home

search

Demônio

  — Ei, pai, pai. — Ele fala apalpando o rosto do homem desesperadamente. —EI VELHO ME RESPONDE, me... Responde... Paaaaaaai. — Diz o garoto chorando abra?ando o corpo do homem.

  Que já n?o estava mais vivo...

  Capítulo 2- Dem?nio

  Protea chorou muito. Seu pai adotivo acabara de morrer em seus bra?os, e sua única família havia ido embora para sempre.

  Protea enxuga as lágrimas e enterra seu pai em uma cova rasa, pois n?o havia dinheiro para um caix?o.

  — Meu pai… minha única família… descanse em paz… — Ele murmura debaixo de uma chuva, as unhas pretas e sujas de terra, ele ultilizou as m?os para cavar a cova. N?o dava para discernir se o que caia de seu rosto eram pingos de chuva... Ou lágrimas.

  Após isso, ele volta para o beco onde os dois viviam. Lá, dorme e chora. Ao amanhecer, acorda indisposto para um novo dia. O sol brilhava como um carrasco sádico. Era hora de ir para a escola.

  — Eae, cabe?a de lixo! Que tipo de coisa podre você achou na sua lix- digo buffet especial, HAHAHAHAHAHAHA! — Dizia um garoto de cabelos ruivos e brincos dourados pequenos, ele tinha um porte atlético e um rosto atrativo.

  — Deixa ele Glocke, n?o fica trocando palavra com essa escória, olha isso, dá nojo, ele deveria ser expurgado da sociedade. — Fala uma garoto loira com unhas perfeitamente pintadas olhos verdes e uma express?o de nojo.

  — Eu curto bastante a existência desse lixo aí, é bom cutucar quem está em baixo, eu n?o me importo, quem nasceu em cima tem direito de rebaixar os fracos. — Fala Glocke, com um sorriso nojento no rosto.

  — Já chega Glocke e Marin, hoje eu n?o t? com vontade de reagir as suas provoca??es, eu t? cansado... — Diz Protea, com a postura encurvada e olheiras enormes.

  — é mesmo é, que legal — Fala Glocke com um sorriso que já parecia demonstrar prazer, ele fala isso perto de Protea. — Que atrocidade aconteceu com vo- Aaaaaah, se eu n?o me engano, saiu uma manchete que dizia que um mendigo foi brutalmente espancado no mercadinho variedades, será que...

  — Glocke... Para, por favor. — Protea diz completamente abatido.

  — é sério isso? Vocês s?o muito patéticos, nem sequer revidam. De você eu tenho é nojo, mas eu t? sem tempo agora, eu preciso satisfazer essa putinha aqui.

  — Que bom... — Protea diz aliviado.

  — Tá me chamando de putinha seu vira-lata de merda, olha a sua boca.

  Tap

  Ela da um tapa no rosto dele, e eles se despedem

  Na escola, Protea sofre bullying por ser morador de rua, e os professores n?o ligam o mínimo. Ele é estudioso e n?o desiste fácil de seus objetivos.

  Sentado sozinho em um banco, no intervalo, é surpreendido.

  — Oi, tudo bem?

  Protea se surpreende. Nunca haviam falado com ele daquela forma. Os outros sempre tiveram nojo de seu odor, mas aquela garota…

  — Oi, tudo. E você? —

  Ela tinha cabelos longos e ruivos, olhos castanho-claros, pele branca e era muito educada.

  — Tudo sim. Qual é o seu nome? — Diz a garota.

  — Meu nome… eu me chamo Protea. é um prazer. E o seu? — Protea responde.

  — Meu nome é íris. O prazer é todo meu. — íris responde com um sorriso que o alegra por dentro.

  Ela estava curiosa com a figura de Protea: sempre sozinho, sempre solitário, mas sempre educado. Estava feliz e intrigada ao mesmo tempo.

  Já Protea estava perplexo com tamanha educa??o e beleza vindas de alguém como ela.

  — Por que você fica t?o sozinho? N?o tem amigos?

  — é… eu acho que é isso. Eu n?o tenho amigos. Sou só um garoto perdido no mundo.

  Ele se lembra do pai e, com a sensa??o de que n?o tinha mais nada a perder, responde com clareza.

  -Ent?o… que tal eu e você virarmos melhores amigos? — Irís fala isso com uma naturalidade e inocência de uma crian?a.

