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# Capítulo 25: O Eco do Passado

  # Capítulo 25: O Eco do Passado

  Zack era um borr?o de fúria e desespero, seus músculos tensos impulsionando-o pelos telhados escorregadios das casas. Cada salto era um grito silencioso, cada aterrissagem um baque surdo que ecoava em sua mente. A cidade, antes um labirinto familiar, agora parecia um monstro adormecido, prestes a despertar. A lua de sangue, grande e amea?adora, pairava no céu, seu brilho carmesim pintando o mundo com tons de presságio. Skull. O nome, sussurrado apenas em lendas proibidas, agora era uma realidade aterrorizante. O homem mais procurado e temido do mundo, o lendário Ca?ador, sentia o frio gélido do medo percorrer sua espinha, um terror primordial que ele raramente permitia aflorar.

  "Eu sou muito dependente dela... Meu Deus, o que fa?o?" A pergunta ecoava em sua mente, um lamento silencioso. A Black Moon, sua companheira de mil batalhas, sua extens?o, sua seguran?a, n?o estava com ele. A decis?o de abandoná-la, tomada em um momento de convic??o, agora parecia uma loucura. Ele havia subestimado a profundidade da escurid?o que se agitava sob a superfície da Cidade Vermelha. Havia sido enganado, manipulado, e o objetivo final era a invoca??o de Skull. A ideia o fez cambalear, quase perdendo o equilíbrio em um telhado íngreme. A batalha que ele acabara de travar com os anci?os era apenas uma distra??o, uma farsa cruel para mantê-lo ocupado enquanto o verdadeiro horror se desenrolava.

  Mas Zack n?o era um iniciante. A experiência, forjada em incontáveis campos de batalha e confrontos com o inimaginável, sussurrava em sua mente. O desespero era um luxo que ele n?o podia se dar. A cidade estava sob ataque, a amea?a de Skull era iminente, e ele sabia que a batalha que o aguardava seria a mais intensa de sua vida. Ele precisava de foco, de calma, de clareza. Com um movimento fluido, ele aterrissou na sacada de uma casa abandonada. O vento frio chicoteava seu rosto, mas ele ignorou. Sentou-se, cruzou as pernas em uma posi??o de lótus, e fechou os olhos. A respira??o profunda e controlada, um mantra silencioso para acalmar a tempestade que se agitava dentro dele. Ele precisava se reconectar, se reorientar. E, como sempre, sua mente o levou de volta ao passado, a um tempo antes da escurid?o, antes das cicatrizes, antes de se tornar o Ca?ador.

  ---

  A escurid?o da medita??o cedeu lugar a uma luz suave e acolhedora. Zack se viu em uma cozinha ampla, toda feita de madeira clara, com um brilho polido que refletia a luz que entrava pelas janelas. Era um lugar de elegancia e calor, adornado com quadros que retratavam uma mulher loira de olhos azuis e um homem loiro de barba grande, ambos com a beleza etérea de anjos. No centro, entre eles, uma garota de cabelos longos que batiam nos joelhos, olhos azuis como cristais mergulhados no mar, a mais bela de todas. Sofia.

  Zack, um adolescente sem as cicatrizes que marcariam seu futuro, sorria. A esperan?a brilhava em seus olhos, e a inocência moldava seus tra?os. Ele estava sentado à mesa de madeira escura, brincando com um pequeno carrinho de madeira, imitando o som de um motor com a boca. "BAAAAAAAAH!" Um barulho alto e repentino ecoou pela cozinha. Zack, assustado, pulou, batendo o joelho na mesa com um grito de dor. "Aaaah!"

  Ele ergueu os olhos, e lá estava ela, a garota do quadro, Sofia, rindo, os dentes imperfeitos, mas lindos, expostos em um sorriso que ele achava encantador. "Droga, Sofia, isso n?o tem gra?a!" ele resmungou, massageando o joelho. "Agora meu joelho está doendo..." A risada dela era um solu?o, engra?ada e feia ao mesmo tempo, mas contagiante, fazendo Zack rir junto, apesar da dor. "Para... você me machucou, olha isso, está doendo, n?o fala comigo," ele fez birra, tentando manter uma pose de ofendido.

