Ataque Surpresa
Meu pai saiu e minha m?e entrou. Ela n?o estava gritando ou tensa. Seu rosto estava estranho com uma express?o de uma guerreira que aceitou uma miss?o sem chance de sobrevivência.
Ainda estava sentado na cama está sendo tudo t?o rápido, eu nunca tinha ido para uma guerra antes, a guerra n?o é uma coisa comum, guerras s?o tragédias e burrice da humanidade n?o vale a pena perder vidas em troca de desejos dos líderes.
— Já arrumou suas roupas Kaelen ? — disse minha m?e com uma voz calma
— Ainda n?o m?e, n?o sei o que levar em uma guerra — falei
Eu de fato n?o queria ir, n?o queria desperdi?ar minha segunda chance em uma guerra. Se eu fosse, era óbvio que morreria, n?o tenho nenhuma experiência com batalhas reais, apenas treinos com minha m?e e nem isso fazia direito.
— Roupas de frio, Kaelen — Minha m?e ordenou, sua voz baixa, mas firme. — E você vai para a Capital, n?o para uma guerra, você também vai precisar de roupas para todas as esta??es, n?o sabemos quanto tempo iremos ficar fora.
Ela come?ou a separar meus casacos de l? mais grossos, eu sabia que estava no final do inverno, mas as terras ao redor da Capital podiam ser imprevisíveis. Além dos casacos que minha m?e tinha pego, peguei três conjuntos de roupas que considerei "convencionais": cal?as simples e camisas simples.
Minha m?e estava com um par de adagas de a?o leve que eu nunca tinha visto. Eram curtas, com cabos de couro fino, será que s?o pra mim ?
— Você n?o vai lutar com madeira lá fora — ela disse — Guarde elas bem.
Minha m?e estendeu o punho das adagas segurando no final da lamina com as pontas dos dedos. — Pegue — disse minha m?e. Peguei as adagas, e pela primeira vez, senti o peso de uma lamina de verdade.
Assim que coloquei as adagas na cama ao meu lado, logo em seguida ela me abra?ou, um abra?o apertado, era incomum abra?os assim vindo da minha m?e, o abra?o durou tempo demais.
— Eu n?o queria que fosse assim, Kaelen. — minha m?e sussurrou em meu ouvido
Eu tinha que responder algo as palavras sumiram da minha mente, eu nunca tinha visto minha m?e tensa e nervosa antes, o nosso futuro a partir de hoje era incerto, eu tenho que responder algo que ela se sinta menos preocupada. — Eu vou ficar bem, M?e — eu respondi, era clichê, mas funcionava.
Alguns minutos depois, meu pai voltou, carregando dois sacos nos dois ombros, os sacos pareciam estar cheio de suprimentos e roupas
— Vocês já est?o prontos ? — Ele disse
— Estamos — Disse minha m?e
O clima parecia que alguém tinha morrido estava pesado e tenso. Saímos pela porta da frente. O ar estava gelado, a neve ainda caía, meu pai saiu na frente como um líder. — Me esperem aqui, irei buscar o cavalo. — disse meu pai desaparecendo em meio a neblina de neve.
N?o demorou muito para que meu pai retornasse guiando dois cavalos, n?o sabia que tínhamos cavalos, será que dá cavalgar nesse tempo ? n?o me lembro de ter andado de cavalo na minha vida passada, vai ser uma nova experiência para mim.
Minha m?e foi ajudar meu pai a amarrar os sacos na garupa de um dos cavalos, n?o tinha muito o que eu fazer, ent?o só fiquei assistindo.
— Vamos Kaelen, escolha um cavalo e suba. — disse meu pai
Escolhi ir com minha m?e, confiava nas habilidades dela de espadachim, n?o quero vacilar.
Consegui me ajeitar no cavalo. Era estranho. Nunca tinha andado a cavalo na minha vida passada, e ter que fazê-lo agora, sob a neve e a urgência, seria uma nova e desconfortável experiência.
