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Capítulo 49 - A Catedral de Lucresia

  Sob a enorme lua, os ventos noturnos envolvem o homem de cabelo grisalho. Os dedos dos pés e das m?os est?o frios, congelados pelo enfraquecimento notável da energia interna do arqueiro. Apesar disso, ele segue em frente em passos firmes, inabaláveis, em busca concluir o seu papel até o fim.

  As rachaduras do ferimento na costela sobem pelo pesco?o. A escurid?o pulsa ao lutar incessantemente contra o brilho contaminante. Desde que o fragmento da Ruína de Pisces em Nascimento lhe atingiu, as suas for?as parecem estar se esvaindo. Pela primeira vez em muito tempo, os sentimentos preenchem o seu cora??o como um último reluzir de uma estrela prestes a ser apagada…

  “Velho, deixe de teimosia… Me deixe assumir o controle pra curar esse ferimento de uma vez por todas.”

  Pondo a m?o esquerda na regi?o do ferimento, os olhos se estreitam e o tom acinzentado é coberto por um brilho prateado.

  “Leraje… N?o vou cair nessa de novo… Você pode até me curar, mas e depois? Vai deixar sequelas no meu Gewissen, depois de exterminar uma popula??o inteira, como fez em Tsarllain?”

  Em uma perspectiva interna, as luzes de Aquila em seu interior est?o opacas pelas trevas agitadas. Essas sombras se movem como serpentes trai?oeiras, enrolando-se sobre o Schaltung do arqueiro e oscilando o seu Glanz.

  Logo, uma risada ecoa vindo das profundezas desse breu.

  “Exatamente…!~ é um dos pre?os que você pagou pelo nosso Contrato, ou se esqueceu?”

  “N?o me esqueci, mas eu n?o estou t?o desesperado como daquela vez. Nós vamos conseguir, mesmo sem a sua ajuda…”

  “Você pode preferir morrer, mas e o garoto? é uma quest?o de tempo para que ele se torne o meu novo Receptáculo.”

  Um suspiro escapa das arestas dos lábios. Entreabertos, ele respira fundo enquanto a barba grisalha esconde um sorriso despreocupado.

  “Ele n?o falhará como eu… Eu sei disso. Ent?o n?o adianta… Você ficará comigo por enquanto.”

  Descontente, a intensidade das sombras interiores somem como fuma?a. Dando um período de tranquilidade e paz, o homem está de frente com o ponto de escurid?o elevada que sentiu quando chegou.

  “Uma segunda catedral… Sinto presen?as lá dentro, mas também consigo notar que há alguém me observando de longe. Talvez seja o chefe dos Truman? N?o sei quais s?o suas habilidades… Ele deve estar querendo ver nosso nível de for?a.”

  Encarando de soslaio para a dire??o da torre centralizada no Castelo de Kromslaing, acima do monte, Yurgen volta a caminhar para descobrir uma outra entrada e ver o que tem ali dentro da Catedral de Lucresia.

  A m?o na costela se abaixa. As pernas se flexionam e o homem salta para os telhados. A constru??o é robusta como a Catedral de Cícero, mas suas cores s?o menos vibrantes e mais monocromáticas. Os vitrais s?o prateados com leves tons de roxo e azul, o que combinam com a luz esbranqui?ada do luar.

  Em cima do teto, o velho escuta certa entona??o vocal harm?nica, como um cantico numa língua diferente. O único problema é que o Zienung n?o funciona para detectar Pag?os e, isso o deixa receoso por n?o saber quantos inimigos s?o.

  Após alguns segundos caminhando no teto, ele observa uma espécie de sót?o aberto na parte traseira da constru??o. Encaminhando-se com cuidado, em uma vis?o de cima, vê um sacerdote abaixo.

  “é diferente dos Servos Bealerins… Uma segunda fac??o? N?o, isso n?o é possível… Devem ser os verdadeiros, ao contrário dos fantoches numerosos.”

  Esticando o palmo destro para o lado, partículas brancas se unem ao formar o arco Svartgren. Ele segura o armamento com a m?o destra, enquanto a canhota permanece próximo ao “fio” invisível para o disparo de suas flechas.

  A vis?o retorna para o sacerdote com uma estola em degradê de roxo e azul, mas com símbolos brancos de luas costuradas por todo o tecido. Esse padre está visualizando o horizonte com uma espécie de charuto em m?os.

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  Contudo, de repente, ele é chutado para fora da varanda enquanto uma flecha prata perfura o seu cranio pela nuca. O sacerdote desaparece morro abaixo já sem vida…

  Do lado de dentro, há outros que se alertaram com o vulto decadente. Mas ao tentarem dizer algo, uma tempestade de flechas também os derruba após terem os craniso perfurados.

  “Poucos est?o aqui… Estavam em pausa?”

  Esgueirando-se com cuidado, ele vê as escadarias que d?o acesso ao sót?o. Em um gesto de palmo, as flechas de energia pulverizaram os cadáveres até eles desaparecem em um piscar de olhos.

  Outros sacerdotes est?o subindo enquanto conversam.

  一 Vai fazer o que depois daqui?

  一 N?o sei. Sempre me sinto esgotado depois de oferecer energia.

  一 P?, vamos subir pro Castelo. Soube que o senhor Oseiros vai colocar uma mulher nova no catálogo, aquela ruiva que tava na Winchell hoje de manh?, lembra?

  一 Sério!? Lembro sim… Ela parecia bem gostosa só pelo rosto. Pena que aquele manto n?o deixou a gente ver o corpo dela.

  一 Pois é, pois é~ Mas a gente vai conseguir se divertir bem com ela hoje à noite.~

  一 Ué, cadê os outros que estavam aqui em cima?

