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O Herói de Mil Faces

  Nas ruas escuras da cidade, uma pessoa caminha em meio ao banho de luz da princesa da noite, seus passos s?o t?o rápidos quanto as batidas de seu cora??o e sua respira??o é t?o ofegante que parece um liquidificador com dificuldade para triturar algo, a boca trêmula do indivíduo junto ao suor frio que cai de sua carne deixa sua aparência que outrora era inocente, agora parece aterrorizante. Corrida que puxa tal sujeito para um local indesejado feito uma lama movedi?a sugando alguém até o fundo, até matar o mesmo sem que nenhuma molécula de ar possa entrar em suas narinas.

  Capítulo 5 – O Herói de Mil Faces

  Os olhos de íris penetravam os de Protea como os de uma águia, a atitude do garoto é deixar que o silêncio responda suas perguntas n?o verbalizadas, o que molda uma extrovers?o doentia por parte da garota, se deliciava com cada express?o de medo e desgosto de sua presa, n?o retirava os olhos da face do herói, sua pupila n?o tremia, deixava a janela de sua alma aberta, porém presente nela está um carrasco que aponta um rifle apenas para amea?ar.

  O tempo se passou

  A aula acabou

  Mas a janela da alma

  Permanecia posta

  A maldi??o permanecia

  Cada pessoa da sala saía

  Mas a mesma continuava

  Por isso o herói n?o se acalmava

  Movia suas patas de aracnídeo para o corredor

  Cada passo, cada som gerava dor

  Mas infelizmente para ela n?o funcionava

  Pois ele tinha pessoas com quem confiava

  íris, Mio e Mélia se encaravam como se partilhassem da mesma célula, a mesma célula regurgitada pelos dois irm?os mais velhos.

  — Vamos, Protea. — Mélia dizia.

  — Ah, vamos lá! Vocês vieram só pra destruir com a minha divers?o? Deixem eu brincar com o meu amigo, a gente vai se divertir muito, n?o é, Protea? — íris debochava enquanto saíam pequenas risadas de sua boca.

  — N?o dê ouvidos a ela, vamos voltar pra casa. — dizia Mio.

  — Casa?…

  — Eu odeio vocês dois, por isso que o papai te batia quando era menor, irm?zinha, e por isso que a mam?e te fazia de objeto, irm?ozinho, coloquem-se nos seus lugares! — exclamava íris, enquanto seu rosto enchia-se de express?es de ódio.

  — N?O SEJA IMPERTINENTE!

  — Já t? de saco cheio da sua cara e suas palha?adas, ent?o deixa a gente em paz, volta lá para aquele hospício que você chama de casa! — gritava Mélia, em seu rosto era perceptível o ódio e o rancor.

  Os três davam as costas para a jovem, andando juntos como família, o som dos seus passos era torturante para os tímpanos da adolescente, que rangia os dentes em fúria e mordia seus lábios em ira, chegando ao ponto dos mesmos expelirem sangue.

  (Horas se passaram)

  Mio, Mélia e Protea estavam em silêncio desde a discuss?o com íris, o mesmo reinava como numa solitária apertada e densa, uma sensa??o de que na verdade n?o está tudo bem, os corpos respondem bem, mas a mente envia sinais claros de desespero, nos quais geram uma certa dor de cabe?a.

  — Olha… eu vou dar uma passeada, pra pegar um ar. — Protea fala com os olhos baixos e um sorriso falso no rosto.

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  Os irm?os respondem levantando a pálpebra dos olhos e os lábios, mas mantiveram o reinado do tirano silêncio.

  Distorce e empala o cora??o

  Com uma estaca de desconforto

  O buraco é perceptível à vis?o

  Porém o sangue n?o esvazia nem com esfor?o

  Os gritos do purgatório ecoam

  Cheios de ira e ran?o

  Os órg?os sinf?nicos da desgra?a ressoam

  E a música n?o dá descanso

  Uma fuga da ópera de Satanás é realizada Enfim, ao menos um, o violino n?o abusa

  Seguindo o sangue pela rota da estrada

  Quem sabe o mesmo sangue é pertencente ao rei da culpa

  Protea vagava pelas ruas frias da cidade, o sol da tarde esfriava como se um fantasma estivesse o assombrando, sua mente agora fresca com o ar gelado do local pensa em diversas situa??es de sua vida, mas ainda foge do assunto principal, que faz o mesmo se torturar tanto.

