Demorou poucos segundos para que Raisel tomasse a sua decis?o.
“Vou pela esquerda.”
Ele se vira para o túnel e come?a a caminhar em dire??o a primeira torre escolhida.
Ao adentrar no corredor, o caminho atrás de si é fechado por uma barreira como a da torre principal.
“Sem volta ent?o.”
Olhando para trás por alguns instantes, os passos s?o retomados enquanto passa por janelas completamente vazias em um breu imensurável.
Nesse espa?o, há somente o clássico tapete vermelho e as tochas púrpuras que iluminam parcialmente o ambiente.
Após a caminhada, ele finalmente fica diante de uma enorme porta de duas m?os, como as que já encontrou, seja para adentrar o Castelo ou chegar no bosque.
Contudo, diferente das outras vezes, há um letreiro de ferro logo acima.
一 Biblioteca…
Em seguida ao sussurro, um sorriso de lado é estabelecido na sua fei??o.
“Faz bastante tempo que eu n?o leio. Uma biblioteca em uma ilha dentro de uma Ruína… N?o tem como isso ser mais interessante!”
Os olhos de Raisel brilham em animosidade conforme a porta é empurrada.
Pelo lado de dentro, pouco a pouco é visível o novo ambiente.
De frente, uma escadaria com diferentes níveis de andares até o topo dessa constru??o circular se ergue 一 As escadas se emaranham entre si.
Prateleiras enormes cheias de livros por todos os níveis da torre… é uma imensa biblioteca.
Dessa vez, n?o há tochas como nos outros c?modos, mas sim uma grande esfera púrpura no topo como um orbe que ilumina todo o ambiente.
Entretanto, da esfera é expelido parte da sua energia que novamente entra em contato com Raisel para entregá-lo uma mensagem.
“NA TORRE DA SABEDORIA, BUSQUE A PALAVRA-CHAVE. DENTRE OS INúMEROS LIVROS, Há AQUELES QUE SE DESTACAM. BUSQUE, LEIA E REFLITA.”
“O ORBE ACIMA é UM CONTADOR. QUANTO MENOR A SUA LUZ, MENOR é O SEU TEMPO. NO BREU, VOCê PRECISARá DAR A RESPOSTA OU FICARá ETERNAMENTE TRANCAFIADO ATé O SEU FIM.”
A rajada enfim se dissipa.
A esfera acima come?a a se desmanchar como fuma?a de maneira lenta. Mas no seu epicentro, uma pupila como um olho surge.
“Buscar uma palavra-chave, livros que se destacam e tempo diminuindo.”
Desde já, Raisel come?a a subir as escadarias em saltos grandiosos.
“é melhor tentar terminar o mais rápido possível.”
“Infelizmente n?o vou poder ler tudo. S?o muitos livros!”
“Essa torre n?o é t?o grande, deve ter uns quinhentos metros de uma parede a outra, mas as prateleiras est?o todas nos andares e n?o nas paredes.”
Conforme reflete, ele finalmente chega no quarto andar, o médio entre todos os oito níveis.
“Vou expandir Aquila pra identificar quantos livros diferentes existem.”
Saindo de Aquarius para o outro Schaltung, os olhos do rapaz se fecham. Em um respirar profundo, o Gewissen é expandido de maneira cilíndrica visando englobar todas as prateleiras, seja acima, abaixo ou próximas.
O Domo Sensorial é usado com constancia diferente das outras vezes. N?o é apenas um detalhe ou uma presen?a, mas sim como um scanner completo de tudo.
Como consequência dessa expans?o, a cabe?a de Raisel come?a a doer.
“Com calma… Com calma. Vamos come?ar pela aparência, apenas a imagem, apenas a imagem…”
Os minutos v?o se passando conforme os livros s?o visualizados em suas capas.
“Há quatro varia??es de capa. Uma com duas espadas cruzadas, outra com um escudo, uma com uma caveira e outra com uma árvore.”