  Sofia se aproximou, agachando-se lentamente e colocando a m?o em seu joelho. "Passou... passou... enquanto..." ela come?ou, com uma voz doce. "Eu n?o sou crian?a!" Zack retrucou, mantendo a postura, mas um calor agradável se espalhava por seu corpo. Ele gostava daquele toque, daquela aten??o. Sofia o olhou com um brilho travesso nos olhos. "Você é um tarado, Zack, está gostando? Aproveitando de uma menina indefesa como eu!" ela disse em tom de deboche.

  Zack se afastou, o rosto corado. "Sua vagabund..." Ele parou, a palavra presa na garganta. "Você tem sorte, Sofia, que estou na sua casa e n?o podemos falar palavr?es aqui, é errado." Sofia soltou uma risada ir?nica. "Tadinho, o pirralho é educadinho..." "Hey!" Zack respondeu, batendo o rosto com o dela, ambos próximos, com um ódio brincalh?o e os dentes à mostra.

  Passos se aproximaram, e em segundos, a postura deles mudou. Comportados, eles fingiram brincar com o carrinho e a boneca, como se estivessem se dando bem. A m?e de Sofia, a mulher loira do quadro, entrou na cozinha, um sorriso gentil em seus lábios. "Que fofo! Por isso que vocês se d?o bem, vou pedir para ficar mais tempo aqui na próxima vez, Zack." Zack sentiu o rosto queimar de vergonha. A m?e de Sofia se virou para ele, seus olhos azuis fixos nos dele. "Zack, qual é o seu sonho? Você está ficando grande, e a Sofia também, o que pensa em fazer?" Sofia riu. "M?e, ele n?o sabe nem o que comeu hoje."

  Zack respirou fundo, ignorando a provoca??o de Sofia. Ele olhou para a garota, para a inocência em seus olhos, e a resposta veio do fundo de sua alma. "Quero dar a ela a liberdade de escolher e de ser livre para dizer n?o. Vou proteger a Sofia e casar com ela." A frase foi uma bomba, impactante o suficiente para fazer Sofia corar, todo o seu deboche desaparecendo. A m?e de Sofia riu de alegria, um riso genuíno que, por um breve instante, foi seguido por um olhar triste quase imperceptível. Sofia apontou o dedo para Zack. "Tu é pobre! N?o tem dinheiro! Fraco! Acha que pode casar comigo!" Zack a olhou com um olhar simples. "Sim!"

  A m?e de Sofia riu novamente, mas dessa vez, sem tristeza. Ela se agachou, olhando nos olhos de Zack. "Eu confio ela a você, Zack," ela disse, um sorriso no rosto, deixando Zack e Sofia surpresos. A m?e de Sofia saiu da cozinha, subindo as escadas. Zack, sem jeito, co?ou a cabe?a. A situa??o era esquisita, mas ele gostou. Sofia o cutucou, com a cara brava. Zack pensou: "Droga." "Você promete? Vai mesmo casar comigo?" Sofia perguntou, séria, sem sorriso, enquanto levantava o dedo mindinho. Zack, que esperava ser xingado, se aproximou e entrela?ou seu dedo mindinho com o dela. "Eu prometo! Vou te dar o poder de dizer n?o!" ele disse, olhando fixamente nos olhos dela. Ela sorriu, um sorriso lindo, perfeito, e dessa vez, um sorriso de pura felicidade. "Eu posso falar sim..." Sofia respondeu, e ambos riram, a risada preenchendo a cozinha. Lá em cima, escondida atrás de uma parede, a m?e de Sofia ria baixinho, com os olhos cheios de água. "Boa, Zack, bom garoto," ela sussurrou.

  ---

  A luz suave da memória se desfez, estilha?ada por um som seco e brutal. A cena cortou para alguns dias no futuro, mas parecia um abismo de anos-lluz de distancia daquela cozinha feliz. Era noite. A janela da cozinha, antes um portal para a luz, agora estava aberta para a escurid?o, e a luz branca da lua, fria e indiferente, banhava o ambiente. O vento soprava forte, uivando como um lamento, e uma neblina densa cobria tudo, exceto a lua minguante, que brilhava amarela, como um sorriso macabro no céu. Da casa de Sofia, n?o vinham risadas, mas barulhos. Barulhos de violência. "Taaap!!" "TAAAAAP!!" "TAAAAAAAAP!" "BUUUUUM!" "BUUUUUUM!" "CLAAAACK!" Sons de carne contra carne, de ossos contra madeira, de vidro quebrando.

