home

search

Olhares

  Encontre seu lar

  Desconfiado ao seu próprio filho

  Sua vontade é sumir

  Dentro deste infindo vazio

  Capítulo 3- Olhares

  — O que você acha que tá fazendo aqui? Aqui é nossa casa! — Fala a garota.

  Uma jovem de cabelos longos, com mechas pintadas de roxo. Piercings na boca e na orelha, além de brincos de cruz. Usava uma camisa preta com estampa punk, unhas pintadas de preto e roxo, cal?a jeans rasgada nos joelhos e botas pretas.

  — Mas hein? — Fala Protea, ainda raciocinando.

  Encare Protea como um computador ligando.

  — Você é lerdo, moleque? Sai, vaza daqui. Tá achando que aqui é várzea!?

  -Mélia! Deixa o garoto em paz. N?o te falei que essa casa é abandonada? A gente n?o tem posse sobre ela! — Fala um garoto, aproximando-se.

  — Oi, meu nome é Miosótis, mas pode me chamar só de Mio. Essa insolente é minha irm? ca?ula, Astromélia, mas pode chamá-la só de Mélia. Nós somos moradores de rua, fugimos de casa para termos independência. E você?

  A figura de Miosótis se baseava em um garoto com porte físico invejável, cabelo liso e laranja, brincos de trov?o. Uma regata bege praticamente exalava prote??o e respeito. Um colar de trov?o dizia muito sobre a tempestade calma que ele representava. Sua cal?a preta e desbotada mostrava certo desleixo, o mesmo de seus sapatos escolares velhos.

  — Ah, eu...

  — Mio! Você ficou louco!? Tá tratando o moleque t?o bem assim por quê!?

  — óbvio. Porque os nossos destinos haviam de se encontrar. — Mio responde.

  Protea olhava para Mio com certa seguran?a. Ele n?o passava a aura de um líder, mas de alguém que o entendia de certa forma.

  — Você ficou maluco!? Que há de se encontrar o quê!? Esse pivete aí tá invadindo nosso lar. Vai deixar ele aí mesmo? — Fala Mélia.

  "Mas isso é uma casa abandonada." -Protea murmura.

  — Mélia, fala sério. Respira um pouco. N?o vê? Ele é só mais um de nós. Deixa ele em paz.

  — Aff... você faz curso de burrice, Mio? Deixa pra lá, ent?o. — Mélia fala com as bochechas rubras, e uma veia saltando na testa.

  Protea olha para ela com um certo receio, e quando ela vira ele dá um sorriso falso.

  A case of literary theft: this tale is not rightfully on Amazon; if you see it, report the violation.

  — O que é que tá me encarando você também? — Fala Mélia, olhando de cima.

  Ela sai emburrada para outro c?modo.

  — Perdoe minha irm?, ela é explosiva assim mesmo. Mas agora, me conte, quem é você, garoto?

  — Ah... eu sou Protea. é um prazer te conhecer, senhor Miosótis. E perd?o por estar incomodando tanto. Eu pensei que n?o tinha ninguém além de mim na casa.

  — Hahahaha, relaxa. A casa n?o é nossa. Nós a invadimos da mesma forma que você invadiu. Isso nos torna iguais, n?o é mesmo?

  Por algum motivo, Protea ouviu essa frase n?o como iguais na invas?o de propriedade, mas iguais de outra forma.

  — Nossa, já tá na hora de ir pra escola! Vou me atrasar! — Fala Protea, olhando para um relógio analógico velho e empoeirado na casa.

  — Ei, você estuda em qual escola?

  — Na daqui da frente mesmo.

  — é na mesma escola que eu e minha irm? estudamos. Bora pra lá juntos ent?o?

  — VOCê Tá MALUCO!? COM ESSE MOLEQUE FEDIDO? — Exclama Mélia

  — Misericórdia... você tá fedendo mesmo! No fundo da casa tem vários baldes que juntamos da chuva de ontem e sab?o em pó que achamos aqui. Vai lá tomar um banho. E quando voltar, vê se lava essa farda, pelo amor de Deus. — Fala Mio, após cheirá-lo.

