"Eu sabia desde que come?amos a nos falar... "
Enquanto o garoto se aproxima em passos lentos, os cabelos esbranqui?ados e compridos da garota balan?am com a brisa sutil da neve.
"Os humanos que n?o possuem a ben??o de uma Constela??o est?o fadados às trevas... Mas ele... Ele parecia ser diferente dos humanos que eu conheci..."
"A energia... A vontade dele era t?o clara, vívida e cheia de boas inten??es..."
"Ent?o... Por que... Por que a maldi??o de Hoder está nele?"
一 "Raisel..."
Encarando os olhos dele afundados em sombras, a mulher tenta se comunicar estabelecendo um vínculo como anteriormente. A energia clara azulada ressoa em dire??o ao menino, mas é como se houvesse uma parede o isolando...
Virando-se com cuidado ao apoiar-se com a m?o esquerda, ajoelhada sobre a neve, a Eisikalt n?o sente mais aquele calor que vinha do rapaz.
As orelhas pontiagudas se abaixam. As sobrancelhas se estreitam e os lábios esbranqui?ados estremecem. Novamente, lágrimas escorrem dos cantos dos olhos ao ver a condi??o do seu companheiro... Mas dessa vez, s?o silenciosas. N?o dói. Pelo contrário, parecem esvaziar o aperto que ela sente no peito.
Ferida, com poucas for?as e na altura dos olhos dele, tudo o que ela podia fazer era esperar o próprio fim.
一 "Eu achei que compartilhar Aquarius com você fosse o suficiente... Mas n?o adiantou..."
A cabe?a dela se abaixa. A nuca, exposta, apenas espera o ataque que a separará do resto do corpo.
一 "Desculpa... Desculpa. Desculpa... Desculpa."
Próximo à ela, a m?o de Raisel engolido em meio às sombras sobe. O olhar dele é claro sobre o ponto vulnerável.
Os ombros dela estremecem.
Arrependimentos profundos assolam o seu cora??o.
No fim de tudo, n?o conseguiu salvar nada. Nem mesmo o amor da sua vida, os próprios filhos, ou a crian?a humana que ajudou.
Os segundos se passam, mas o ataque prometido n?o vinha. As brisas gélidas voltam a balan?ar com mais for?a, carregando consigo uma sensa??o de conforto.
Os olhos da garota se erguem até o semblante dele e, imediatamente, consegue perceber um único ponto de luz dourado no centro da sua íris.
Nesse momento, o corpo de Raisel come?a a tremer.
Rachaduras, mas dessa vez escuras como a noite, surgem por toda a pele do garoto de maneira gradual.
"Ent?o você ainda está tentando lutar..."
O canto dos lábios dela se estendem de bochecha a bochecha. Apontando o palmo esquerdo contra o abd?men dele, os últimos resquícios de Gewissen seriam usados para auxiliá-lo no seu retorno.
Mesmo diante às trevas, a hesita??o da mulher para com ele n?o existe mais.
A mínima chance dele ser recuperado após perder-se em meio a escurid?o seria uma fagulha de esperan?a.
A vis?o, por sua vez, aproxima-se do interior do garoto. Perante às trevas que o engoliam, os seus olhos ainda est?o abertos. Por mais que tente empurrá-lo ou afogá-lo nesse oceano infinito, o corpo dele permanece firme.
A friagem calorosa de Hiseld é emanada. A parede de escurid?o, antes intransponível, come?a a fraquejar. As primeiras rajadas desse poder pulsante afasta a nevasca temporariamente, como uma divergência contra o fluxo do destino.
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Conforme as pulsa??es da energia dela ressoam como batidas de um cora??o, menos azulada e mais cinza a pele da mulher vai se tornando. Sabendo que esgotar o seu eu lhe causaria a morte, ela ainda deveria conseguir cumprir algo em sua vida.
No breu incomensurável dentro do menino, uma luz-guia azulada surge descendo dos céus.
"é a... Hiseld?"
Os dentes dele se cerram com veemência. As sobrancelhas se estreitam. O olhar ganha ainda mais firmeza.
Debatendo-se contra as ondas de trevas que tentam o afundar, mais solto ele se vê.
Quanto mais o ponto luminescente se aproxima, menos pesado parece o fardo sobre si.
A m?o dele agarra a luz como se nunca mais fosse soltá-la. Ent?o, todas as trevas se iluminam com o crescimento estonteante da claridade.
Nesse momento, os olhos dourados de Raisel finalmente aparecem por completo. A única escurid?o que resta em sua íris é a sua pupila profunda, mas essa está envolvida em um círculo azulado t?o abissal quanto.
Encarando a figura em sua frente, uma confus?o breve paira sobre a mente do menino.
Aquele corpo havia secado ao ponto de deixar os ossos contornados pela pele magra. Essa mesma pele se tornou cinza. Grande parte do cabelo caiu. Os olhos, antes completamente negros com um único pigmento turquesa, estavam totalmente esbranqui?ados.
A única coisa que ele p?de reconhecer do que está adiante é o tamanho do corpo e o sorriso... de alívio.
O semblante de Raisel se suspende em uma surpresa, mas a voz n?o saía. Ele mordisca o lábio inferior e fecha os punhos.
Aquele tremor de terra que assolava a ilha, parece agora estar rachando o próprio céu do local.
Em passos que afundam a neve, o garoto abra?a a Eisikalt. Mas ao fazer isso, a mesma desaparece em cinzas incolores.
Num piscar de olhos, os bra?os dele envolviam apenas o vento. A existência de Hiseld é carregada por uma for?a misteriosa em dire??o ao céu.
