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Capítulo 1 – Eu Cozinho o Big Bang

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  No ponto mais distante do universo observável, onde nem a luz ousava ir sem pedir licen?a, existia um lugar que n?o aparecia em mapas, telescópios ou equa??es: o Restaurante Cósmico Big Bang IZI. Ele n?o orbitava estrelas, nem ficava preso a galáxias. O restaurante flutuava no vazio entre realidades, ancorado apenas pela vontade de sua proprietária e pelo eco eterno do Big Bang, o ingrediente primordial de todos os pratos servidos ali.

  A dona do restaurante se chamava IZI. Alguns diziam que ela era uma deusa. Outros afirmavam que era apenas uma mortal que entendeu demais sobre o universo. A verdade era mais estranha: IZI havia se formado com honras máximas na lendária Escola das Deusas da Culinária Cósmica, uma institui??o t?o antiga quanto o próprio tempo, onde se ensinava que cozinhar n?o era misturar alimentos, mas manipular conceitos da existência.

  Na escola, IZI n?o aprendeu apenas receitas. Ela estudou disciplinas como Termodinamica da Cria??o, Física do Sabor Absoluto, Fermenta??o do Espa?o-Tempo e ética no Uso de Singularidades. Sua tese final foi considerada heresia por algumas deusas conservadoras:

  “O Big Bang n?o foi um acidente, foi uma receita incompleta.”

  Quando se formou, IZI decidiu terminar essa receita.

  Ela coletou fragmentos do Big Bang — n?o matéria comum, mas memórias energéticas do instante zero, partículas que ainda vibravam com o som da cria??o. Esse ingrediente n?o podia ser tocado com m?os comuns. Era preciso inten??o, equilíbrio emocional e uma colher feita de neutrinos solidificados.

  Assim nasceu o restaurante.

  A case of literary theft: this tale is not rightfully on Amazon; if you see it, report the violation.

  O sal?o principal parecia infinito por dentro. Mesas surgiam conforme os clientes chegavam: humanos perdidos em sonhos, alienígenas curiosos, entidades abstratas, buracos negros aposentados e até conceitos conscientes como o Tempo e a Saudade. O cardápio mudava sozinho, reagindo à fome existencial de cada visitante.

  Entre os pratos mais famosos estava o:

  ?? Big Bang Risotto Inicial

  Um prato cremoso que misturava gr?os de realidade recém-nascida com um caldo de expans?o cósmica lenta. Quem comia sentia o come?o de tudo pulsando no peito, como se tivesse acabado de nascer outra vez.

  ?? Steak Big Bang Primeval

  Feito com a densidade do universo nos seus primeiros microssegundos, esse prato era pesado, intenso, e fazia até deuses suarem. Cada mordida expandia os sentidos em bilh?es de dire??es.

  ?? Big Bang Doce da Singularidade

  Uma sobremesa perigosa. Pequena por fora, infinita por dentro. Quem n?o tivesse preparo mental podia se perder em memórias de vidas que nunca viveu.

  ?? Ramen Big Bang Espiral

  Servido em uma tigela que girava lentamente, esse prato representava a forma??o das galáxias. O caldo era quente como estrelas jovens, e os fios de massa se moviam sozinhos, dan?ando como bra?os espirais.

  ?? Licor Big Bang Vintage Zero

  Extraído do “antes do antes”, esse licor n?o embriagava o corpo, mas a consciência. Muitos clientes choravam ao beber, n?o de tristeza, mas de compreens?o.

  IZI cozinhava pessoalmente. Ela usava um avental feito de poeira estelar e um chapéu de chef que parecia conter um pequeno universo dentro. Quando se movia pela cozinha, leis da física se dobravam educadamente para dar passagem.

  Certa vez, uma entidade antiga perguntou: — Por que usar o Big Bang em todos os pratos?

  IZI sorriu enquanto mexia uma panela onde o espa?o fervilhava. — Porque tudo vem dele. Se tudo nasce do mesmo ponto, ent?o todos podem sentar à mesma mesa.

  O restaurante n?o cobrava dinheiro. O pre?o era outro: cada cliente precisava deixar algo para trás — uma certeza, um medo, uma culpa, uma pergunta sem resposta. Esses resíduos emocionais eram reciclados por IZI e usados como tempero invisível, equilibrando os sabores do universo.

  Dizia-se que, quando o universo acabar, quando a última estrela se apagar e o silêncio vencer, o Restaurante Cósmico ainda estará lá. E IZI estará na cozinha, preparando seu prato final:

  ? Big Bang Recome?o Supremo ?

  Uma receita que n?o destruirá o universo…

  mas o fará nascer de novo, com um sabor ainda melhor.

  E quando isso acontecer, todos nós — estrelas, pessoas, sonhos e histórias — seremos apenas clientes famintos esperando a próxima refei??o.

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