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# Capítulo 18: O Preço da Proteção

  # Capítulo 18: O Pre?o da Prote??o

  O silêncio entre Orpheus e K era denso como a névoa que ocasionalmente pairava sobre o Continente Vermelho. Caminhavam lado a lado, mas separados por um abismo invisível que se formara desde o momento em que Orpheus pronunciara aquelas palavras fatídicas: "Ele é conhecido como O Ca?ador dos Olhos Negros."

  K ainda tremia sutilmente, embora tentasse disfar?ar. Seus olhos vermelhos como rubis moviam-se constantemente, vasculhando as sombras entre as árvores gigantescas, n?o apenas pelo perigo que poderiam esconder, mas como se esperasse que Zack surgisse a qualquer momento para silenciá-la permanentemente. Afinal, ela agora sabia demais.

  Orpheus notou seu desconforto, mas interpretou erroneamente como exaust?o após a batalha com a criatura.

  "Você está bem?" perguntou ele, sua voz jovem carregando uma preocupa??o genuína que fez K sentir-se ainda pior.

  "Seu mestre..." come?ou ela, hesitante, escolhendo cuidadosamente cada palavra. "Você realmente n?o sabe quem ele é, n?o é?"

  Orpheus franziu o cenho, confuso. "é claro que sei. Ele é meu mestre, o homem que me salvou, que me treinou."

  K balan?ou a cabe?a lentamente. O garoto n?o entendia. Como poderia? Ele n?o tinha conhecimento sobre o mundo além do que Zack escolhera compartilhar com ele. N?o sabia sobre o Vazio, n?o compreendia verdadeiramente o que era o Continente Vermelho, n?o conhecia a hierarquia dos Ca?adores ou o significado de ter olhos negros.

  "Orpheus," disse ela, parando de andar e segurando o bra?o do garoto para que ele também parasse. "Seu mestre é o homem mais procurado do mundo. Um fugitivo do País Poliedro. Sua cabe?a vale um bilh?o de moedas de ouro."

  Ela esperava choque, confus?o, talvez até nega??o. O que n?o esperava era o sorriso radiante que se espalhou pelo rosto de Orpheus, seguido por uma risada genuína de puro deleite.

  "Sério?" exclamou ele, seus olhos brilhando com algo que parecia... orgulho? "Um bilh?o? Isso é... isso é incrível!"

  Antes que K pudesse processar esta rea??o desconcertante, Orpheus a abra?ou impulsivamente, ainda rindo.

  "Eu sabia que ele era especial," continuou o garoto, afastando-se do abra?o mas mantendo as m?os nos ombros de K. "Sempre soube que ele era alguém importante!"

  K sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Havia algo profundamente perturbador na rea??o de Orpheus. N?o era normal. Um garoto normal ficaria horrorizado ao descobrir que seu mentor era um criminoso procurado, um assassino temido em todo o mundo. Mas Orpheus estava... feliz? Orgulhoso?

  "Você n?o entende," insistiu ela, sua voz mais urgente agora. "O País Poliedro é a na??o mais poderosa do mundo. Eles contratam os melhores Ca?adores para eliminar Zack e qualquer um associado a ele. Isso inclui você. Isso inclui a mim, agora que trabalhei com vocês."

  Orpheus deu de ombros, seu sorriso diminuindo apenas ligeiramente. "N?o importa. Precisamos alcan?ar os outros. Eles podem estar em perigo."

  E com isso, ele se virou e come?ou a correr na dire??o que o grupo havia tomado, deixando K momentaneamente paralisada pela incredulidade. Quando finalmente recuperou seus sentidos, correu atrás dele, sua mente um turbilh?o de pensamentos conflitantes.

  O que havia acontecido com este garoto? Que tipo de manipula??o psicológica Zack havia empregado para criar tal devo??o cega? Ou seria algo mais sinistro? Algum tipo de controle mental, talvez?

  K n?o sabia o que fazer. Parte dela queria fugir, desaparecer antes que Zack decidisse que ela era um risco que n?o valia a pena manter vivo. Outra parte, uma parte que ela n?o compreendia totalmente, sentia-se responsável por Orpheus, como se pudesse de alguma forma salvá-lo da influência de Zack.