A vibra??o que racha os céus torna a ilha monocromática em um tom mórbido. O último resquício de que ela existiu, o lugar assolado pela neve, desaparece nas mesmas cinzas que sobem em dire??o ao infinito.
Em choque, ele n?o se mexe. A atmosfera habitual de Fyodor incorporou-se no espa?o em que havia uma ilha. O que resta agora é o garoto flutuando sem conseguir respirar naquele vazio.
"A ilha... desapareceu depois que ela morreu... A Hiseld fazia parte do cenário? Como os monstros árvores?"
"Isso n?o faz o menor sentido..."
O palmo vai contra o próprio abd?men.
"Ainda sinto ela comigo... O Schaltung de Aquarius ainda está aqui. Foi tudo real. Ent?o... Por que?"
Em ódio crescente, em uma tamanha frustra??o cujos olhos lacrimejam, Raisel se comprime enquanto as veias pelo corpo saltam na forma mais cru e genuína do seu desamparo.
"Diferente da Raquel ou do Kali... Eu ainda vou ver ela de novo? Preciso chegar no Núcleo... Lá eu devo conseguir todas as respostas..."
Sem hesita??o, o olhar dele se ergue.
A concentra??o de Gewissen nos pés após endireitar o corpo para onde quer ir, fez com que ele se locomovesse ainda mais rápido do que anteriormente 一 Indo diretamente para cima.
A profundidade do seu eu ganhou camadas. Seja de maneira literal no aumento de energia, ou de maneira emocional com a perda recente.
Determinado, ele anseia pela verdade. O que esse lugar é. Quem realmente é Hiseld.
O próximo local, por sua vez, é uma ilha com incontáveis pilares de mármore esmagadoramente enormes fincados por toda a sua planície. Esse lugar possui um gramado vasto. Contudo, há esses mesmos pilares, mas menores, flutuando pelo céu.
Todavia, entre a paisagem mencionada, um sorriso arrogante se abre em contraste dos cabelos escorridos. Nas costas, um arco é puxado e devidamente empunhado.
Visualizando a chegada do brilho dourado que vinha em sua dire??o, os inimigos já sabiam de quem se tratava...
Uma aura verde musgo fluí para fora dessa silhueta, banhando a arma e a flecha que foi colocada contra a corda.
Acima da cabe?a, pontos e linhas se conectam revelando o símbolo da Constela??o de Horologium.
O disparo, enfim, é solto.
Esse projétil avan?a como um cometa, ganhando velocidade e aumentando seu alcance com a energia envolvente.
A colora??o ambar sobre os olhos de Raisel ressoa como um fluxo. Imediatamente, a aten??o capta algo vindo em sua dire??o.
Movendo-se velozmente ao mudar a concentra??o de sua vontade no corpo, a flecha fortalecida passa enquanto se perde na imensid?o das nuvens.
Porém, a ofensiva desse alguém desconhecido está longe de acabar.
"Três... Quatro disparos julgando pela luz verde... S?o inimigos de cenário? Est?o me atacando sem nem ter chego na ilha..."
Destemidamente, ele continua a se aproximar. Os disparos s?o evitados sucessivamente com facilidade 一 Restando apenas o vácuo da sua passagem.
Após alguns instantes, a chuva de flechas cessou.
"Desistiu? Talvez ele esteja esperando eu chegar... Uma batalha de perto. é o que eu preciso..."
O olhar dele se estreita.
Ao adentrar na atmosfera da ilha, novamente a levita??o é cessada e ele pousa no gramado.
Sem perder tempo, a energia dourada dele pulsa como uma rajada violenta que mapeia toda a paisagem, desde os céus até o ch?o.
"N?o há ninguém... N?o tem árvores aqui... Esses pilares n?o s?o inimigos..."
Caminhando pela grama com cuidado, os olhos dele deslizam para lá e pra cá 一 Mantendo a espada de dois gumes pronta para o saque na cintura.
Conforme se aproxima de um espa?o mais aberto entre os pilares, o rapaz expande a sua consciência usando o Schaltung de Aquila em um domo menor.
Nesse instante, ele percebe que há alguém atrás de si! Completamente invisível, esse alguém nem mesmo emite a sua energia espiritual!
A faca desse inimigo mira apunhalar Raisel pelas costas, mas agilmente ele segura o punho do adversário desconhecido ao se virar de uma vez só.
Puxando esse alguém com for?a, a figura é levantada para cima e está prestes a ser arremessada contra o ch?o com extrema brutalidade. Contudo, outro algo fura a bolha sensorial com extrema velocidade!
A mesma flecha esverdeada explode contra a figura do garoto, causando uma cratera ao ch?o e emanando um poderoso vento para todas as dire??es.
Todavia, sem pestanejar, o menino exp?e a sua vontade para todo o ambiente uma segunda vez. Tal propaga??o dissipa a poeira levantada...
O jovem está intacto, sem sequer um arranh?o no corpo e já com a espada em posse da m?o destra.
"S?o dois inimigos... Mas só sinto essa pessoa na minha frente."
Em seguida, o semblante dele concreta o início da sua confus?o.
Os olhos do protagonista grudam sobre a figura que agarrou, mas escapou como um gato assim que a flecha veio.
一 Esse bras?o... Vocês s?o de Balmund?
一 Até que você é mais bonitinho vendo de perto...
A voz feminina ressoa da mulher com curvas esbeltas. Arremessando uma adaga para cima, ela encara o alvo com um olhar sedutor a poucos metros de distancia.
Eles evidentemente tinham inten??o assassina... Mas será que o rapaz está pronto para assassinar os seus semelhantes e seguir em frente?