  Da escurid?o por trás dos sacerdotes, os palmos do velho tapam as suas bocas. No outro segundo, os queixos deles se invertem para cima enquanto as testas v?o para baixo.

  Os cadáveres até tentam cair após terem as cabe?as quebradas, mas Yurgen os segura para n?o ter nenhum barulho.

  Na testa dele, uma veia pulsa em certo ódio. Seu semblante está mais sério, mas ainda assim, sua inten??o assassina é mínima.

  “Oseiros… Deve ser um dos Truman. A ruiva com certeza é a Carmen… Esses desgra?ados alimentam a moral dos Bealerins oferecendo mulheres? Nojento… é como em Tsarllain.”

  Cerrando os punhos, ele come?a a descer pelas escadas com cuidado. O som dos canticos em língua desconhecida está mais nítido, mas n?o consegue discernir em nada do que está sendo cantado.

  O segundo andar é como se fossem corredores colaterais à uma escada principal logo atrás de um grande símbolo. Uma lua de prata em camadas sobrepostas que representa todos os seus ciclos.

  à frente deste símbolo, está o altar com um palco. Uma figura com uma roupa diferente dos outros sacerdotes conduz o ritual. Esse Pag?o diferente, está com a cabe?a coberta por uma espécie de gorro em formato de cone, mas o seu rosto está à mostra.

  “Quatro… Oito… Doze… S?o doze servos mais fracos e o líder. O que é aquilo em cima do altar?”

  Coberto por um véu, os olhos cinzentos identificam pouco a pouco conforme ele caminha pelo segundo andar, observando a cena de cima.

  “é um cadáver…”

  O tecido encobre o corpo, evidenciando curvas esbeltas.

  “Que música mais divertida…!~”

  A sua própria voz, em um tom distorcido, ecoa na mente.

  “Você entende o que está sendo cantado, Leraje?”

  Permanecendo focado no que está acontecendo lá embaixo, ele vê os sacerdotes sem gorro saudando algo, ao se abaixarem e se levantando em seguida, conforme estendem os bra?os para cima. Por outro lado, o com cabe?a de cone está com as m?os estendidas para o alto.

  “Entendo sim. Em claro e bom tom… Quer que eu traduza pra você?~”

  Yurgen, desde já, percebe que seria algo horrendo. Esse monstro n?o faria algo por conta própria ou se ofereceria, a menos que fosse algo cruel. Em relutancia, o velho acena com a cabe?a.

  “ó, Grande Lua, enfeiti?a-nos com o seu charme! Nos leve para o Palácio Proibido ao aceitar esse sacrifício! Aceite essa virgem para retocar a sua beleza! Raspe a pele pálida para enaltecer o seu brilho! Tome o útero para nascer noite após noite! Lunamat! Lunamat!”

  A figura das trevas parece deleitar-se em suas próprias palavras.

  Contudo, o arqueiro permaneceu inexpressivo. Sua fúria n?o é esbanjada pelo seu rosto, mas sim pela mente ardente e o seu cora??o explosivo. N?o seria capaz de disfar?ar as suas emo??es para si mesmo e, por isso, se sente ainda pior ao dar para Estrela Negra justamente o que ela adora: a perturba??o emocional.

  Svartgren é apontado em posse.

  Diferente das outras vezes, a flecha carregada se mostra completamente negra. Os olhos cinzentos cintilam para o prateado.

  “Zienung: Teilen…”

  Como um vulto, o projétil estoura na cabe?a do Sacerdote maior. No outro instante, o mesmo acontece com os outros doze que se inclinam um após o outro. Em silêncio, os corpos até tentam cair contra o ch?o, mas seu sangue e qualquer outro vestígio, s?o imediatamente apagados por chamas negras como o inferno.

  一 Uau!~ ? Você é bem habilidoso, né!?

  Uma voz infantil ressoa ao pé da orelha do velho.

  Direcionando os olhos brilhantes para a dire??o da entidade, Yurgen vê um outro sacerdote com cabe?a de cone, mas a ponta está quebrada para a lateral. O olhar de ambos se encontram: um é rosa, esbugalhado e inocente como um coelho. O outro, prateado, é profundo, desconfiado e focado como um lobo.

  No outro segundo, o arqueiro tenta se afastar e mirar uma flecha para o inimigo… Mas ele desapareceu?

  Sentindo um vácuo pelas costas, o Sacerdote dispara um chute contra o homem visando a costela esquerda.

  Agilmente, o velho se defende com o bra?o recolhido. Entretanto, mesmo tendo o tamanho de uma crian?a, a for?a do chute o arremessa para longe.

  Entretanto, os pés do arqueiro deslizam e se fixam antes de colidir contra algo. De frente para o novo adversário, ele está completamente focado.

  一 Hm…~ Chutar você é bem diferente. Parece um tanque de água de t?o pesado. Geralmente as pessoas explodem com meu chute!~ ?

  Despreocupado, as m?os do menino est?o na nuca com os cotovelos erguidos.

  一 Quem é você?

  Com o arco na altura da cintura, mantém a aten??o para descobrir mais informa??es do outro.

  一 Eu sou… Obedientia, o Quinto Sacerdote da Lua! Kurum~ ?

  As m?os se unem à frente em formato de cora??o enquanto a fei??o estampa um sorriso puro. A ponta da língua escapa para fora pelos cantos dos lábios… Essa pessoa n?o está nenhum pouco séria.

  “Suas vestes s?o mais nobres… O cachecol tem símbolos lunares metálicos, diferente dos outros padres… Ele deve ser um sacerdote autêntico, ao contrário desses meros pe?es.”

  Na catedral, agora vazia, somente o corpo velado e o símbolo da lua estariam prestes à presenciar uma vitória esmagadora.

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