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21 |⭐️| Entre a Dor e a Esperança

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  Alguns meses se passaram desde a chegada de Samuel e Alex à nova alcateia. Aos poucos, ambos come?aram a se adaptar à rotina e aos lobos daquele novo lar. Samuel ainda carregava o peso dos olhares desconfiados dos que n?o o conheciam, mas esses eram suavizados pela aceita??o do Alfa, Kuwabara e Sam. Para eles, Samuel era mais que um estranho; ele era parte da família.

  Samuel, em silêncio, encontrava consolo ao ver Alex florescer. A cada dia, o pequeno lobo fazia novas amizades e ganhava confian?a. Sem a amea?a dos ca?adores, a alcateia era agora um lugar seguro, e Samuel finalmente assumia seu papel de vice-líder e pai para Alex, que crescia rodeado por uma nova família.

  Com o passar dos dias, Samuel ia deixando para trás as sombras do passado. As apari??es misteriosas de luzes em seus sonhos tinham parado, e ele acreditava que poderia encontrar paz ali. Mas numa noite silenciosa, essa paz foi rompida.

  Durante o sono, Samuel sentiu uma presen?a estranha, quase sufocante. Era uma energia densa e antiga, como um chamado distante, ecoando seu nome. Ele tentou ignorá-lo, mas a sensa??o era avassaladora. Seus olhos se abriram, e ali, diante dele, estava o mesmo lobo sombrio que ele havia avistado na chegada à alcateia. Mas agora, Samuel podia ver detalhes que antes lhe escaparam: os olhos do lobo eram completamente brancos, e havia espinhos enormes saindo das suas costas, que pulsavam como se fossem vivos.

  — Você finalmente veio até mim, Samuel. Esperei por você por tanto tempo, — murmurou o lobo, sua voz profunda, ressoando como um lamento.

  Samuel, sentindo um calafrio correr por seu corpo, pergunta:

  — Quem é você?

  O lobo ignorou sua pergunta e continuou, com uma intensidade quase hipnótica:

  — Naquela noite, vi uma luz emanando do seu peito, um brilho que me atraiu, me fez querer saber o que ela significa. O que um humano faz com algo t?o puro? Algo que n?o deveria pertencer a uma criatura da sua ra?a?

  Samuel tentou responder, mas o olhar do lobo era t?o penetrante que suas palavras ficaram presas. A dor e a raiva que ele via nos olhos do lobo eram intensas, como se ele carregasse consigo todas as mágoas do mundo.

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  — Gra?as a você e aos humanos, eu conheci cada tortura e cada morte. Eu vi lobos caírem, amaldi?oados, enquanto seus assassinos sorriam. Vi a agonia em seus olhos, o sangue que os sufocava, o desespero que os consumia. E quero que você sinta isso também. Quero que essa sua luz seja destruída.

  A presen?a do lobo tornou-se pesada, e Samuel sentiu uma press?o em sua mente, como se o lobo estivesse tentando entrar em seus pensamentos. Em flashes, ele come?ou a ver cenas de dor e desespero — imagens de lobos sendo ca?ados, caindo um a um. Samuel permaneceu em silêncio. Ele n?o resistia à dor; pelo contrário, ele a aceitava. Aquilo fazia parte dele.

  O lobo, frustrado, intensificou o ataque, vasculhando cada memória que pudesse encontrar em Samuel. Mas o que ele encontrou n?o era o que esperava. Ele viu o passado de Samuel, suas próprias perdas, as feridas que ainda doíam. Viu o peso que Samuel carregava e percebeu que esse humano também conhecia a dor.

  Samuel respirou fundo e, com uma voz firme, disse:

  — Dói lembrar de quem eu perdi, acordar todos os dias desejando vê-los de novo. Mas essa dor... ela n?o vai me destruir. Pelo contrário, ela me dá for?as. Eu n?o sou igual aos outros humanos.

  O lobo hesitou, surpreso com a calma de Samuel. Por um instante, o ódio em seu olhar vacilou.

  — Você sente essa dor de perder quem ama, mas infligir essa dor a outros n?o vai apagar a sua. Permitir que o ódio te consuma só vai prolongar seu sofrimento, — continuou Samuel, sua voz firme, mas cheia de compaix?o.

  — E o que você quer que eu fa?a, ent?o? — O lobo perguntou, sua voz tremendo de desespero. — Devo deixar os ca?adores continuarem a massacrar nossos irm?os? A destruir nossa espécie?

  Samuel deu um passo à frente, olhando nos olhos do lobo.

  — Lobos como você n?o merecem esse fardo. O ódio n?o trará paz. Eu prometo que a guerra terminará, e que n?o haverá mais sofrimento nas m?os dos ca?adores. Sua família n?o gostaria de vê-lo preso nesse ciclo de vingan?a.

  As palavras de Samuel penetraram o cora??o do lobo, e lágrimas come?aram a escorrer por seu rosto. Suas próprias m?os come?aram a brilhar, fazendo com que os seus espinhos desapareceram lentamente, e sua express?o ficou mais suave, como se uma dor antiga finalmente tivesse sido libertada.

  — Nunca tive esperan?a... mas você a trouxe de volta. Nunca se esque?a da sua promessa, humano. Outros, como eu, precisam de alguém que os ajude a ver a luz novamente.

  Samuel assentiu, observando enquanto o lobo, agora sereno, desaparecia na escurid?o.

  — Adeus... herói dos esquecidos...

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