O port?o rangeu como metal respirando.
Ribeiro saiu, e o Coliseu explodiu num rugido que parecia querer empurrá-lo de volta.
Mas o que prendeu seu olhar foi o inimigo.
Um byton que n?o tinha postura de guerreiro.
Ele ficava parado…
quieto demais…
como se apenas fingisse ser um corpo.
Seu tórax era um vidro escuro pulsando de dentro para fora, cheio de veios azul-neons que serpenteavam como nervos tentando fugir. Partes metálicas estavam fundidas ao corpo, mas n?o integradas; tremiam como se quisessem se desprender, rejeitando seu hospedeiro.
Os olhos eram vórtices elétricos, e n?o piscavam.
O anunciador gritou:
— “Marcado novato: Ribeiro! Contra Cael-Null, variante Byton–Symb!”
A multid?o urrou.
O Byton virou a cabe?a devagar demais para ser humano.
Estalos ecoaram pelo corpo dele, como gelo rachando.
— “Estabilidade… 63%...”
murmurou.
— “Estrutura óssea do oponente… frágil. Frequência de mana… impura.”
Era quase um diagnóstico clínico.
Até rir, um som falhado, elétrico.
— “Seus progenitores se desintegrariam de vergonha por ter gerado isso que você chama de corpo.”
A mandíbula de Ribeiro travou.
O Inseto sussurrou dentro do fundo da alma dele:
— “Ribeiro-chan… olha isso… ele tá te chamando de senpai… tá querendo te dar, com certeza… vai deixar? Vai… deixar? :3”
O Byton abriu o peito, n?o como placa mecanica, mas como tecido elétrico se afastando, revelando um núcleo espiralando energia negativa viva.
O Coliseu silenciou por meio segundo, como se a própria multid?o tivesse esquecido como respirar.
Aquilo foi o suficiente.
Ribeiro teleportou.
O ar torceu; a poeira subiu como sendo sugada.
Em um estalo, ele estava atrás do Byton.
A névoa condensou-se no bra?o dele, os ossos rangendo dentro da nuvem.
A lan?a nasceu.
Ele perfurou o tórax do Byton, o som foi um crack de vidro quente quebrando.
Rachaduras azuis correram pelo corpo inteiro do inimigo.
A descarga veio brutal.
O choque pegou Ribeiro pelos ossos, arranhando nervo por nervo.
Ele arrancou-se com um teleporte descontrolado, aparecendo metros longe, joelhos quase cedendo.
O Byton virou-se… trêmulo… mas vivo.
As placas metálicas ao redor do bra?o se mexeram, abrindo como pétalas tortas.
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O bra?o se esticou, energia condensando-se numa lamina instável, tremendo como um raio tentando escapar.
Ele atacou.
Ribeiro teleportou para o lado, quase em reflexo, e a lamina cortou o ch?o, abrindo vidro e poeira como manteiga.
O Byton olhou para o corte.
— “Retorno insuficiente… recalibrar… Ha... Ha... ficaras correndo até quando?”
Ele avan?ou com velocidade errática, quebrada, ora rápido como flash, ora lento como boneco pendurado.
Ribeiro desviou, teleportando em curto, o corpo chiando com cada microdescarga que o Byton deixava para trás.
O inimigo desceu o corte.
Ribeiro ergueu a lan?a para aparar.
O choque subiu pelo bra?o dele, seco, violento.
O osso estalou.
A lan?a rachou no mesmo instante.
Ele teleportou antes que o bra?o cedesse.
O Byton gritou. A voz quebrou como metal se partindo, três vozes ao mesmo tempo, discordando, como se nem elas soubessem qual era a certa.
— “P A R A …”
O peito dele brilhou intensamente.
— “… S E U …”
Veios de luz negativa subiram pelo pesco?o.
— “… P O R R A …”
E ent?o:
— “AAAAaaAaaaAAAAAAA—!!”
A energia explodiu do corpo dele como um raio em todas as dire??es.
Ribeiro tentou teleportar, conseguiu, mas tarde demais para escapar do impacto completo.