Minha casa n?o era mais meu refúgio. Estou a deixando, e talvez n?o possa voltar mais. Guerras s?o ruins e desnecessárias, mas minha casa agora era um passado que eu tinha que deixar para trás
Meu pai montou no segundo cavalo, os cavalos come?aram a andar lentamente. — Nós voltaremos — meu pai disse, embora sua voz n?o soasse totalmente convencida.
Minha m?e balan?ou a cabe?a, a escurid?o da noite e a neblina da neve nos engoliram.
A jornada havia come?ado,n?o imaginei que minha primeira miss?o fosse uma guerra, minhas esperan?as eram mínimas, mas n?o quero morrer novamente, muito menos perder essa segunda chance, o perigo chegou.
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Cavalgamos por quase uma hora. N?o dava para ver a estrada por conta da camada de neve, o frio n?o era o pior inimigo,o pior inimigo era o silêncio. Eu estava segurando a minha m?e o caminho todo, estava com muito frio, tentava me aquecer mas era inútil.
— Pai, para onde estamos indo exatamente? — perguntei
— Estamos cortando caminho pelo Bosque das Cinzas, Kaelen — meu pai respondeu. — é a rota mais rápida.
O Bosque das Cinzas. Eu tinha lido sobre isso, era um bosque perigoso, ligado a antigas lendas de goblins hostis e criaturas sombrias que se escondiam nas árvores. Isso era o que lembrava.
No mesmo instante, o silêncio foi quebrado por um barulho. N?o era o vento. Era um som como galhos secos quebrando na floresta à nossa esquerda.
Meu pai parou o cavalo imediatamente.
— Monstros!!! — Gritou meu pai
Antes que eu pudesse deslizar do cavalo, uma sombra cinzenta saltou da beira da estrada. Era uma criatura baixa brandindo um machado de pedra.
Goblins. O que li era real.
— Goblins Manta Vermelha!!! — Meu pai gritou
Após o grito do meu pai, três criaturas, ligeiramente maiores e com armaduras de couro rasgadas, saíram da neblina, bloqueando a estrada à frente.
— Kaelen, n?o saia de perto!! — meu pai berrou, erguendo as m?os para lan?ar um feiti?o.
Eu deslizei do cavalo, que empinou assustado, e puxei de um dos sacos uma das adagas de a?o que minha m?e havia me dado. Meu cora??o batia t?o forte que parecia que sairia pela boca. Era real eu estava apavorado
Três Goblins vieram na dire??o do meu pai, apareceu um ser esguio pequeno com uma espada que veio direto para mim.
Eu tentei lutar com a adaga, lembrando do treino da minha m?e, mas o Goblin era rápido demais. A espada dele bateu na adaga, a arremessando na neve. Antes que eu pudesse reagir, o Goblin me deu um soco no rosto.
A dor me atingiu rapidamente, cai sentado no ch?o, assim que abri os olhos vi um vulto marrom e a cabe?a do goblin caindo, com outro piscar de olhos minha m?e apareceu na minha frente segurando uma espada, a espada estava pingando uma cor preta da lamina, a lamina estava com uma mancha preta.
— Levante Kaelen, Lute, seja forte!! — Gritou minha m?e lutando contra dois goblins
Tenho que lutar para sobreviver, tenho que ser forte, é só fazer o que aprendi com os treinos com minha m?e
Eu me levantei motivado, tudo estava coberto de neve e neblina densa, procurei a adaga em minha volta, ela estava no ch?o ao meu lado. Olhei ao redor. Meu pai estava de costas para minha m?e soltando magias de fogo, enquanto minha m?e dava refor?o, ele parecia estar dando cobertura para ela.
Os Goblins s?o numerosos. Havia um circulando sorrateiramente tentando acertar minha m?e em ponto cego. Minha m?e estava focada em três que a atacava repetidamente, meu pai estava virado de costa para ela, murmurando feiti?os e lan?ando bolas de fogo
Eu agarrei a adaga, minha mente gritava para correr para longe dali, mas meu corpo insistia em ficar, sentia perigo constante.
Corri.