  — Banho!? De verdade!? — Fala Protea.

  _ Você é burro!? Vai logo! A gente vai se atrasar! — Fala Mélia.

  —Tá bom, já vou!

  Mio, Protea e Mélia v?o para a escola juntos. Protea fica meio feliz e acuado ao mesmo tempo. Como assim, do nada, ele encontra duas pessoas que o acolheram com tanta facilidade?

  Mas Protea estava pronto para ser decepcionado pela vida novamente. Ele aprendeu com íris e nunca mais iria esquecer.

  "Ei, Mio!"

  "Bora jogar um Tekken depois da aula!"

  "Vamos lá, Mio!"

  — Claro, manos. Daqui a pouco eu vou. Esperem por mim. — Fala Mio.

  "Mélia tá uma gracinha hoje."

  "Bora sair depois, Mélia."

  "Seus olhos est?o lindos!*

  — Gados repugnantes... que nojo.

  Podem tirar o cavalo da chuva, seus imbecis! — Fala Mélia.

  Por incrível que pare?a, Mio e Mélia eram extremamente populares, mas Protea era t?o antissocial que n?o sabia nem da existência dos dois. Ele estava em choque por andar ao lado de dois estudantes t?o populares.

  — Quantos anos você tem, moleque? — Mélia pergunta, fazendo um bico.

  — Eu... eu tenho 14. — Protea responde.

  — Eu tenho 15. E o Mio tem 16. Onde é sua sala? Eu te levo lá.

  — Sério!? Digo... tá bom. — Fala Protea, de certa forma animado.

  Depois da aula, eu e Mio vamos ficar no depósito. A gente te espera lá. — Fala Mélia.

  -Tá bom... obrigado.

  Protea se senta em silêncio. Todos o olhavam, mas ele ignorava. Exceto um olhar. Um olhar sádico, com um sorriso que poderia parecer flerte para quem n?o conhecesse a verdade.

  íris n?o parava de olhar para ele.

  Quatro horas depois.

  Protea se levanta para ir ao depósito.

  "Protea..."

  "Protea..."

  -Protea..."

  Uma risada vinha por detrás dele.

  -O que você quer, íris? — Fala Protea.

  -Que grosseria, Teazinho. Por que fugiu de mim ontem? Estava t?o entusiasmada com você. — Fala íris.

  -N?o chega perto de mim, por favor. — Fala Protea.

  Ela pode me matar. Eu sou prova de que os pais dela têm escravos.

  -Sabe... você é t?o divertido. Eu amei brincar de pique-esconde com você no jardim. N?o se preocupe, eu n?o vou te matar. Você é t?o amado, Teazinho. Por que n?o volta para sua família? Eu. Sua única família. — Fala íris.

  -Desgruda de mim. Me deixa em paz. — Fala Protea.

  Ele se solta e caminha até o depósito.

  -Cara, isso é bizarro. E quem é a garota, hein? — Fala Mio, mastigando.

  -é a íris da minha sala. Ela n?o me deixa em paz. Você ficaria mais em choque se eu te contasse o que ela fez comigo ontem. — Fala Protea.

  -Tá bom, mas se você tentar denunciar à polícia, eles n?o v?o aceitar. A íris é podre de rica. Os pais dela controlam a cidade inteira. — Fala Mélia.

  -é verdade... mas o que eu posso fazer agora? — Fala Protea, mastigando.

  -Sinceramente, cara? Nada. Até o momento. — Fala Mio.

  -Infelizmente... é o que parece. — Fala Protea.

  Mio, leva Protea até a sala.

  Mio e íris trocam olhares frios.

  Como se estivessem um na cabe?a do outro.Como se dividissem a mesma célula.

  -Tsc... droga. — Fala Mio.

Recommended Popular Novels