  Dentro da casa, o homem loiro do quadro, o pai de Sofia, n?o era mais o anjo da memória. Ele era um dem?nio, seus punhos caindo repetidamente sobre o rosto da m?e de Sofia, sua esposa. "Sua puta!! Vadia de merda!" Ele rosnava, cada palavra um golpe. "Você fez eu passar vergonha na reuni?o, que merda de roupa era aquela?" Ele passava a m?o no rosto dela, um gesto de deboche cruel. "Aaaah?" Ela n?o conseguia falar, estava machucada demais, o rosto desfigurado, a boca inchada. "Eu te disse que era para ter transado com o General... mas você n?o transou, sua vadia imunda!!" Ela n?o tinha rea??o, seu corpo n?o respondia, apenas seus olhos, de onde lágrimas de medo e pavor escorriam. O marido sentia prazer em humilhá-la e agredi-la, algo que já era rotineiro, um espetáculo de crueldade que se repetia incessantemente.

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  Lá fora, na rua, a neblina era t?o densa que mal se via um palmo à frente. Mas da névoa, duas figuras emergiram, correndo desesperadamente em dire??o à casa. Sofia, com um olho roxo, o nariz sangrando e o ombro delicado fora do lugar, segurava a m?o de Zack. Ela havia sido maltratada pelo pai ao tentar proteger a m?e. "Ele está lá batendo... só pega a m?e e tira ela daqui igual da última vez..." Sofia ofegava, a voz embargada pelo choro e pela dor. Zack olhou para os ferimentos dela, para a inocência manchada pela violência, e um nó se formou em sua garganta. Ele beijou o rosto dela, um gesto de consolo que parecia inútil diante de tanta dor. "Passou... passou..." ele sussurrou, as palavras soando vazias. "Espera no balan?o embaixo da árvore e n?o entra, entendeu?" Sofia, ansiosa, tentou argumentar. "Mas e voc..." Antes que ela pudesse terminar, Zack a interrompeu, sua voz firme e intimidadora, um tom que ela nunca havia ouvido. "Fa?a o que falei, entendeu?!" Sofia estremeceu, assustada, e correu para o balan?o, a imagem da m?e em perigo gravada em sua mente.

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  Dentro da casa, o horror continuava. O pai de Sofia, um sorriso sádico nos lábios, saboreava cada detalhe da humilha??o de sua esposa. "Eu n?o vou te matar, sua puta, pois preciso que você transa com o General, você só vai sobreviver por causa desse corpo delicioso." A m?e de Sofia, Isabella, jazia no ch?o, seus olhos vazios, a luz da esperan?a se esvaindo. Seu choro havia cessado, substituído por um silêncio de resigna??o. Mas ent?o, um som. "CLAAAAAACK!! BAAAAAAP!!" A porta do quarto se abriu com violência, e Zack apareceu, uma sombra furiosa. Isabella, em um último lampejo de instinto materno, tentou segurar o marido, com medo de que ele matasse Zack, ou o espancasse como a ela.

  O pai de Sofia, sem se abalar, olhou para Zack com um sorriso cruel. "Ora ora ora, um rato de volta à toca..." Ele riu, um som seco e sem humor. "Garoto, você só está vivo, porque Isabella fez um acordo comigo... Sofia realmente fica feliz por estar perto dela, ent?o... Isabella fez um pedido, ela transava com quem eu queria em troca de você ficar aqui com a Sofia." As palavras caíram como pedras sobre Zack, uma crian?a que, até ent?o, só conhecia a inocência. Mas naquele instante, algo se quebrou dentro dele. Seu olhar mudou, transformando-se. N?o era mais o olhar de um garoto, mas o de um c?o raivoso, um dem?nio, um assassino. A crueldade da revela??o era um veneno que se espalhava por suas veias.

  O pai de Sofia continuou, alheio à transforma??o que havia provocado. "Eu estou pensando, vou usar a Sofia no futuro..." Isabella gritou, um lamento de raiva e desespero, suas lágrimas caindo como chuva. Sua filha n?o podia passar por aquilo. "N?o me olha assim, Zack, fica tranquilo, você será o primeiro a usar a Sofia, eu sou generoso, viu?" A frase repulsiva, dita pelo próprio pai, fez o est?mago de Zack revirar. Ele olhou para Isabella, que sussurrou, sua voz quase falhando: "Por favor, Zack... me salva..."

