Boa tarde meus leais leitores, como prometido (nem tanto por que estrapolei um dia...) a parte 2 do capítulo 10 ??
As primeiras luzes da manh? filtravam-se timidamente pelas frestas da janela, desenhando riscos dourados sobre o antigo tapete estendido no ch?o. Shade despertou devagar, cada músculo protestando contra o movimento. A noite fora curta e inquieta, interrompida por pesadelos onde chamas dan?avam com sombras em um eterno conflito. Ela ainda sentia o eco do calor do vale incandescente em sua pele, uma memória térmica que se recusava a dissipar.
Kairn já estava acordado, sentado à mesa rústica da cozinha com uma xícara de chá de jakis (provavelmente) entre as m?os. O vapor subia em espirais prateadas, carregando um aroma amadeirado e minimalista que Shade come?ava a associar com ele.
— Você dormiu? E também, se n?o vai tipo... Apagar com isso?
Disse Shade, erguendo-se com cuidado.
— "O suficiente"
respondeu Kairn. Mas seus olhos se dissiparam sobre o fogo que era sua pele dizia outra coisa.
— "A casa esteve... inquieta. Sonhei com as árvores ígneas cantando em uma língua estranha."
Sombra mudou-se da janela. Lá fora, o bosque de troncos negros e folhas metálicas pareciam diferentes sob a luz da manh?, qmenos amea?adores, mas n?o menos envolvidos. As veias translúcidas nas árvores brilhavam com menos intensidade, como se estivessem conservando energia.
— *suspiro* Eles ainda est?o lá fora, n?o est?o?
Disse sombra, sem se virar.
Kairn concordou, juntando-se a ela na janela.
— "A patrulha n?o desistiu. Podemos ter escapado ontem, mas deixamos um rastro de perguntas n?o respondidas. E o Conselho de Ferro n?o gosta de incógnitas."
Shade observou seu reflexo no vidro, cabelos desalinhados, olhos alertas, a postura tensa de alguém que sempre espera o ataque.
— Precisamos treinar
disse sutilmente.
— Se vamos enfrentá-los, preciso saber até onde posso confiar no seu fogo... e você precisa saber até onde posso confiar na minha prote??o.
Kairn examinou seu rosto por um momento, ent?o um sorriso lento apareceu em seus lábios.
— "O pátio dos fundos é seguro. As árvores sigillis formam uma barreira natural contra... acidentes pirotécnicos."
O "pátio" era, na verdade, uma clareira circular natural, um anel perfeito aberto no cora??o do bosque ígneo. O ch?o negro e flexível sob seus pés parecia mais denso ali, quase como um músculo consciente, absorvendo e contendo toda a energia dispersa. árvores ígneas de troncos negros e folhas metálicas formavam uma muralha viva ao redor do espa?o, seus troncos inclinando-se sutilmente para dentro, como espectadores velhos e curiosos. A ar acima da área de treino tremeluzia visivelmente, ondulando com o calor intenso que era ali contido e reciclado, criando uma atmosfera abafada e expectante, como se o próprio local estivesse à espera do que iria acontecer.
Shade sacou seu bico, uma arma realmente com um formato de bico de corvo, podendo ser usado como golpes de estocada, e elegante. (Se quiserem, eu deixo a foto do bico no comentário se der) O metal tinha uma qualidade fora do comum para algo achado no lixo. Ele parecia estar sempre faminto por energia.
— "Mostre-me o que pode fazer"
disse Kairn, assumindo uma postura relaxada mas alerta no centro do claro.
Shade lan?ou primeiro, um movimento teste para medir sua ocorrência. Kairn desviou com facilidade, suas m?os já brilhando com calor concentrado.
— N?o me poupe...
ela insistiu.
— Preciso ver tudo que o senhoril tem...
Kairn respirou fundo, e quando exalou, um anel de fogo surgiu ao seu redor - n?o as chamas selvagens que Shade esperava, mas algo mais controlado, quase líquido em seus movimentos.
— "O fogo n?o é apenas destrui??o..."
Ele explicou, enquanto as chamas dan?avam em padr?es complexos ao seu redor.
— "é transforma??o!"
Shade avan?ou novamente, desta vez com mais for?a. Seu bico furou o ar, e quando encontrou as chamas de Kairn, algo extraordinário aconteceu, o metal da arma, brilhou com uma luz prateada, absorvendo a energia térmica. Em vez de queimadura, a lamina ficou quente ao toque, mas n?o o suficiente para soltar.