  Enquanto corriam através da paisagem alienígena do Continente Vermelho, K observava Orpheus. Ele se movia com a gra?a e precis?o de um guerreiro treinado, mas havia uma inocência em seus olhos que contrastava dolorosamente com suas habilidades letais. Era como se duas pessoas habitassem o mesmo corpo – o guerreiro que Zack criara e o menino que ainda existia em algum lugar dentro dele.

  ---

  O grupo dos idosos, Matheus e Loren seguia a trilha em torno do lago vermelho, seus passos apressados pelo medo. A cidade estava do outro lado, mas o caminho parecia interminável sob a luz vermelha da lua de sangue.

  "Vocês ouviram isso?" sussurrou Loren, parando abruptamente.

  Todos ficaram imóveis, ouvindo. Um som estranho ecoava pela floresta – n?o exatamente um batimento, n?o exatamente um sussurro, algo entre os dois, como se a própria floresta estivesse respirando.

  "Devemos continuar," disse o idoso, sua voz trêmula traindo seu medo. "N?o podemos parar aqui."

  Continuaram avan?ando, mas mais lentamente agora, cada som fazendo-os saltar, cada sombra parecendo abrigar uma amea?a. As árvores gigantes com suas raízes vermelhas expostas pareciam observá-los, suas folhas alaranjadas sussurrando segredos uns aos outros no vento fraco.

  Ent?o, de repente, o silêncio. Um silêncio t?o completo e antinatural que parecia pressionar contra seus ouvidos como uma presen?a física. Até mesmo o som de suas respira??es parecia ter sido engolido por aquele vácuo acústico.

  Foi nesse silêncio que ele apareceu.

  N?o houve aviso, nenhum som de aproxima??o, nenhum movimento nas sombras. Em um momento o caminho à frente estava vazio; no seguinte, ele estava lá, como se tivesse se materializado do próprio ar.

  O Ca?ador.

  Ele vestia um casaco grande e largo até os pés em estilo inglês, impecavelmente alinhado apesar do ambiente hostil. Sua camisa social branca n?o tinha uma única mancha, suas cal?as pretas sociais caíam perfeitamente sobre sapatos pretos polidos que brilhavam mesmo na luz fraca. Um cigarro pendia casualmente de seus lábios, a fuma?a subindo em espirais pregui?osas. Seus olhos eram de um azul profundo como o mar em dia de tempestade, frios e calculistas. Luvas brancas imaculadas cobriam suas m?os, e um chapéu vermelho com listra preta completava sua aparência estranhamente formal.

  Mas o mais perturbador n?o era sua aparência, e sim a completa ausência de aura ou presen?a. Era como olhar para um espa?o vazio que coincidentemente tinha a forma de um homem. N?o havia energia emanando dele, nenhuma sensa??o de vida ou inten??o. Era como se ele n?o estivesse realmente ali.

  O grupo congelou. N?o havia necessidade de explica??es ou introdu??es. Eles sabiam exatamente quem – ou o que – ele era e por que estava ali.

  A idosa foi a primeira a reagir, dando um passo à frente com os bra?os estendidos em um gesto protetor.

  "Por favor," implorou ela, sua voz quebrando com emo??o. "Meu neto e sua esposa... eles s?o jovens. Têm toda a vida pela frente. Se precisa levar alguém, leve-me."

  O idoso se juntou a ela, caindo de joelhos na terra negra.

  "Tome minha vida," ofereceu ele, abaixando a cabe?a em submiss?o. "Deixe os outros irem. Por favor."

  O Ca?ador n?o respondeu. Continuou fumando calmamente, observando-os com aqueles olhos azuis vazios, como se estivesse contemplando insetos particularmente interessantes, mas ultimamente insignificantes.

  Matheus e Loren trocaram olhares rápidos e, em um movimento desesperado de desafio, sacaram suas armas – uma espada curta e uma adaga, respectivamente. Eram armas comuns, quase patéticas diante da amea?a que enfrentavam, mas era tudo que tinham.