  Protea estava imerso no oceano de pensamentos, mas um ser o tocava em sua perna, n?o sabia o que era, e se fosse íris, ele n?o saberia o que fazer.

  "Au au au."

  Era…

  Um cachorro?

  — H?? — Protea pensava alto.

  — Ah, garoto, você gostou de mim? — Protea falava com uma voz mansa.

  O jovem acariciava o cachorro e seguia em frente à jornada do nada, mas o pequeno só o seguia, independente da trajetória de seus passos, até que o nosso herói decide voltar para a casa abandonada.

  — Voltei — Protea falava.

  Ele se sentava no ch?o e buscava dormir com tranquilidade, assim como os irm?os estavam fazendo naquele momento, o reinado do ditador da dinastia do silêncio continuara de pé. Protea se deitava no ch?o, fechava os olhos e do…r.

  Protea estava num lugar branco, todo branco e neon, ele via três manchas pretas flutuantes no vazio, pareciam tinta de caneta sob a água, mas vaporizada para que pudesse ter essa aparência no ar fresco, cada mancha tinha uma escurid?o t?o grande que Protea sentia curiosidade de saber o que aconteceria se ele colocasse a m?o, ele o fez.

  Na primeira mancha, sua m?o foi repelida por uma for?a externa, mas por dentro a mancha parecia densa e profunda, na segunda ele conseguia mexer no interior da sombra, mas n?o tanto, parecia que alguma parede invisível o impedia de chegar no final, logo o final, que parecia guardar algo t?o importante, na terceira, assim que ele toca, a mancha que era preta se torna vermelha, e quanto mais ele adentrava o bra?o, mais a mancha se assemelhava a sangue. Protea retirava sua m?o de dentro e lavava sua m?o na imensid?o do vazio, andando mais para frente ele via uma mancha preta, que se metamorfoseava em um ser humano, e essa mancha enfia o bra?o no nada e o sobe, mas quando ele sobe o bra?o, mostrava que havia ultrapassado o bra?o no peito de uma outra mancha vermelha humana, mas a mancha preta n?o sujava suas m?os. A mancha preta largava a mancha vermelha e se agachava em posi??o fetal, até que se tornava uma pequena mancha novamente. Protea chegava perto, mas o ambiente parecia salivado, lambido… E

  — Aaaaaah, é você? O que você tá fazendo aqui, garoto?

  O cachorro se deitava do lado de Protea e recebia carinhos do herói, que demonstrava sua face mais carinhosa ao lado do seu novo companheiro.

  O herói olha para seus amigos, se afogando na imensid?o da lua, parados e dormindo, só Deus sabe o que eles est?o sonhando, mas Protea queria ajudá-los de alguma forma, sentado ele acariciava o c?o, que retribuía o carinho com lambidas em sua m?o. Esperando o inevitável futuro, ele fora olhar a janela da casa que apresentava um espetáculo cósmico de estrelas, admirando a bela paisagem, o nosso herói viu como a palma de Buda é tocada em seus chakras, e de certa forma se sentia grato, n?o pela vista, mas pela vida. O melhor amigo do homem fora para fora, o céu era lindo e colorido como um arco-íris frio, ao deixar a sua janela da alma mais atenta ele viria a ver o dem?nio o espreitando de longe, seus olhos o perseguiam com felicidade, o c?o fora atraído para perto da criatura nefasta, em seguida o mesmo some, um barulho de arbustos sinalizava ao nosso herói que seu fiel companheiro n?o estava em boas m?os.

  Ele viu íris correndo em dire??o à mans?o infernal, arrastando o dócil cachorro no asfalto, seus gritos de agonia despertaram um ódio intrusivo dentro do nosso herói, que demonstrara sua face mais irada.

  O mesmo correu atrás de íris sem dizer uma palavra, apenas correu, correu e correu, ele sabia o destino para o qual estava sendo guiado. A súcubo estava o seduzindo para o umbral.

  Corra, pequeno herói

  Com suas faces irá revelar

  Que de pouco em pouco se constrói

  Sem querer o diabo via a cantar

  O arco-íris te possui

  Levava o contrário, sua luz

  A mesma cor nefasta se dilui

  Enquanto o humilde carrega sua cruz

  Dor, ó dor

  Fome, ó fome

  ódio, ó ódio

  Quais sentimentos t?o infames.

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