— "Interessante... Lápis sigillis como material de arma..."
murmurou Kairn, seus olhos observando o brilho residual do metal.
— "O sigillis n?o apenas resiste ao fogo... ele se alimenta dele."
Ele contra-atacou, lan?ando bolas de fogo concentradas que Shade desviou ou absorveu com seu bico. Cada impacto deixava a arma mais quente, mais viva em suas m?os. Ela podia sentir uma estranha sinfonia entre o metal e as chamas, n?o uma batalha, mas uma dan?a antiga.
— Está segurando... Incrível...
disse Shade, sentindo o peso crescente do bico.
— Mas por quanto tempo?
— "Todo material tem seu limite"
respondeu Kairn, criando uma parede de chamas entre eles.
— "Até mesmo o sigilo. A quest?o é: você consegue sentir quando está perto do ponto de ruptura?"
Shade fechou os olhos por um momento, concentrando-se na arma em suas m?os. O metal parecia cantar baixinho, uma vibra??o quase imperceptível que mudava conforme absorvia mais energia.
— Está... feliz?
disse ela, surpresa com a can??o do bico.
Kairn riu, um som genuíno e despreocupado que soava estranho vindo dele.
— "Os pyros que trabalharam nas minas de sigillis sempre disseram que o mineral tem uma certa consciência por sua can??o. Meu pai costumava dizer que ele "escolhe" seu portador, eu n?o acho isso, diria que é que o portador escolhe como deseja o usar, ele sempre me chamava de ignorante... Bons tempos."
A luta contínua, tornando-se menos um conflito e mais uma conversa, cada movimento uma pergunta, cada contra-ataque uma resposta. Shade aprendeu os padr?es do fogo de Kairn, como ele se movia e respirava, enquanto ele estudava como ela usava o bico n?o apenas como arma, mas como escudo e canal.
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Em um movimento particularmente ousado, Kairn criou uma armadura de chamas ao redor de seu corpo, n?o para queimar, mas para se proteger. Shade respondeu girando seu bico em um arco perfeito, criando um vórtice temporário que dissipou as chamas momentaneamente.
Ambos pararam, ofegantes. Suas respira??es formavam nuvens no ar quente do claro.
— "Você é... diferente de qualquer um que já lutei"
Admitiu Kairn, deixando suas chamas se dissipar.
Shade baixou seu bico, sentindo o metal gradualmente esfriar em suas m?os.
— "O sentimento é mútuo. A maioria dos pyrokinéticos que encontrei só sabiam queimar."
Ele se aproximou, estudando o bico com interesse genuíno.
— "Posso?"
perguntou, estendendo a m?o.
Hesitante, Shade entregou a arma. O momento que as m?os de Kairn tocaram o metal sigillis, algo estranho aconteceu, veios de luz percorreram a arma, como se reconhecessem seu toque.
— "Fascinante"
sussurrou ele.
— "O sigillis n?o apenas absorve calor... ele se lembra dele."
Ele devolveu a arma.
— "Cada feiticeiro do fogo que você já enfrentou... parte de sua assinatura energética está armazenada neste metal."
Shade olhou para o bico com novos olhos.
— é por isso que eu comecei a prever seus movimentos? Porque a arma já "aprendeu" padr?es similares?
— "Provavelmente (??? ?▽? ???;?)"
Kairn sorriu, mas seu sorriso desapareceu quando um som estranho ecoou da casa.
— "Eles encontraram nós."
A transi??o da calma para o perigo foi brutal. Dois pyros armadurados irromperam na clareira, suas armaduras cinzentas do Conselho de Ferro refletindo a luz de forma quase ofuscante. Os capacetes ocultavam completamente os rostos, transformando-os em espectros metálicos.
— "Kairn de Emberwood"
A voz do líder soou metálica, cortante.
— “Você está violando o Edito de Conten??o… e ignorando o código moral dos supervisores.”
Kairn se plantou firme entre Shade e os soldados, o cora??o queimando de indigna??o.
— “Eu e ela n?o fizermos nada! Nada que mere?a ser marcado pelo planeta… ou ser levado àquilo que chamam de pulo do polo!”
Seus olhos ardiam com desafio.
— “Digam ao Conselho: n?o me submeterei àquilo, depois de todos estes anos de servi?o!”
O segundo soldado desviou o olhar para Shade, a voz carregada de desdém.
— “E a primeira marcada? Ela n?o se parece com um pyro… Mais uma prova…”
Ele rabiscava algo em um pequeno bloco, como se cada palavra sela-se o destino deles.