  — Vamos! — Protea responde empolgado.

  Ao fim do período matutino, os dois voltam para casa juntos.

  — Por que você fede tanto? N?o gosta de tomar banho? — íris pergunta, intrigada.

  A case of literary theft: this tale is not rightfully on Amazon; if you see it, report the violation.

  — a verdade… eu n?o tenho como tomar banho. — Fala Protea.

  — Por quê? N?o tem água na sua casa?

  —Bem… eu n?o tenho casa.

  íris fica extremamente intrigada.

  — Ent?o você vive onde?!

  — Eu sou morador de rua. N?o tenho chuveiro, nem água. é isso. — Diz Protea que se sente como um peixe fora d’água

  — Ent?o você pode morar lá em casa.

  -Desculpe… eu n?o entendi? — Protea pergunta com uma express?o de espanto, ele nunca esperaria ouvir isso.

  — Isso mesmo, mora lá em casa. Meus pais têm vários quartos. Nossa casa é grande, tem espa?o para mais um.

  — eus pais fariam isso mesmo? Olha… eu n?o recuso, mas fico com o pé atrás. E se eles n?o gostarem de mi— — Fala Protea.

  — Relaxa… eu gostei de você. Só isso. — Diz íris.

  Protea sente as bochechas corarem e segue íris.

  O sol do meio-dia iluminava como um presságio misterioso. Parecia uma luz feita para ela brilhar. Ele nunca havia visto alguém com tamanha beleza.

  Os dois entram na mans?o. Era grande, imensa, como um castelo. íris vinha de uma família financeiramente poderosa.

  — Pai! M?e!

  — Filha, quem é esse garoto? — Diz o pai.

  — Pai, podemos ficar com ele? Ele n?o tem casa, nem sequer toma banho. Nós temos tudo aqui.

  — Por que n?o disse antes, minha filha? Venha, entre, garoto. Qual é o seu nome? Me chamo Lance, é um prazer lhe conhecer, pequeno cordeirinho. — Diz Lance, com um sorriso...

  Protea fica abismado. Uma família rica o estava acolhendo. Ele já via íris como uma esperan?a, talvez até como algo além...

  — Quem é esse garoto? — Diz a m?e.

  — é um amigo da íris. Ele n?o tem onde morar. Decidi ficar com ele. O que acha? — Diz Lance.

  — Por que n?o avisou antes? Meu nome é Lúcia. Venha comigo, vamos levá-lo para lá. — Diz Lúcia.

  — Já estava fazendo isso — Diz Lance.

  Protea sente felicidade misturada com ansiedade. Pela primeira vez em muito tempo, teria banho, comida, tratamento digno.

  — Aqui, meu bem. Fique aqui. — Diz Lúcia.

  Protea olha para frente... Vê um garoto batendo na porta de ferro de longe ele escuta:

  — "Por favor... Me mata..."

  — Estou orgulhoso, íris. Você é realmente boa em trazer escravos para nós. Acho que merece um aumento na mesada. — Diz o juiz do inferno, com seu sorriso macabro.

  — Verdade, minha querida. Você está de parabéns! Esse é o quarto só este mês! — Diz Lúcia, com um rosto t?o mecanco quanto de um rob?.

  — Com licen?a… mas o que vocês querem dizer com escrav- — Pergunta Protea, congelado, com a voz quase inaudível.

  A imagem fala por si só: pessoas em celas, outras presas em correntes, algumas mortas, outras se debatendo nas grades.

  O celeiro era...

  A paisagem do inferno.

  — Você vai me divertir bastante, Protea. Eu espero muito de você.

  Protea escuta íris com um aperto amargo na garganta, e uma dor profunda no peito, como se estivesse sido apunhalado pelas costas.

  Lance o empurra para dentro de uma cela e o tranca.

  Protea, em choque, n?o reage. Foi ferido. Foi abandonado novamente. Perdeu uma família que nunca foi dele.

  Deita a cabe?a no ch?o frio e duro, mais que o beco onde morava, e, numa tentativa desesperada de fuga, adormece.

  Ele se vê num mar escuro. Consegue flutuar. A água é gelada, o céu monótono como suas emo??es. Mergulha e vê uma luz no fundo. Quando se aproxima, ela se apaga. Uma baleia azul o engole na imensid?o do escuro. Ele fica acuado, sozinho, até acordar.

