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08 |⭐️| A Sombra

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  Enquanto corria pela floresta em busca do filhote, Samuel se distanciava cada vez mais dos disparos e gritos, até que, de repente, o silêncio envolveu a mata. O mundo exterior parecia ter desaparecido, deixando apenas a escurid?o densa e o som da sua própria respira??o ofegante. "Será que fui longe demais? O filhote n?o deve ter corrido tanto assim. Espero que n?o tenha sido pego por aqueles ca?adores." Seus pensamentos estavam uma tempestade, a ansiedade apertando seu corpo como um punho.

  A cada passo, a floresta se tornava mais sombria e assustadora. Os galhos pareciam se esticar em sua dire??o, e as sombras dan?avam de forma inquietante entre as árvores. "Preciso encontrá-lo logo. Este n?o é um bom lugar para um filhote, muito menos sozinho."

  Enquanto se movia com cautela, algo o encontrou primeiro. Entre as árvores, uma sombra se movia furtivamente, deslizando como um sussurro. Samuel sentiu o ar ao seu redor ficar denso, como se a própria floresta estivesse prendendo a respira??o. Quando a sombra estava prestes a tocá-lo, Samuel virou-se instintivamente, encarando-a diretamente.

  — Quem é você? — perguntou ele.

  A sombra o observava, seus contornos indistintos parecendo se fundir com a escurid?o. N?o havia respostas, apenas um silêncio opressivo.

  — Você viu um filhote por aqui? — insistiu Samuel, a esperan?a se esvaindo em sua voz.

  Ainda em silêncio, a sombra continuava a estudá-lo. Mas, ao encarar os olhos obscuros, Samuel percebeu algo ali - um sentimento profundo e atormentador. Havia medo, um eco de dor que a prendeu naquele estado. Uma voz suave, quase sussurrante, ressoou dentro de si, implorando: "Ajude-o."

  — Eu consigo sentir algo em você. — disse Samuel, o tom de sua voz mais suave. — Um sentimento, uma emo??o que te consome.

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  A sombra hesitou, como se ponderasse suas palavras. Finalmente, um sussurro angustiante escapou de seus lábios: — Culpa...

  Samuel sentiu uma onda de empatia. — Culpa, essa eu conhe?o bem. Ela pode ser uma corrente pesada, arrastando-nos para a escurid?o. N?o importa o quanto você tente superá-la, ela nunca desaparece. Mas o que te faz se sentir assim?

  A sombra parecia se contorcer, como se a própria men??o da culpa a ferisse.

  — Você teme as consequências de seus erros. A culpa é uma dor, mas também é um sinal de que você se importa.

  — Pode parecer fácil dizer isso. — Samuel murmurou, com um tom de compaix?o. — Mas continuar a deixar esse sentimento crescer só intensificará sua dor.

  — Reconhecer a culpa é o primeiro passo para n?o deixá-la te consumir. Por que n?o tenta, uma vez, deixar esse sentimento de lado e seguir adiante? N?o custa nada tentar.

  Samuel estendeu a m?o em dire??o à sombra. O gesto, simples mas carregado de significado, pairou no ar entre eles. A sombra hesitou, o medo evidente em seus tra?os etéreos. Mas, após alguns instantes que pareceram uma eternidade, ela finalmente apertou a m?o dele.

  Nesse momento, a sombra come?ou a brilhar, uma luz suave irrompendo de seu ser, dissolvendo a escurid?o ao redor.

  — Garoto... Obrigado. — a sombra disse, sua voz agora cheia de gratid?o. — Eu havia esquecido como é bom viver na luz e sem esse ressentimento...

  — Você me trouxe a luz novamente. — continuou a sombra, sua forma se iluminando cada vez mais. — Eu jamais me esquecerei de sua bondade. Nos encontraremos novamente por aí, garoto.

  A luz se desfez em fragmentos brilhantes, flutuando no ar como pequenas estrelas cadentes. Um pequeno fragmento caiu lentamente à sua frente, e quando Samuel o pegou, ele desapareceu em um brilho intenso.

  Porém, Samuel sentiu-se fraco, como se toda a energia tivesse sido drenada de seu corpo. Ele caiu de joelhos no ch?o, lágrimas de dor e frustra??o escorrendo por seu rosto. O sangue ainda escorria de seus ferimentos, e sua vis?o come?ou a emba?ar. Tentou se levantar, mas a escurid?o ao seu redor come?ou a se fechar, e tudo ficou confuso. Ele viu uma figura se aproximando à distancia, mas n?o conseguiu discernir quem era. Em segundos, a escurid?o o engoliu completamente, e ele desmaiou, perdido em um mar de escurid?o.

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