O corredor lateral da arena levava a um beco estreito, iluminado só por uma lampada azul que piscava como se estivesse morrendo. O ch?o tinha po?as de óleo e cheiro de lixo queimado. A névoa de Ribeiro tremia no ar, reagindo ao lugar, tudo ali parecia úmido, apertado, hostil.
Ele mal tinha dado cinco passos quando ouviu vozes atrás.
Três homens surgiram do fundo do beco, sombras longas projetadas pela luz instável. Roupas baratas, cheiro de álcool, olhar de quem apostou mais do que podia pagar.
— "Aí, "campe?ozinho…" "
disse o da frente, cuspindo no ch?o.
— "Por tua culpa, a gente perdeu uma bolada."
Os outros riram, nervosos.
— "E alguém vai ter que pagar… né?"
Ribeiro respirou fundo. O corpo inteiro ainda gritava da luta, ossos vibrando, músculos lembrando cada descarga do Byton. Ele só queria um banho. Talvez dormir por três dias.
Mas n?o. Claro que n?o.
A névoa subiu devagar, como se perguntasse: “Sério isso?”
O cara da frente aproximou-se, abrindo os bra?os como se quisesse parecer maior do que era.
— "Vai pagar com juros"
disse ele, o hálito cheirando a álcool barato.
— "Ou a gente te quebra todinho."
Ribeiro inclinou a cabe?a.
— Vocês…
ele falou baixo
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— realmente acham que conseguem?
O segundo homem puxou algo do bolso. Uma faca elétrica ferrada, com a lamina piscando de forma irregular.
— "N?o precisa conseguir,"
disse ele.
— "Só precisa do suficiente pra te deixar no ch?o."
Ribeiro piscou devagar, cansado.
A névoa se condensou atrás dele como se espregui?asse.
— última chance…
disse Ribeiro.
O terceiro riu, alto demais.
— "CALA A BOCA, PORRA! Tu é só um moleque que sabe sumir e aparecer! Sem essa magia aí tu é NADA!"
A lampada azul piscou mais forte.
A névoa cessou de tremer.
E ent?o… quietude.
Um aviso silencioso.
Os três homens avan?aram juntos, confiantes, achando que superavam Ribeiro pela vantagem numérica.
Errado.
Ribeiro deu um passo.
Só isso.
Um.
E atravessou o bra?o do primeiro com um soco curto, seco, brutal, o impacto fez o cotovelo dele virar pro lado errado. O cara nem gritou: simplesmente caiu com o ar arrancado do peito.
O segundo tentou cortar Ribeiro com a faca elétrica.
A lamina nem chegou perto.
Ribeiro desviou num movimento mínimo, como se tivesse movido a cabe?a por tédio, e socou de baixo pra cima, atravessando o bloqueio do cara, quebrando o antebra?o dele contra o próprio peito. O homem voou para trás e bateu no muro, apagado.
O terceiro parou.
O sorriso morreu.
— "Q-que… que porra…?"
Ribeiro se aproximou.
O homem trope?ou, escorregou numa po?a de óleo, caiu sentado.
— "N?o… chega… chega, por favor…"
Ribeiro se agachou diante dele.
A névoa às suas costas pulsava, reagindo ao batimento acelerado, viva, inquieta, faminta.
Ele inclinou a cabe?a.
O sorriso apareceu sem ele perceber: largo demais, torto demais, o tipo de sorriso que só nasce quando o corpo ainda está elétrico de luta e o cérebro n?o voltou a funcionar direito.
— Eu avisei ü
E encostou dois dedos na testa do homem.
Só um toque.
Um impulso mínimo de mana de sua névoa atravessou o corpo dele, o suficiente para tirar as for?as das pernas, drenar o f?lego e deixá-lo desmaiando de medo antes de cair.
Silêncio.
O beco voltou a ser só um beco.
Ribeiro suspirou, levantou-se com dificuldade e ajeitou o ombro dolorido.
— …eu só queria um banho...
A névoa riu.
E ele seguiu seu caminho para a saída lateral da arena.

