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Samuel desperta abruptamente, a respira??o acelerada e o cora??o pulsando em seu peito. Ele se dá conta de que n?o está mais no abrigo acolhedor da cabana; em vez disso, se encontra em Letárnia, um lugar envolto em uma escurid?o opressora. Uma sensa??o estranha se espalha pelo seu corpo, como se uma for?a invisível estivesse tomando conta dele, paralisando seus pensamentos e a??es. Seus olhos se esfor?am para enxergar no breu, até que uma figura translúcida come?a a se materializar diante dele.
— Seja bem-vindo, Samuel. Você parece assustado, mas n?o tenha medo, n?o vou te machucar. — diz a criatura, sua voz ressoando como um eco distante.
Samuel tenta falar, mas as palavras se perdem em sua garganta. Ele se sente preso dentro de sua própria mente, um espectador impotente, capaz apenas de ver e ouvir o que o ser diz.
— Está vendo este lugar, Samuel? Aqui é o esquecimento, o fim de tudo e o equilíbrio da vida. Eu me pergunto o que está passando pela sua cabe?a, ou melhor, pelos seus sonhos e desejos. — continua a entidade, a presen?a dela quase sufocante.
A vis?o de Samuel fica pesada enquanto ele encara a entidade, a angústia apertando seu cora??o. Ele n?o tem for?as nem para fechar os olhos, mas, de repente, a cena muda, e ele se vê rodeado por sua família e amigos, sorrisos e risadas preenchendo o ar. é uma lembran?a vívida, uma lembran?a que ele achou que havia perdido para sempre.
— Você consegue sentir isso, n?o é? Essa saudade que você sente deles. Este é o seu maior sonho, revê-los novamente. — diz a entidade, sua voz sedutora e ao mesmo tempo cruel.
— é uma pena que esse sonho seja t?o impossível e distante. Por isso eu te escutei; você desejou, e eu vim para realizar esse desejo. Posso trazê-los de volta, trazer seu mundo e todos que você amou. Você n?o terá mais preocupa??es, apenas preciso de uma única coisa. — a criatura prossegue, a ganancia transparecendo em suas palavras.
— Estenda sua m?o para mim. — pede o ser, a voz agora mais insistente.
Samuel se perde em sua cabe?a, em suas lembran?as. Seus olhos, antes cheios de esperan?a, agora parecem vazios, como se algo estivesse os apagando. Suas m?os se movem involuntariamente até o peito, de onde uma luz come?a a brilhar, pulsando como seu cora??o.
— Eu só preciso dessa luz, que foi perdida por mim. Somente assim poderei satisfazer o seu desejo e trazer sua família de volta, como antes. — a entidade insiste, estendendo a m?o em dire??o a Samuel.
A luz come?a a sair lentamente do peito de Samuel, uma for?a vital que ele mal consegue entender. Antes que pudesse oferecê-la às m?os do ser, ele interrompe o movimento, sua determina??o renovada.
— Se você realmente quer essa luz, vem e pegue-a de mim, mas só se conseguir. — Samuel desafia, sua voz agora firme e ressoante.
Os olhos de Samuel, antes sem cor, recuperam a vida e o brilho, enquanto suas for?as retornam. A confian?a come?a a crescer dentro dele, aquecendo seu ser.
— Se você achou que eu iria cair nessa conversa furada, está muito enganado. Meu sonho pode ser impossível para você, mas n?o vou sacrificar o meu bem e deixar outras pessoas sofrerem por causa da sua ganancia. — Samuel afirma, sua voz ecoando na escurid?o.
— Que pena... Se você quer sofrer por eles, que sofra. Mas essa luz, ela é minha. — diz a entidade, com um tom de desdém, enquanto enfia a m?o dentro do peito de Samuel. Ele sente uma dor lancinante, um desespero que amea?a tomar conta de sua mente.
— Me larga! — Samuel grita, segurando a m?o da criatura com for?a, uma determina??o feroz queimando em seu cora??o. — Próxima vez que você citar a minha família na sua boca, eu acabo com você bem aqui.
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— Que assim seja. — responde a entidade, sua voz cheia de desprezo.
As m?os de Samuel come?am a brilhar, ele aperta o bra?o do ser que o atormenta, fazendo a criatura sentir uma dor insuportável. Ele pode ouvir os lamentos da entidade.
— O que é isso!? O que você fez!? Que dor absurda é essa!? Você vai pagar, vai pagar com sua vida pelo que fez. Esteja avisado, humano. Esta n?o será a última vez que nos veremos! — grita o ser, suas palavras preenchidas com raiva e dor.