  "N?o!" exclamou a idosa, virando-se para segurar o bra?o de Matheus. "N?o fa?am isso. é inútil."

  O silêncio continuou enquanto o Ca?ador terminava seu cigarro, jogando a ponta no ch?o e esmagando-a metodicamente com a ponta do sapato. Seu rosto permanecia impassível, sem demonstrar prazer, raiva ou qualquer outra emo??o reconhecível.

  Finalmente, ele come?ou a avan?ar em dire??o ao grupo. Seus passos eram lentos, deliberados, como se tivesse todo o tempo do mundo – o que, considerando a situa??o, provavelmente tinha.

  Foi nesse momento que outra figura surgiu no caminho, colocando-se entre o Ca?ador e o grupo aterrorizado.

  Zack.

  A mudan?a na postura do Ca?ador foi instantanea e dramática. Onde antes havia apenas indiferen?a calculista, agora havia espanto, medo e confus?o. Ele recuou um passo, seus olhos azuis arregalados em reconhecimento.

  "Z-Zack?" gaguejou ele, sua voz surpreendentemente jovial para alguém com aparência t?o sinistra. "é você mesmo?"

  Zack sorriu, um sorriso que n?o alcan?ava seus olhos negros como po?os sem fundo.

  "Tobi," disse ele, como se estivesse cumprimentando um velho amigo em uma taverna, e n?o no meio de uma floresta alienígena durante o que deveria ser uma execu??o. "Quanto tempo."

  "Eu n?o sabia," apressou-se Tobi a explicar, erguendo as m?os em um gesto de rendi??o. "Juro pela minha vida, n?o sabia que era você quem estava escoltando eles. Se soubesse... bem, você sabe que nunca me meteria no seu caminho."

  Zack continuou sorrindo aquele sorriso inquietante. "Claro que n?o. Você sempre foi inteligente demais para isso."

  O grupo observava a intera??o com uma mistura de confus?o e alívio hesitante. A tens?o mortal de momentos antes havia sido substituída por algo diferente, mas igualmente desconfortável – como assistir a dois predadores se avaliando, decidindo se v?o lutar ou ca?ar juntos.

  "Vou deixá-lo ir desta vez, Tobi," disse Zack finalmente. "Mas quero que me espere no Bar Caneca Furada na Cidade Vermelha. Temos assuntos a discutir."

  Tobi assentiu rapidamente, visivelmente aliviado. "Claro, claro. O que você quiser, Zack."

  Antes de partir, Tobi ajustou seu chapéu vermelho e ofereceu um sorriso torto. "Sempre nos encontramos nos piores lugares, n?o é? Da próxima vez, que tal marcarmos em um spa? Ouvi dizer que o tratamento de lama do Continente Azul faz maravilhas para cicatrizes de batalha."

  E ent?o, t?o subitamente quanto havia aparecido, Tobi desapareceu – n?o como alguém que se afasta, mas como uma imagem que simplesmente deixa de existir, deixando apenas o eco de sua presen?a perturbadora.

  O grupo ficou em silêncio por vários segundos, processando o que acabara de acontecer. Ent?o, como se despertassem de um transe coletivo, todos olharam para Zack com uma nova compreens?o e um novo terror.

  Este homem que haviam desprezado, que haviam considerado um mestre inútil que explorava seu jovem aprendiz, acabara de afastar com algumas palavras um assassino que claramente os teria eliminado sem hesita??o. Mais do que isso – o assassino o conhecia, o temia.

  Quem, ou o que, era realmente Zack?

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  Matheus foi o primeiro a cair de joelhos, seguido rapidamente por Loren e os idosos. Todos abaixaram a cabe?a em submiss?o, o mesmo gesto que haviam oferecido a Tobi momentos antes, mas agora carregado com um novo nível de terror reverente.

  "Por favor," murmurou Matheus, sua voz quase inaudível. "Poupe nossas vidas."

  Zack observou a cena com uma express?o ilegível. Ent?o, para surpresa de todos, ele fez um gesto impaciente com a m?o.