Corri atrás do Goblin que estava sorrateiramente indo em dire??o à minha m?e. N?o houve tempo para gritar, nem para pensar, foi puro instinto.
O Goblin virou quando cheguei perto dele, mas já era tarde demais,eu cravei a adaga no peito do goblin, a lamina entrou com uma facilidade impressionante o Goblin n?o gritou, soltou apenas um murmúrio e caiu de joelhos na neve, soltando o pequeno machado.
Eu recuei imediatamente, ofegante. O cheiro da carne queimada pelo feiti?o do meu pai exalava no ar, o Goblin Cinzento permaneceu ajoelhado por um segundo, e depois tombou de lado. O corpo ficou imóvel na neve, e a mancha escura do seu sangue come?ou a se espalhar.
Eu o matei.
Eu tirei uma vida. N?o tinha como contornar a situa??o? Eu sou um assassino, minhas m?os tremem.
Eu n?o era um herói.
Meu corpo congelou. Eu n?o ouvia mais a luta, minha consciência está pesada.
Eu falhei com aquela disciplina de ser um bom mo?o que jurei, nada podia apagar a vida que eu tinha tirado. Naquele instante, n?o havia um mundo de fantasia perfeito. Havia apenas a realidade fria. Eu me tornei um monstro também.
Escutei um grito — KAELEN!! — N?o consegui saber quem era, n?o conseguia me mover, estava em choque. — KAELEN!!!
Me virei lentamente em dire??o ao som. Era minha m?e.
Ela estava coberta de neve e com a respira??o ofegante, mas estava de pé, a espada ainda pingava o líquido escuro dos Goblins. Ao redor dela e do meu pai, os corpos dos Goblins Cinzentos imóveis na neve. Eles haviam vencido.
Meu pai estava encostado em uma árvore, com a m?o pressionada contra o ombro, provavelmente ferido, mas vivo.
Minha m?e correu na minha dire??o, parecia estar agitada. — Kaelen! Você está bem? O que aconteceu?!
Ela chegou até mim e me segurou, examinando meu rosto, onde o incha?o do soco do Goblin já estava se formando. Minha m?e viu o Goblin morto. Ela n?o disse nada sobre ele, apenas me puxou para perto.
Senti o calor dela. Pela primeira vez em dez minutos, o medo foi substituído por uma sensa??o de paz e seguran?a. Estávamos bem. Havíamos sobrevivido.
— Você que matou Kaelen? — Perguntou minha m?e
— Sim — eu disse. — Ele estava ca?ando um ponto cego de vocês enquanto vocês prestavam aten??o em outros Goblins.
Minha m?e me encarou, ela n?o tinha um olhar de felicidades, ela estava estranha.
— Você fez o que tinha que ser feito filho. — ela disse, a voz baixa. — Mas... n?o se acostume com isso.
Minha m?e se levantou, se afastou e olhou ao redor. A neblina estava ficando mais fraca
— N?o há mais Goblins. Theron! — ela gritou.
Meu pai que estava encostado em uma árvore próxima, se desencostou e caminhou até nós, mancando, mas vivo.
— Meu ombro está deslocado, mas nada que uma magia de cura n?o resolvesse. Eles se foram.O Bosque continua perigoso. — Meu pai olhou para mim, ele n?o disse nada, apenas assentiu com a cabe?a.
— Vamos, temos que sair daqui, o rei está nos esperando. — disse meu pai — Onde está o cavalo ?
O cavalo correu para as proximidades, ele provavelmente n?o estava muito longe, minha m?e e meu pai foram procurar eles enquanto eu vigiava os sacos que caiu dos cavalos.
Aquele Goblin morto era a prova de que o mundo n?o era fantasia e que meu ideal de ser o "mocinho que só faz o bem" estava errado, o meu ideal tinha sido esmagado pelo primeiro ato de sobrevivência. Eu estava vivo, mas a culpa era o meu novo fardo.
Depois de um tempo meu pai e minha m?e voltaram com os cavalos e amarramos as coisas que soltaram quando os cavalos estavam agitados e voltamos para a estrada.

