra pela porta dos fundos.

  一 Spencer?

  一 Aham. é meu sobrenome…

  O menino encara o ambiente sem dizer nada.

  一 Vamos sentar e beber alguma coisa.

  一 E podemos?

  Diz a menina apreensiva.

  一 Claro! é tudo por conta da casa.

  Lila e Lavi se encaram desconfiados.

  A espadachim caminha até uma das mesas que possuí um barril logo ao lado.

  一 Suco de uva, peguem um copo. Bora tomar!

  Os gêmeos a acompanham e pegam os copos à disposi??o ao lado do barril.

  Sorridente, a ruiva tira o disfarce. Os gêmeos também se revelam em seguida.

  Ao abrir a torneira, a mulher explode o barril com muita for?a.

  Com o fluxo, os três tombam para trás de susto.

  一 E foi isso que aconteceu!

  Com aquele mesmo sorriso, ela conta a história como se estivesse orgulhosa disso.

  Por outro lado, Yurgen p?e o palmo na face.

  一 Você sabe que a Anci? vai reclamar disso.

  一 N?o vai nada. Ela é gente boa.

  Antes de se levantar, Carmen bate o palmo contra a bochecha dos gêmeos. Eles v?o despertando após o choque.

  O barulho da porta dos fundos se abrindo chama a aten??o dos três acordados. Mas ninguém passou por ela.

  一 Ué…

  Passos curtos ressoam pelo ambiente silencioso. Ao lado do balc?o, se revela uma senhora muito idosa e pequena como uma crian?a.

  Com um rabo de gato branco balan?ando pela coluna torta e as orelhas tombadas, quem é essa mulher!?

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