  "Levantem-se," ordenou. "N?o tenho tempo para isso. Continuem andando e esperem por Orpheus e K. Eles devem estar chegando."

  Sem esperar para ver se suas ordens seriam obedecidas, Zack se afastou alguns metros e sentou-se em uma pedra grande, observando o grupo com olhos inescrutáveis.

  O grupo se levantou hesitantemente, trocando olhares nervosos. Ninguém ousava falar ou se aproximar de Zack. Em vez disso, permaneceram juntos, como ovelhas assustadas, esperando em silêncio tenso pela chegada de Orpheus e K.

  ---

  Quando Orpheus e K finalmente alcan?aram o grupo, a atmosfera era t?o densa com tens?o n?o resolvida que quase podia ser cortada com uma faca. Orpheus percebeu imediatamente que algo significativo havia acontecido na sua ausência. O grupo estava anormalmente silencioso, agrupado como animais assustados, e Zack – Zack estava ali, sentado em uma pedra próxima, observando a todos com uma express?o neutra.

  K, por sua vez, tentava desesperadamente controlar suas rea??es. Agora que sabia quem Zack realmente era, cada fibra de seu ser gritava para fugir, para se esconder, para fazer qualquer coisa menos ficar na presen?a do homem mais perigoso do mundo conhecido. Mas ela manteve o rosto cuidadosamente composto, fingindo ignorancia, temendo que qualquer sinal de seu novo conhecimento pudesse selar sua senten?a de morte.

  "O que aconteceu?" perguntou Orpheus, olhando de Zack para o grupo e de volta.

  Foi Zack quem respondeu, sua voz casual como se estivesse comentando sobre o clima. "Tobi estava aqui. O Ca?ador que estava perseguindo eles."

  Orpheus sentiu como se tivesse levado um soco no est?mago. Tobi. Um nome que ele nunca havia ouvido antes, mas que claramente significava algo para Zack. Um Ca?ador. O Ca?ador que ele deveria ter detectado, que deveria ter enfrentado, que deveria ter derrotado para proteger seus clientes.

  "Eu..." come?ou ele, mas as palavras falharam. A realiza??o de que sua primeira miss?o solo teria terminado em desastre completo sem a interven??o de Zack era esmagadora.

  "N?o se preocupe," disse Zack, lendo corretamente a express?o de Orpheus. "Tobi é um dos dez melhores Ca?adores do mundo. Ele consegue ocultar completamente sua presen?a. Até para mim é impossível senti-lo."

  K arregalou os olhos involuntariamente. Um dos dez melhores Ca?adores do mundo? Ela havia inadvertidamente aceitado um trabalho que a colocou no caminho de um assassino de elite? E Zack – O Ca?ador dos Olhos Negros – estava admitindo que até mesmo ele tinha dificuldade em detectar este Tobi?

  "Ele é especialista em abates furtivos," continuou Zack. "Você nunca o teria visto chegando."

  Apesar das palavras de conforto, Orpheus continuava se sentindo impotente e fraco. Todo seu treinamento, todas as habilidades que havia demonstrado contra a criatura do Vazio, pareciam insignificantes agora. Qual era o propósito de todo esse poder se ele n?o conseguia nem mesmo detectar a aproxima??o de um inimigo?

  "Eu só vou até a cidade," anunciou K abruptamente. "Depois disso, nosso acordo termina."

  Ninguém contestou sua decis?o. Era perfeitamente compreensível que ela quisesse se distanciar desta situa??o perigosa o mais rápido possível.

  "N?o importa," disse Zack com um dar de ombros indiferente. "Vocês todos morrer?o assim que entrarem na cidade de qualquer forma."

  O grupo congelou, olhando para Zack com horror renovado.

  "O quê?" sussurrou Loren, sua voz mal audível.

  "Tobi vai matá-los," explicou Zack com a mesma casualidade com que alguém comentaria sobre o tempo. "Talvez enquanto dormem. Ou enquanto comem uma ma?? na rua. Ele é muito bom no que faz."