Liberado, Samuel come?a a cair em um vazio profundo, a escurid?o o engolindo. Sua vis?o se emba?a, e suas m?os e peito come?am a brilhar novamente, como se a luz quisesse escapar dele. Quando está prestes a se perder naquele abismo, ele acorda, ofegante. Um suspiro de alívio escapa de seus lábios, e ele sente seu corpo leve como nunca antes. Olha para suas m?os, que ainda brilham levemente, mas logo a luz se apaga.
"O que foi aquilo? Aquela criatura... Será que foi mesmo um sonho? Eu feri aquela coisa. Ent?o é isso que a luz queria me mostrar, o esquecimento. Escapei por pouco dessa vez. Por que ele queria tanto essa luz? Melhor levantar, já deve estar tarde."
Samuel se levanta da cama e pega sua mochila, o peso de sua jornada ainda presente em sua mente. "Já que vou ficar por aqui um tempo, é melhor arrumar minhas coisas e tomar um banho quente. Estou precisando." Ele organiza suas coisas, cada movimento carregando a sensa??o de um novo come?o, e ent?o vai em dire??o ao banheiro.
Alguns minutos depois, Samuel termina o banho e se veste com uma das roupas que encontrou na cabana. Elas s?o confortáveis e quentinhas, caindo bem em seu corpo cansado. Sentado perto da lareira, ele come algo para saciar a fome que o atormenta enquanto reflete sobre seu futuro.
"De que maneira eu posso salvar esse mundo do esquecimento? Ela n?o me explicou nada sobre isso, mas disse que eu estava no caminho certo. Será que tem algo a ver com essa guerra? Pode até ser." Enquanto esses pensamentos se agitam em sua mente, alguém bate à porta. Ele se levanta e abre calmamente.
— Boa noite, desculpe vir t?o tarde, aquela reuni?o demorou mais do que eu esperava. — diz o Alfa, a voz dele trazendo um conforto inesperado.
— Sem problema. — responde Samuel.
— Vejo que você trocou de roupa; ela combina com você. Mas n?o vim aqui só para elogiar sua roupa. Vim para conversarmos, se você estiver livre. — diz o Alfa, seu olhar sério mas amigável.
— Estou livre sim, o que seria? — pergunta Samuel, sentindo uma onda de curiosidade.
— Bom, antes, venha aqui fora, está uma noite linda. — convida o Alfa, gesticulando para o céu estrelado.
Samuel sai da cabana e se junta ao Alfa do lado de fora, o ar fresco da noite preenchendo seus pulm?es.
— Sabe, Samuel, de início, como eu falei, eu desconfiava das suas palavras. N?o sabia se você dizia a verdade ou se era apenas um lunático. Mas, conhecendo você um pouco, percebi que n?o era mesmo daqui. Me pergunto sobre seu passado e como você conhece esse mundo t?o bem. Pode me contar? — O Alfa pergunta, sua voz curiosa.
Samuel ent?o se senta ao lado do Alfa, o peso de suas memórias pesando sobre ele, mas também aliviando o cora??o.
— Meu passado é bem complicado. Nos meus primeiros anos, vivi momentos felizes com pessoas que eu amava, estava tudo praticamente perfeito. Mas um dia, tudo isso mudou. Seres sanguinários destruíram e mataram todos que eu um dia amei. Fiz de tudo para tentar salvá-los, mas acabei ficando sozinho no fim. Mas está tudo bem. Aprendi a gostar do silêncio, e mesmo que às vezes sinta saudades, sei que eles est?o em um lugar melhor.
— Falando sobre seu mundo, eu sonhava com este lugar. Sonhava vivendo aqui junto daqueles que perdi. Escrevia histórias no meu caderno sobre este mundo para esquecer o qu?o doloroso era o meu. Acabei me perdendo na minha imagina??o, sem ter ninguém com quem compartilhá-los. — continua Samuel, a tristeza em sua voz misturada com uma pitada de esperan?a.
O Alfa olha para o céu, suas fei??es suavizadas pela luz das estrelas.
— Eu te entendo completamente, Samuel. Viver em um mundo sem aqueles que ama é doloroso, mas parece que você soube lidar muito bem com essa situa??o. Eles realmente est?o em um lugar melhor e torcem pelo seu sucesso, pode acreditar.
— Obrigado por pensar dessa maneira, senhor. — responde Samuel.
— N?o me agrade?a, é a verdade. — o Alfa diz, seu olhar firme e sincero.
Samuel abaixa a cabe?a por um momento.
— Espero que aproveite ao máximo sua estadia aqui. Você merece um pouco de descanso para relaxar — Diz o Alfa.
Samuel e o Alfa observam as estrelas e compartilhavam histórias um com o outro. Pela primeira vez em meses, Samuel se sente bem ao lado de alguém que ele p?de realmente chamar de amigo.
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