"Agora vocês sabem a verdade", disse Moisés, a sua voz baixa e carregada com o cansa?o de uma confiss?o há muito adiada. "Está a ficar tarde. Vocês têm de ir, antes que alguém vos apanhe aqui."
Maria e Rick concordaram com um aceno solene, compreendendo a necessidade de discri??o. Saíram para os seus respetivos quartos, deixando Moisés sozinho com o peso do seu segredo, agora partilhado. Ele sentia-se mais leve e, paradoxalmente, mais pesado do que nunca.
Deitou-se na cama, completamente vestido, demasiado exausto para se mexer. Mas o sono, quando veio, n?o foi um refúgio. Foi uma armadilha.
A sua mente foi arrancada do seu quarto e atirada para um mundo alienígena. Ele estava numa selva de plantas bioluminescentes que brilhavam com tons doentios de azul e verde na escurid?o perpétua. O ar era denso e húmido. E no centro de uma clareira, a batalha desenrolava-se. Ele viu um Magic Dourado, um guerreiro cuja armadura brilhava e cujo cabelo era uma cascata de pura luz, a lutar desesperadamente contra uma figura envolta em sombras movedi?as.
N?o era uma luta entre guerreiros. Era uma ca?ada. O Magic Negro movia-se com uma crueldade eficiente e predatória, os seus ataques n?o eram explos?es de poder, mas golpes precisos e calculados. Com uma frieza arrepiante, ele perfurou as defesas do guerreiro dourado, a sua lamina de escurid?o a apagar a luz da armadura. Moisés assistiu, impotente, enquanto o ca?ador das trevas desferia o golpe final. Ele n?o sentiu apenas a dor do golpe; ele sentiu a vida do Magic Dourado a extinguir-se, a sua luz a apagar-se como uma vela, deixando para trás apenas o frio e o vazio. E a sensa??o da sua morte ecoou em Moisés como se fosse a sua própria.
Ele acordou com um sobressalto violento, o corpo coberto de um suor frio, o cora??o a martelar descontroladamente contra as costelas. O sonho... n?o parecera um sonho. Fora demasiado real, demasiado vívido. Uma amea?a. Uma memória.
'Será que isto realmente aconteceu?', pensou ele, sentando-se na escurid?o do seu quarto, o seu corpo a tremer. 'Afinal de contas... eu sou um Magic Dourado. Estarei eu conectado a eles? à sua dor? à sua morte?'
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O medo, um predador paciente, apoderou-se dele. N?o conseguiu voltar a dormir. Manteve-se alerta a noite inteira, sentado na cama, a olhar para as sombras do seu quarto, que pareciam contorcer-se e ganhar vida, à espera de um ataque que nunca veio.
De manh?, o cansa?o pesava-lhe nos ombros como uma capa de chumbo. Nas aulas, a sua concentra??o era nula. A sua mente, normalmente afiada, estava enevoada pela exaust?o e pelo medo. Ele deixou cair os seus materiais no ch?o com um estrondo, n?o ouviu quando um instrutor o chamou pelo nome e parecia perdido num mundo só seu, os seus olhos fixos no vazio. O seu comportamento, normalmente focado e exemplar, era agora o de um irresponsável, de um rebelde que n?o queria saber de nada nem de ninguém.
Maria observava-o de longe, a sua testa franzida com uma preocupa??o crescente. Durante uma pausa entre as aulas, ela puxou-o para um corredor mais privado, longe dos olhares curiosos.
"Moisés, o que se passa?", perguntou ela, a sua voz suave, mas firme. "Tu estás bem? Pareces... horrível."
"Eu...", a voz dele falhou. Ele parecia mais jovem, mais vulnerável do que ela alguma vez o vira. "Eu tive um pesadelo. N?o dormi a noite toda."
A express?o de Maria mudou instantaneamente de preocupa??o para decis?o. "Chega."
Antes que ele pudesse protestar, ela agarrou-lhe no bra?o. O mundo tornou-se um borr?o de cores e sons. Num instante, eles já n?o estavam no corredor, mas sim de volta ao quarto silencioso de Moisés. Ela guiou-o até à sua cama.
"Deita-te", ordenou ela, com uma firmeza carinhosa. "Descansa."
"E as aulas?", murmurou ele, a sua cabe?a já a pesar na almofada.
"N?o te preocupes com isso agora", disse ela, ajeitando-lhe o cobertor. "A tua saúde é mais importante. Nós tratamos de arranjar uma desculpa. Temos um lanche preparado, se tiveres fome mais tarde. Agora, dorme."
Ela afastou-se e ficou à porta, a vigiá-lo por um momento. "Vá, descansa", sussurrou ela.
E com a seguran?a da sua presen?a, Moisés rendeu-se finalmente à exaust?o. Ele adormeceu quase instantaneamente, a sua respira??o a tornar-se mais calma e profunda. Pela primeira vez desde o pesadelo, ele n?o se sentia ca?ado. Sentia-se protegido.