  "Por favor," implorou o idoso, dando um passo hesitante em dire??o a Zack. "Você nos salvou uma vez. Por favor, nos ajude novamente."

  "Sim," juntou-se Matheus, seu orgulho completamente esquecido diante do terror. "Pagaremos o que for preciso."

  K virou o rosto, ignorando deliberadamente os pedidos desesperados. Zack simplesmente balan?ou a cabe?a.

  "é inútil," disse ele. "Vocês v?o morrer. N?o vale o esfor?o tentar impedir o inevitável."

  A crueldade casual de suas palavras chocou até mesmo K, que já havia visto sua cota de brutalidade em seus anos como mercenária. Zack falava sobre suas vidas como se fossem insetos – insignificantes, descartáveis, nem mesmo dignas do esfor?o de serem salvas.

  Orpheus observava a cena com crescente desconforto. Algo dentro dele se rebelava contra a indiferen?a de seu mestre. Estes eram pessoas – pessoas assustadas, vulneráveis, que haviam confiado nele para protegê-las. Sim, ele havia falhado em detectar Tobi, mas isso n?o significava que deveria abandoná-las agora.

  "Eu os ajudarei," disse ele finalmente, sua voz firme apesar do tremor em suas m?os.

  Zack olhou para seu aprendiz com uma express?o ilegível. "N?o se envolva, Orpheus. N?o é problema nosso."

  "é meu trabalho," insistiu Orpheus. "Eu aceitei a miss?o."

  A tens?o entre mestre e aprendiz era palpável. Ninguém ousava respirar enquanto os dois se encaravam, uma batalha silenciosa de vontades.

  A idosa, vendo uma abertura, aproximou-se de Zack e, para horror de todos, ajoelhou-se e abra?ou sua perna.

  "Por favor," solu?ou ela, lágrimas escorrendo por seu rosto enrugado. "Somos velhos, n?o temos muito tempo de qualquer forma. Mas meu neto e sua esposa... eles merecem uma chance."

  Zack olhou para a mulher idosa agarrada à sua perna, seu rosto ainda impassível. Por um longo momento, ninguém se moveu. Ent?o, lentamente, Zack voltou seu olhar para Orpheus.

  "A escolha é sua," disse ele finalmente. "é seu trabalho, como você disse."

  Orpheus assentiu, grato pela concess?o, por menor que fosse.

  "Mas," continuou Zack, seu tom mudando sutilmente, "se você vai enfrentar alguém como Tobi, o pre?o aumenta. 300 mil moedas de ouro."

  Matheus engasgou. "T-trezentas mil?"

  "Seu aprendiz n?o vai lutar contra um dos dez melhores Ca?adores do mundo por alguns trocados," explicou Zack friamente.

  "Nós... nós n?o temos tanto," admitiu Loren, seu rosto pálido de desespero. "Temos apenas 10 mil moedas de ouro. N?o imaginávamos que seria alguém desse nível nos ca?ando."

  Zack cuspiu no ch?o, seu rosto contorcido em uma express?o de desprezo absoluto. "Lixo," murmurou ele. "Querem prote??o de elite pagando pre?o de mendigo."

  Orpheus sentiu uma onda de indigna??o subir por sua garganta. N?o gostava de ver estas pessoas – especialmente os idosos – sendo tratadas com tanto desdém. Eles estavam assustados, desesperados, fazendo o melhor que podiam com os recursos limitados que tinham.

  "Farei por 5 mil moedas de ouro," anunciou ele, surpreendendo a todos, inclusive a si mesmo.

  Zack virou-se lentamente para encará-lo, seus olhos negros penetrantes como se pudessem ver através da alma de Orpheus. O garoto manteve-se firme, sustentando o olhar de seu mestre sem vacilar.

  "Por favor, mestre," disse ele, sua voz mais suave agora. "Confie em mim."

  Algo mudou no rosto de Zack – uma suaviza??o quase imperceptível ao redor dos olhos, um relaxamento mínimo da tens?o em sua mandíbula. Ele se aproximou de Orpheus e, para surpresa de todos, colocou a m?o no pesco?o do garoto em um gesto quase carinhoso.