“Todos eles s?o de couro, mas uns est?o mais desgastados e outros n?o. Certo, vamos tentar identificar a energia agora.”
O menino suspirou pesado. Com a concentra??o iminente, as veias em seu rosto come?am a ficar ainda mais evidentes.
Do nariz, um pouco sangue come?a a escorrer.
Com o foco da percep??o alterada, a conclus?o é um pouco frustrante após tanto trabalho.
“Todos têm a exata mesma energia…”
Abrindo os olhos como um susto, toda a press?o causada na cabe?a vai se esvaindo aos poucos.
Ele p?e as m?os sobre os joelhos enquanto encara o assoalho de madeira empoeirado.
“Tá… é impossível ler todos os livros dentro do período de tempo do orbe, mesmo que tenham apenas quatro capas diferentes.”
“Se é pra buscar uma palavra-chave, eu devo analisar o que aparece em comum em todos eles.”
Levantando o olhar, ele observa o orbe que diminuiu razoavelmente nesse período de trinta minutos de inspe??o.
“Deve ser três horas o tempo limite…”
O garoto seca o nariz escorrendo com o antebra?o.
“Hora de continuar.”
Caminhando de modo rápido, ele se aproxima sobre a prateleira mais próxima e agarra um dos livros com a capa de caveira mais antigo.
Ao abri-lo, o olhar de Raisel salta. Boquiaberto, as sobrancelhas quase se unem pela fei??o que esbo?a claramente a sua rea??o.
“Tá completamente em branco!”
Folheando página por página conforme o polegar desliza, n?o há nenhuma palavra sequer!
Incrédulo, até pensa em soltar no ch?o e verificar todos os outros, mas rapidamente paralisa antes de que as suas emo??es tomassem conta.
“Se acalme! Pense, pense. Eu tenho tempo, n?o posso ser impulsivo.”
“N?o tem nada escrito nesse. é melhor verificar os de outras capas do que pegar qualquer um aleatório.”
Dirigindo-se com pressa numa corrida, ele vai em livro antigo após livro antigo.
O resultado o intriga devido ao mistério.
Soltando todos os quatro tipos de livros velhos completamente abertos sobre uma mesa, ele está com os palmos escorados nessa superfície.
“Seja das espadas cruzadas, caveira, escudo ou a árvore, todos dele est?o em branco.”
“Como n?o tem nada, a palavra-chave pode ser ‘vazio’ ou ‘nada’... Mas parando pra pensar, ele n?o disse quantas tentativas eu tenho.”
Subindo o olhar, o rapaz encara o enorme olho em formato de orbe de energia.
一 Ei, eu tenho tentativas ou caso eu erre, eu já falho?
Como esperado, n?o houve uma resposta. O silêncio pairou pela sala por alguns segundos, deixando a única coisa audível os batimentos do cora??o do desafiante.
“N?o posso arriscar uma tentativa. Será que aumento minha percep??o de novo? Só que com Aquila e expandindo minha energia n?o deu certo… Preciso de algo diferente.”
Ao pensar sobre isso, ele paralisa por ter tido uma ideia.
“Aumentar a percep??o de maneira diferente. Ver o vazio. Vamos ver o que vai dar…”
Com um respirar profundo e um tempo de piscadela mais longo, os olhos do menino se abrem com a colora??o dourada em destaque 一 Focando a sua aten??o no livro de capa com espadas cruzadas.
Os arredores se escureceram como a noite.
Os livros inicialmente est?o afundados nesse breu, mas curiosamente aqueles abertos sobre a mesa brilham no mesmo tom de púrpuro da energia no topo da torre.
Suando frio, o estado de percep??o do Ziele Ordnung vem através do foco único em seu objetivo. N?o há como pensar em outra coisa, por isso usar sem estar em batalha é uma tarefa complicada.
Estreitando o olhar, a energia sobre os livros come?a a se moldar como palavras sequenciais. Contudo, antes de conseguir ter a nitidez necessária para ler, o foco é quebrado e a percep??o volta à normalidade.