  O pai de Sofia tentou calá-la, mas antes que pudesse, um chute de Zack o atingiu no peito com uma for?a brutal, jogando-o contra a parede. Ele bateu com um baque surdo, cuspindo sangue. "Que merda é essa!" ele gritou, mas Zack já estava em sua frente, rápido demais, um borr?o de fúria. Ele agarrou a garganta do homem, apertando com tanta for?a que as veias da cabe?a ficaram visíveis, pulsando. O homem, desesperado, sacou um canivete e come?ou a esfaquear Zack na barriga, várias vezes. O sangue jorrou, manchando o ch?o, e Isabella gritou, um som de puro pavor. "N?OOOOOOOOO!" ela berrou.

  O pai de Sofia come?ou a sorrir, acreditando ter vencido, mas logo percebeu que Zack n?o havia soltado seu pesco?o. Seus olhos se arregalaram de horror ao olhar para baixo. Os olhos de Zack n?o eram os de uma crian?a, mas os de um predador, frios, vazios, cheios de uma escurid?o ancestral. "O que é você!!" ele gritou, debatendo os pés no ch?o, perdendo o ar. Isabella percebeu que Zack n?o estava mais sangrando. Uma energia escura e assustadora emanava dele, curando suas feridas. "Você vai sofrer, eu vou abusar de você... sim... EU SEI O QUE TU TEM MEDO, VOCê TEM MEDO DE SER IGUAL àS SUAS PRESAS." A voz de Zack n?o era a de uma crian?a, mas a de alguém com experiência em tortura, um sussurro gélido que prometia um inferno pessoal. O homem implorou por perd?o, ofereceu dinheiro, mas Zack apenas riu, uma risada t?o forte que ecoava no quarto, cheia de escurid?o, tornando o desespero do homem ainda maior. Zack olhou para um cabo de madeira na cortina e, em seguida, deu um sorriso para o pai de Sofia. Era fácil de entender, e ele entendeu. Zack o jogou, quebrando a parede e arremessando-o para o quarto ao lado. Em seguida, Zack pegou o cabo de madeira.

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  Zack se aproximou de Isabella, que estava caída no ch?o, machucada e vulnerável, seus olhos fixos nele com uma mistura de medo e esperan?a. "SOFIA ESTá NO BALAN?O, VAI ATé ELA, EU RESOLVO AQUI." Sua voz era calma, mas carregada de uma autoridade que Isabella nunca havia ouvido. Ela estava assustada com Zack, ele era alguém que ela n?o conhecia, seu corpo tremia de medo. Mas Zack segurou sua m?o com delicadeza, e uma energia escura e morna a envolveu, curando-a totalmente. As feridas desapareceram, a dor se esvaiu, e Isabella se viu perfeita novamente. Ela n?o questionou, ela aceitou, pois Zack estava salvando-a e Sofia. Em um gesto de gratid?o e alívio, Isabella abra?ou Zack e beijou sua testa. "Boa garoto," ela sussurrou, as lágrimas escorrendo por seu rosto.

  Isabella correu para fora, em dire??o a Sofia. Lá fora, sob a lua minguante que agora parecia menos macabra, m?e e filha se abra?aram. Sofia, com seus ferimentos curados pela energia de Zack, olhou para a m?e com alívio. Juntas, elas empurravam o balan?o da árvore, um som suave e rítmico que contrastava brutalmente com os gritos que vinham de dentro da casa. Gritos altos de desespero, perd?o, súplica, clemência. O pai de Sofia pedia que Deus o salvasse, mas lá dentro, n?o havia Deus, apenas um dem?nio. O som de golpes secos, estalos de ossos e o choro de um homem quebrado ecoavam na noite, um testemunho da fúria implacável de Zack.

  A cena finaliza com a imagem da inocência perdida de Zack, e o nascimento de sua escurid?o, que o transformou no "Ca?ador" que ele é hoje. O eco dos gritos do pai de Sofia, a imagem de m?e e filha no balan?o, e a consciência da transforma??o de Zack, deixam o leitor com uma sensa??o perturbadora de horror e uma compreens?o mais profunda da brutalidade que moldou o protagonista. O passado de Zack é revelado como a raiz de sua brutalidade e de seu medo de se tornar como suas presas, um tema que ressoa com sua dependência da Black Moon e sua luta para manter o controle. A medita??o de Zack termina, e ele abre os olhos, n?o mais os de um adolescente inocente, mas os olhos frios e calculistas do Ca?ador, pronto para enfrentar a amea?a de Skull, mas agora com um peso ainda maior em sua alma.

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