  -Tea…

  -Tea…

  -Protea…

  Ele desperta assustado. íris, com uma coleira, prende seu pesco?o e o leva acorrentado como um cachorro para passear no jardim privado da família. O lugar era enorme, claustrofóbico e megalofóbico ao mesmo tempo. Plantas próximas formavam um labirinto imenso.

  — Sabe… eu n?o menti quando disse que gosto de você. Você é um ótimo pet. N?o grita, nem resmunga. — Diz íris.

  Ela lhe dá comida. Um peda?o de frango. Ele come como um c?o faminto.

  Mesmo assim, ainda a achava linda. Ainda estava emocionalmente preso a ela.

  "Eu te amo..."

  "N?o seja uma pessoa ruim."

  "Punam a mim"

  "Você é meu tesouro"

  "Protea..."

  As últimas palavras do pai ecoam.

  Protea morde o dedo de íris, seu rosto demonstrava um ódio imenso, suas pupilas estavam brancas, e sua boca espumava.

  Ele morde o dedo de íris t?o forte que quase o arranca.

  — AI, SEU CACHORRO DE RUA REPUGNANTE! SOLTA MEU DEDO! — Grita íris.

  Ele se solta da coleira e a empurra. Corre para dentro do jardim.

  — Ent?o é assim que quer brincar? Hahahaha! Tudo bem! — Diz íris.

  O som de uma motosserra ecoa.

  — Vamos brincar de pique-esconde! Hahahahahaha! — Grita íris.

  Protea entra em desespero e corre pelo jardim gigante, de longe ele ouvia som de latidos de cachorro, cachorros de três cabe?as.

  — Você n?o pode se esconder para sempre, cachorrinho! — Grita íris.

  O som da motosserra aumenta. Ele se esconde entre arbustos.

  — Cachorrinho… cadê você? — Diz íris.

  Ele fica em silêncio, segurando o grito.

  — ACHEI VOCê! — Grita íris, cortando o arbusto que escondia Protea.

  Protea corre desesperado. Vê uma cerca que separa o jardim da mans?o. Pula, ultilizando tudo que sua adrenalina proporcionou.

  -VOLTA AQUI!

  -PRA ONDE ACHA QUE ESTá INDO?!

  -PAPAAAAAAAAAAI! — Grita íris, balan?ando a motoserra de um lado para o outro cortando tudo ao seu redor.

  eU pREcISo...

  eU PrESI?O dAqUIlO PaPAI, mE ajUdA.

  — N?o se preocupe íris, fique...

  Bem parada

  Protea corre sob um céu carmesim, como um p?r do sol sangrento.

  Consegue fugir e volta ao beco.

  Cai de joelhos.

  -Meu Deus… por que permites tamanha puni??o? Eu já n?o sofro o bastante? Por que me maltratas tanto?

  Cobre-se com um jornal e dorme.

  Sonha com um limbo em preto, branco e cinza. Olha para o peito: há um buraco. Suas pernas est?o acorrentadas. Caminha pelo vazio até ver uma m?o atravessando o buraco.

  — Quer um cora??o? Posso te dar. — Diz uma voz desconhecida.

  Ele se vira.

  é íris, com uma máscara que se quebra aos poucos. Quanto mais se aproxima, mais a máscara despeda?a. Seu rosto n?o é humano.

  Um dem?nio.

  A máscara revela uma face horrenda. Ela atravessa o bra?o pelo buraco em seu peito e se funde a ele, derretendo em um processo grotesco.O vazio come?a a derreter também. Tons de preto, branco e cinza se dissolvem. Uma porta surge ao longe.

  Protea caminha até ela e abre.

  Acorda assustado. Uma chuva violenta molha o jornal que o cobria. Ele corre pela chuva até encontrar uma casa abandonada, visivelmente desgastada.

  Entra sem pensar.

  Dorme no ch?o.

  Seis horas se passam.

  — Ei…

  — Ei…

  Uma voz abafada.

  — EI! MOLEQUE, ACORDA! — Diz a garota.

  — Hum! — Fala Protea, despertando de repente.

  — O que você acha que está fazendo aqui? Aqui é nossa casa!

Recommended Popular Novels