“Droga!”
“é difícil n?o pensar em nada enquanto eu preciso ler pra conseguir a resposta…”
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“N?o posso me sincronizar com essa energia como fiz com Hiseld. N?o sinto uma sensa??o boa caso deixe ela se aprofundar tanto em mim.”
Ao olhar para o orbe, ele encolheu mais um pouco.
“Vou tentar de novo.”
Inflando os pulm?es, a percep??o sobre o mundo se torna restrita. O breu novamente preenche os olhos de Raisel enquanto os únicos pontos visíveis s?o as luzes das vontades alheias.
Dessa vez, o garoto tentou lapidar a energia com mais calma. Levando esse modo de se observar o mundo por minutos, mas assim que tentou ler a primeira palavra, ele novamente se desfez.
Pelo estresse de levar os sentidos nesse nível incomum e extremamente exigente de perspectiva, os olhos est?o vermelhos como se estivessem irritados.
Em silêncio, o garoto escora a testa contra a mesa.
“Devo ter passado mais trinta minutos nessa tentativa… Preciso ser mais rápido. N?o posso desperdi?ar tempo assim!”
A frustra??o é constante em cada falha.
“Tenho mais duas horas. O Ziele Ordnung n?o foi feito pra esse tipo de coisa… Ele segue a visualiza??o das energias, mas faz o meu corpo ser atraído pra elas em ordem.”
Enquanto refletia sobre a sua habilidade, a lembran?a da primeira vez que usou ela pairou pela mente.
“Espera. Daquela vez enquanto eu caia, o rastro da minha energia permaneceu lá em cima por alguns segundos antes de se desfazer…”
Levantando o rosto da mesa, ele novamente encara os livros; mas restringe o foco ao livro de espadas duplas.
“Minha energia funciona como um rastro. Eu consigo visualizar as palavras, mas quando tento lê-las, o meu foco exclusivo se quebra… Será que eu…”
Outra vez, o olhar de Raisel muda após piscar.
Ao concentrar o Gewissen na ponta do dedo indicador direito, lapidou a visualiza??o das letras roxas com agilidade. Entretanto, n?o tentou compreendê-las agora.
Com a mente ainda em branco e centrada na percep??o, introduz a concentra??o de energia sobre as letras e passa a segui-las na medida em que o atrito entre o roxo e o dourado acontece.
Ao término, todo o contorno das letras do livro cuja capa s?o duas espadas cruzadas, se resumiu em uma única frase mantida mesmo após a interrup??o da perspectiva aprimorada.
“Sob o véu da noite escura, o ambiente no qual jazem incontáveis espadas sobre o jardim morto, segue vivendo.”
“N?o vou tentar refletir agora. Vou mudar pra Aquarius e solidificar essas letras antes que elas desapare?am.”
Novamente o dedo é restrito em energia, mas as pupilas do garoto ganham um contorno azulado.
A energia dourada se fixa ao ar com resistência.
“Vamos pro segundo livro. Esse é o… com capa de caveira.”
Alterando os Schaltung, a mudan?a na visualiza??o do mundo com Ziele Ordnung é ativa. O dedo segue as letras com naturalidade, como um fluxo vai conscientemente ao seu fim.
“Em lápides inexistentes, n?o há nem mesmo corpo. Uma existência perdida cuja consciência se perdeu mesmo com a carne definhada.”
一 Tá… Aquarius.
Após o sussurro, imediatamente come?a o fixar da frase.
Mais trinta minutos se passam, o orbe está na metade em compara??o ao tamanho de início.
“S?o realmente três horas.”
“Tenho mais uma hora e meia sobrando.”
“Restam dois livros.”
“Vou ter mais uma hora antes do apag?o para refletir sobre essas frases.”
Encarando o livro com a capa de escudo, Raisel novamente repete todo o processo. Mesmo com poucas horas nessa torre, a sensa??o de cansa?o pesa cada vez mais.
