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35 |⭐️| A Voz da Compaixão

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  Depois de uma longa noite, o sol come?ava a despontar no horizonte, lan?ando um brilho suave que filtrava pela entrada da toca. Samuel, no entanto, n?o havia pregado os olhos. Seu semblante estava carregado, e pensamentos densos o assombravam. Era algo diferente daquela vez; n?o era apenas uma preocupa??o comum, mas um sentimento intenso que o consumia por dentro. N?o era esperan?a, tampouco angústia. Era como se ele estivesse absorvendo o medo de alguém, um eco de sofrimento que n?o era seu, mas que ressoava nele com for?a.

  Lá fora, um som crescente o tirou de seus devaneios. Havia vozes. Uma discuss?o fervorosa ecoava próxima à entrada da toca. Movendo-se com cuidado para n?o acordar Alex, ele se levantou e saiu para verificar.

  O que encontrou foi uma cena caótica. Uma multid?o de lobos cercava o local, com alguns alfas e vices da regi?o no centro do tumulto. A energia era tensa, carregada de hostilidade. No meio da aglomera??o, um grupo de lobos se destacava. Eles estavam em condi??es deploráveis: corpos magros, feridos e exaustos, com o olhar marcado pela dor.

  Samuel aproximou-se, deixando que as palavras do debate o alcan?assem.

  — Vocês n?o s?o bem-vindos aqui! — rosnou um dos alfas, cheio de desdém. — O que est?o fazendo? Voltem para onde vieram!

  — N?o podemos voltar! — respondeu um dos lobos, aparentemente o líder daquele grupo. Sua voz era desesperada, mas firme. — N?o temos mais para onde ir!

  — Deveriam ter pensado nisso antes de se rebelarem contra nós! Vocês n?o merecem ajuda depois do que fizeram.

  — Nós n?o temos culpa! — implorou o lobo. — Foi o nosso Alfa que tomou as decis?es erradas! Por favor, ao menos acolham os filhotes. Eles n?o têm culpa disso!

  — Nada feito! — rugiu outro Alfa. — Vocês n?o s?o mais nossos aliados.

  A Alfa Lumaris deu um passo à frente, impondo-se com sua autoridade.

  — Silêncio, Healer! Quero ouvir o motivo. Por que vocês decidiram vir até nós? O que aconteceu com sua alcateia?

  O lobo abaixou a cabe?a, a voz falhando em meio à dor.

  — Fomos atacados pelos ca?adores. Eles nos pegaram desprevenidos... foi uma emboscada. Nossa alcateia foi devastada. Muitos foram capturados ou mortos. Só conseguimos escapar com muito sacrifício. Sabemos que vocês têm resistido, que vocês têm esperan?a. Por favor... deixem-nos fazer parte disso.

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  As palavras foram recebidas com desprezo por alguns alfas.

  — Esperan?a? Vocês só vêm agora, de joelhos, implorando? Quanta hipocrisia!

  A discuss?o continuava, mas algo desviou a aten??o de Samuel. Aquele sentimento de medo voltou a pulsar com intensidade em seu peito. Ele vasculhou a multid?o com os olhos, tentando identificar a fonte. Foi ent?o que o viu.

  Entre o grupo de refugiados, um filhote chamava sua aten??o. Suas patinhas estavam machucadas, e seu pequeno corpo trazia hematomas profundos. Ele tremia de medo, seus olhos cheios de pavor, mas vazios de lágrimas, como se já n?o houvesse mais for?as para chorar.

  Samuel sentiu uma onda avassaladora de vis?es. Elas vinham do filhote. Ele viu, como se estivesse lá, cada golpe que ele havia sofrido, cada instante de dor e humilha??o. Viu cenas de abuso e crueldade, onde o pequeno era pisoteado e chutado até perder os sentidos. Aquelas imagens eram quase insuportáveis, mas Samuel manteve-se firme.

  Tomado pela indigna??o, ele avan?ou.

  — Chega! — Sua voz cortou o ar, e a multid?o se calou imediatamente.

  Os alfas se viraram para ele, surpresos com sua interven??o.

  — O que faz aqui, Samuel? — questionou Lumaris.

  — Tentando fazer o que vocês deveriam estar fazendo — respondeu ele, a voz firme e penetrante. — Olhem para eles! Vocês n?o enxergam? S?o lobos como vocês! Est?o feridos, famintos e sem esperan?a.

  Um dos alfas tentou rebater.

  — Eles se rebelaram! Traíram nossa confian?a. N?o há mais lugar para eles aqui.

  Samuel deu um passo à frente, encarando-o diretamente.

  — E quem é você para julgar? N?o importa o que aconteceu no passado. Você n?o têm o direito de ignorar o sofrimento deles agora.

  — Você n?o é um Alfa! N?o pode tomar decis?es aqui!

  Samuel o fitou intensamente, sua voz carregada de convic??o.

  — N?o sou um Alfa, mas se fosse, faria muito mais pelo meu povo do que você jamais fez. E faria isso porque entendo o que significa cuidar daqueles que precisam.

  A tens?o atingiu seu ápice. O Alfa tentou responder, mas foi interrompido por Lumaris e Kai, que deram um passo ao lado de Samuel, mostrando apoio silencioso. O outro lobo recuou, constrangido, e se retirou sem dizer mais nada.

  O líder dos refugiados olhou para Samuel, os olhos brilhando de gratid?o.

  — Obrigado... humano. Obrigado por acreditar em nós.

  Samuel balan?ou a cabe?a.

  — N?o precisam me agradecer.

  Com a aprova??o de Lumaris, os refugiados foram acolhidos, recebendo abrigo e comida. Enquanto isso, Samuel observava o pequeno filhote ser levado com cuidado por uma loba que prometeu cuidar dele.

  Seus pensamentos finalmente se dissiparam, como se aquela decis?o tivesse sido a coisa certa a fazer. Lembrando-se de Alex, ele caminhou de volta para a toca, ansioso para ver se o filhote já havia acordado.

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