A onda pegou as costas dele, jogando-o ao ch?o com for?a suficiente para arrancar o ar dos pulm?es.
Ele rolou, atordoado, névoa tremendo, ossos gritando.
Da arquibancada, o caos come?ou:
— “Aí ó! ARREGOU! EXPLODIU DE MEDO!”
— “KAKAKAKAK, EU FALEI, CLEITINHO! ME PAGA, PORRA! EU GANHEI APOSTA!”
— “MAS Já? O CARA Tá TODA HORA LAGANDO, COMO é QUE APOSTA NISSO?”
— “MEU DEUS DO CéU, EU VI A ALMA DELE SAINDO PELO NARIZ.”
Um terceiro gritou:
— “REBOBO ENTREGOU TUDO! MANDA OUTRO!”
O Coliseu estava em histeria.
Ribeiro, por outro lado, só sentia a névoa dentro dele fervendo, tentando expulsar a eletricidade presa.
Os ossos gritavam.
O Byton avan?ou, agora totalmente instável, partes metálicas vibrando como se fossem cair.
Ele bateu no ch?o onde Ribeiro estava um segundo antes.
O impacto abriu uma cratera de luz escura.
Ribeiro teleportou acima dele e caiu com a lan?a, mas Cael-Null virou o pesco?o num angulo anormal e ergueu o bra?o lamina.
Parou a lan?a no meio do ataque.
O choque percorreu as duas armas, eletricidade chiando entre eles como dentes rangendo.
O Byton sussurrou:
— “Você… vai se desintegrar.”
Ribeiro sumiu.
Reapareceu atrás.
A lan?a atravessou o ombro do Byton, rachaduras correram pelo lado direito dele, grandes o bastante para ver o núcleo pulsar freneticamente dentro.
O inimigo tentou regenerar.
A energia se aproximou das fissuras…
E fugiu.
Literalmente fugiu, como se n?o quisesse tocar o mana de névoa.
— “I N C O M P A T í V E L—!!!”
A voz dele explodiu, distorcida.
Ele agarrou Ribeiro pela cintura com o bra?o livre, for?a absurda, e o jogou contra o ch?o.
Ribeiro teleportou no impacto.
Apareceu deslizando pelo ch?o, tossindo, névoa saindo pela boca como vapor.
O Byton correu atrás, agora um borr?o de luz negativa, instável, as placas metálicas batendo como asas quebradas.
Ribeiro ergueu a m?o, a névoa se condensou numa lan?a curta, e arremessou com tudo.
A lan?a atravessou o núcleo parcialmente exposto.
O Byton congelou.
Um som de vidro derretendo encheu o Coliseu.
Rachaduras enormes se abriram pelo tórax dele, chegando até o pesco?o e quadril.
A espiral de energia dentro dele come?ou a falhar, piscando rápido demais.
Ele caiu de joelhos.
Partes metálicas come?aram a cair, como cascos mortos deixando o corpo.
Ainda assim, ele tentou levantar…
mas o bra?o derreteu em energia instável antes mesmo de completar o movimento.
Ele olhou para Ribeiro.
A voz saiu baixa, arranhada:
— “…n?o deveria… estar perdendo…”
Ribeiro caminhou devagar, respirando fundo, tentando ignorar o tremor e a dor dos ossos.
A lan?a se formou outra vez.
Pequena. Afiada. Silenciosa.
— N?o fala dos meus pais.
disse ele, simples.
O Byton abriu a boca para responder, mas a lan?a entrou no núcleo.
O som foi seco.
Sem eco.
A espiral morreu.
Cael-Null se desfez num borr?o de energia negativa, evaporando no ar enquanto as placas tecnológicas batiam no ch?o como cinzas de metal.
Silêncio absoluto.
Segundos depois, o juiz ergueu a m?o:
— “VITóRIA DO MARCADO!”
A arena explodiu.
Mas Ribeiro só respirava fundo, cada respira??o ardendo nos ossos, a névoa tremendo no ar.
Ele venceu.
E se sentia… exatamente igual.
Talvez pior.
Mas... Surdo pelos aplausos.