“Como em uma barreira, o que está atrás n?o vê adiante. Ou o inverso. Apesar de nunca terem se visto frente a frente, seguem com assuntos pendentes.”
A m?o direita preenche o próprio rosto. A vista está cansada. O interior está sendo preenchido como um fogo que queima a própria carne pela mudan?a nos circuitos.
“Falta só mais um… N?o posso desmaiar de exaust?o.”
Sem perceber, o esgotamento espiritual faz com que suas letras já fixas oscilem.
“O último é o da capa de árvore…”
Em um respirar profundo, o dedo se emaranha conforme as energias se entrela?am.
“Na antiguidade, apenas um lado prevalecia. Tamanha solidez gerou o seu oposto, alguém capaz de alterar o seu próprio amago, ir contra a sua natureza.”
Com o término, Raisel desaba para trás enquanto vê o orbe ainda menor.
As palavras flutuam acima dele mesmo deitado sobre o ch?o de madeira da biblioteca.
“Certo, certo… Preciso ver se há alguma ordem. é a hora de lê-las e refletir.”
Movendo o palmo destro enquanto a íris brilha parcialmente em azul, o garoto embaralha as frases.
Ele lê uma. Duas. Três vezes.
Conforme os olhos deslizam pelas letras dessa livraria sem palavras explícitas, ele visualiza ao fundo a luz púrpura se tornando cada vez menor.
Mesmo com a luminosidade sendo engolida pela escurid?o, o ímpeto permaneceu. Nem mesmo a sua energia dourada parecia escapar desse imenso vazio.
O delírio perante o estresse, causa uma ruptura no seu foco. Ele encara o orbe. O orbe o encara.
Pensando no nada, as luzes diferentes se apagam.
O breu ocupa tudo e todos.
Nessa escurid?o, um último respirar profundo precede a voz do protagonista.
一 Morte. Essa é a palavra-chave.
Os olhos do menino se abrem com calmaria perante uma luz que atinge as pálpebras.
Levantando o torso lentamente, ele se senta ao ch?o.
Observando os arredores, ele está de volta ao bosque diante da torre central.
“Eu desmaiei? N?o sei… Isso foi muito bizarro.”
Uma sensa??o de enj?o finalmente ressoa pelo corpo. Talvez o pre?o tenha vindo com juros após tanto estresse mental e espiritual.
De qualquer forma, o menino se levanta.
Ao encarar para o caminho à esquerda que foi anteriormente, a Torre da Sabedoria está mais destruída. Contudo, n?o há poeira ou algo assim que indicasse ser algo recente.
O céu de Fyodor no topo ainda está claro, provavelmente cada vez mais próximo do fim da tarde.
Olhando para a direita, o túnel está obstruído. N?o há como tomar outro caminho após ter escolhido a esquerda.
Em suspirar profundo, o menino refor?a a pegada sobre a espada. N?o a soltou como antes mesmo após tantos acontecimentos.
“O mesmo caminho ent?o…”
Portanto, Raisel adentra novamente o corredor.
Dessa vez, as janelas est?o claras. é possível ver o bosque à direita conforme o trajeto se torna circular. Na parede à esquerda, está a imensid?o da Ruína.
Cansado de tanto pensar, ele continua o caminho com a mente vazia.
De frente ao letreiro, ele está bem desgastado. As portas da biblioteca est?o com incontáveis marcas de espada.
Empurrando as portas, pelo lado de dentro, pouco a pouco é visível o novo ambiente.
Há apenas três andares inteiros enquanto os resquícios dos outros est?o em seus destro?os.
O teto, parcialmente destruído, esbanja a luz pelo lado de dentro do ambiente empoeirado.
Circulando esse lugar, há agora o corredor para a próxima torre.
Em um respirar profundo, Raisel volta a caminhar após negligenciar qualquer reflex?o sobre o que aconteceu.
Qual desafio o espera na segunda torre à esquerda?