  "Você é um bom garoto, Orpheus," disse ele, sua voz mais gentil do que qualquer um ali já havia ouvido. "N?o quero ver você sofrer. A vida de Ca?ador n?o é uma ilus?o; é brutal, solitária e geralmente curta."

  Orpheus permaneceu em silêncio, absorvendo as palavras de seu mestre.

  "Mas eu entendo," continuou Zack. "Fa?a o que precisa fazer."

  O grupo explodiu em agradecimentos efusivos. Os idosos abra?aram Orpheus, lágrimas de alívio escorrendo por seus rostos enrugados. Matheus apertou sua m?o repetidamente, enquanto Loren beijava sua bochecha em gratid?o.

  K observava a cena com uma sensa??o de irrealidade. Ela estava completamente deslocada, carregando sozinha o peso do conhecimento sobre quem realmente era Zack e o que sua presen?a significava. Parte dela queria gritar para todos fugirem, para se esconderem, para fazerem qualquer coisa menos confiar em um homem cuja reputa??o era construída sobre pilhas de cadáveres. Mas ela manteve o silêncio, sabendo que revelar seu conhecimento seria assinar sua própria senten?a de morte.

  Quando o grupo finalmente se acalmou, Zack já havia desaparecido, sumindo t?o silenciosamente quanto Tobi antes dele. Orpheus n?o parecia surpreso ou preocupado com o desaparecimento de seu mestre; aparentemente, isso era um comportamento normal.

  Enquanto retomavam sua jornada em dire??o à Cidade Vermelha, o grupo bombardeava Orpheus e K com perguntas sobre Zack.

  "Quem é ele realmente?"

  "Por que aquele Ca?ador tinha tanto medo dele?"

  "Como ele conseguiu fazer Tobi ir embora apenas falando com ele?"

  Orpheus n?o respondeu a nenhuma pergunta, mantendo um silêncio resoluto que apenas alimentava a curiosidade e o medo do grupo. K, por sua vez, apenas lan?ava olhares severos quando as perguntas eram dirigidas a ela, seu silêncio comunicando claramente que este n?o era um assunto a ser discutido.

  O clima era pesado, carregado de perguntas n?o respondidas e medos n?o expressos. A figura de Zack pairava sobre eles como uma sombra, mesmo em sua ausência física – um fantasma feito n?o de ectoplasma, mas de reputa??o e poder.

  à distancia, observando o grupo de um ponto elevado entre as árvores gigantes, Zack contemplava seu aprendiz liderando os outros pela trilha sinuosa. Seus olhos negros refletiam a luz vermelha da lua de sangue, dando-lhes um brilho sobrenatural.

  "Em breve," murmurou ele para si mesmo, "você entenderá o verdadeiro propósito de estarmos aqui, Orpheus. E ent?o, talvez, você finalmente compreenderá quem realmente sou."

  A lua de sangue brilhava implacavelmente sobre o Continente Vermelho, indiferente aos dramas humanos que se desenrolavam sob sua luz carmesim. O segundo grande arco da história estava apenas come?ando, e com ele, revela??es que mudariam para sempre a compreens?o de Orpheus sobre seu mestre, seu mundo e seu próprio destino.

  Lembre-se de acompanhar a história e deixar um favorito e um comentário para me dizer se você gostou ou n?o. Vejo que muitas pessoas leem a história, mas n?o seguem a página — seu apoio realmente me ajuda a entender que você gostou.

  Obrigado pela leitura.

  Tabelas Oficiais do Mundo

  Tabela 1 — Criaturas do Void

  Tabela 2 — Continente Vermelho

  Tabela 3 — Ca?adores

  Tabela 4 — Sistema de Ranks do Mundo

  Tabela 5 — Energia Espiritual e Habilidades

  Tabela 6 — Ca?adores Irregulares

  Regra Fundamental do Mundo

  Aura n?o define poder.

  For?a física n?o garante sobrevivência.

  Habilidade é o que separa os fortes dos mortos.

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