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O tempo passou, e Alex estava exausto. A caminhada havia sido t?o animada que ele mal conseguia se manter de pé, ofegante depois de correr e pular sem parar.
— Parece que você gastou toda a sua energia, n?o é? — disse Samuel com um sorriso suave, observando o pequeno lobo tentando recuperar o f?lego.
Samuel se aproximou e passou a m?o sobre a cabe?a de Alex, afagando-o com carinho.
— Vamos voltar para a toca — sugeriu, mas Alex ergueu o rosto com um brilho de expectativa nos olhos.
— Podemos visitar meus tios, a Lumaris e o Kuwabara? — pediu Alex, a cauda balan?ando devagar.
Samuel assentiu sem hesitar, apreciando a pureza do pedido.
— Claro, vamos.
Enquanto caminhavam, algo incomodou Samuel. O ambiente estava estranho. As árvores pareciam mais sombrias e n?o havia nenhum sinal dos outros lobos. Um vazio inquietante permeava o ar, mas ele decidiu ignorar a sensa??o, n?o queria preocupar Alex.
Chegaram à entrada da toca de Lumaris e Kuwabara, mas algo estava errado. N?o havia ninguém ali para recebê-los. Alex, sem esperar por Samuel, correu para dentro.
— Alex? — chamou Samuel, mas o filhote já havia desaparecido na escurid?o.
Samuel seguiu atrás dele. O interior estava escuro demais. Ele estalou os dedos e conjurou uma lanterna de luz suave, iluminando o caminho à frente.
— Isso é estranho... — murmurou para si mesmo. — N?o sinto nada aqui. N?o parece um sonho... nem mesmo um pesadelo.
Ele avan?ou cautelosamente, atento ao menor som, mas o silêncio era absoluto. Ent?o, ao longe, notou uma imagem distorcida na escurid?o, como uma fenda na realidade. Aproximou-se, abrindo-a com cuidado. Do outro lado, uma floresta densa se revelou. E passos. N?o eram de lobo, mas sim de humanos.
Samuel permaneceu oculto, observando em silêncio. Um homem surgiu, seguido por dois ca?adores. A conversa que se desenrolou diante de seus olhos trouxe um peso inesperado.
— Você acha que o nosso senhor está satisfeito com a nossa derrota? — perguntou um dos ca?adores, a voz tensa, mas firme.
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— Eu cumpri minha parte! Dei a localiza??o dos lobos! Quero minha filha de volta! Esse era o trato! — suplicou o homem, a voz embargada de desespero.
Um silêncio pesado pairou no ar. O segundo ca?ador hesitou antes de falar, a express?o de dor evidente em seu rosto.
— Nós sabemos, mas n?o é t?o simples assim. Ele n?o perdoa fracassos. Se n?o obedecermos, nossas famílias também pagam o pre?o.
O homem se ajoelhou, desesperado, com as lágrimas amea?ando cair.
— Eu traí aqueles lobos por vocês! Fiz o que pediram! Eu só quero minha filha!
O primeiro ca?ador desviou o olhar, apertando a arma nas m?os.
— Nós também temos famílias, e sabemos o que ele faz com quem falha... — A voz dele vacilou. — Sinto muito...
Antes que pudesse dizer mais, o segundo ca?ador abaixou a cabe?a, os ombros tensos.
— A filha dele já estava morta. N?o havia mais esperan?a.
O primeiro ca?ador fechou os olhos, respirando fundo, lutando contra o remorso.
— Isso n?o precisava acontecer desse jeito...
— Precisava — respondeu o outro. — Se o senhor soubesse que deixamos ele viver, nós dois estaríamos mortos. Ele n?o perdoa, você sabe disso.
Samuel, observando, sentiu uma onda de compreens?o e tristeza. Esses homens n?o eram apenas inimigos frios. Eles também eram vítimas, presos em um ciclo de medo e obediência. "Eles n?o querem fazer isso. Mas s?o obrigados. O Alfa estava certo. Nem todos os humanos s?o maus."
A fenda come?ou a se fechar lentamente, devolvendo Samuel à escurid?o. Seus pensamentos, porém, permaneciam agitados. Ele ouviu ent?o a voz de Alex ao longe, chamando-o.
— Pai? Onde você está?
Seguindo a voz, ele encontrou uma luz e, ao atravessá-la, estava de volta à clareira, com Alex ao seu lado.
— Pai? Seus olhos estavam brilhando! O que aconteceu?
Samuel sorriu, a voz mais leve.
— Acho que dormi sentado. Desculpe, lobinho.
Alex riu, apoiando a cabe?a na perna de Samuel.
— Seus olhos pareciam vagalumes! Foi engra?ado.
Samuel acariciou a cabe?a do pequeno lobo com carinho.
— Que bom que se divertiu. Acho que está na hora de voltar para casa. Que tal?
Alex hesitou.
— Podemos passar na toca dos meus tios?
Samuel respirou fundo, disfar?ando a preocupa??o.
— Mais tarde, prometo.
Alex sorriu, aceitando a resposta.
— Tá bom.
Eles se levantaram e, lado a lado, come?aram o caminho de volta. Samuel lan?ou um último olhar para a floresta atrás de si, questionando sobre a verdadeira face dos ca?adores.
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