Shade apertou o bico, o peito tremendo. A raiva come?ava a ferver, amea?ando escapar.
A luta que se seguiu foi completamente diferente do treino. Estes n?o eram oponentes testando limites, mas profissionais tentando incapacitá-los. Kairn lutou com conten??o feroz, suas chamas sempre controladas, nunca letais. Shade percebeu que ele estava evitando feri-los seriamente, mesmo quando eles n?o mostravam a mesma restri??o.
— "Eles só est?o seguindo ordens!"
gritou Kairn, desviando de uma pedra minúscula de lápis o acertasse.
— "E nós estamos seguindo instinto de sobrevivência!"
Shade respondeu, usando seu bico para criar uma "barreira" entre eles e os soldados.
Foi ent?o que o terceiro homem se revelou: um usuário de sombras, surgindo das trevas projetadas pelas árvores. Seus movimentos eram fluidos, imprevisíveis, completamente diferentes dos soldados anteriores.
— “Um usuário de sombras… Eles est?o apelando para isso nos soldados… Filhos da puta… e tantos deles têm filhos…”
sussurrou Kairn, os olhos finalmente mostrando preocupa??o genuína.
— “O Conselho está levando isso mais a sério do que pensei…”
A mera presen?a dele era suficiente para deixar claro: aquele n?o era um poder qualquer. Havia algo errado, perigoso, no que o Conselho estava fazendo em seus soldados.
O Ca?ador moveu-se com velocidade sobrenatural, suas próprias laminas sombrias parecendo engolir a luz ao seu redor. Shade descobriu que seu bico era menos eficaz contra essas armas, o sigillis absorvia energia térmica, n?o escurid?o.
— "Precisamos recuar!"
gritou Kairn, criando uma explos?o controlada de fogo que for?ou o Ca?ador a recuar momentaneamente.
— Para onde?!?!!?!!
Shade perguntou, bloqueando outro ataque do soldado regular.
— "A casa tem... passagens. Meus pais as construíram para emergências."
Eles lutaram em retirada, movendo-se em sincronia que surpreendeu até eles mesmos. Shade cobria os pontos cegos de Kairn enquanto ele canalizava mais poder para manter seus perseguidores à distancia. O bico em suas m?os agora brilhava constantemente, tendo absorvido tanto energia que parecia quase vivo.
Dentro da casa, Kairn levou-a para uma sala que Shade n?o tinha visto antes - aparentemente um estudo, com paredes cobertas por estantes de livros e diagramas estranhos. Ele pressionou uma sequência de ladrilhos no ch?o, e uma se??o da parede deslizou para revelar uma escada descendente.
— "Os túneis levam para as antigas minas de sigillis"
ele explicou, enquanto a passagem se fechava atrás deles.
— "O Conselho n?o ousará nos seguir lá."
— Por que n?o?!
perguntou Shade, ainda ofegante da luta.
Kairn acendeu uma chama em sua palma, iluminando o túnel de pedra à sua frente.
— "Porque as minas s?o... temperamentais. Elas reagem imprevisivelmente à presen?a de magia. Especialmente magia n?o contida como a minha."
Eles desceram em silêncio por vários minutos, a única luz vindo das chamas controladas de Kairn e de seu corpo, e do brilho suave do bico de sigillis de Shade que se perdia ao longo do tempo. O ar esfriava quanto mais profundamente iam, perdendo o calor reconfortante que caracterizava a superfície.
— Lá em cima...
Shade disse finalmente, quebrando o silêncio.
— "Por que você n?o os feriu? Eles n?o mostraram a mesma considera??o..."
Kairn parou, sua express?o sombria à luz tremeluzente.
— "Por muito tempo, o Conselho pintou usuários de magia como monstros, imprevisíveis, perigosos. Cada vez que um de nós confirma seus medos, torna mais difícil para os outros. Meus pais... eles acreditavam que poderíamos coexistir. Que nosso fogo poderia aquecer, n?o apenas queimar."
Shade estudou seu rosto, a determina??o, a dor n?o resolvida, a esperan?a teimosa.
— "Seus pais... eles n?o est?o mais aqui, est?o?"
Kairn balan?ou a cabe?a, continuando a caminhada.
— "O Conselho os levou quando eu era jovem. "Reeduca??o", chamaram. Nunca mais os vi..."
O túnel abriu-se em uma caverna vasta, e Shade prendeu a respira??o. Cristais de sigillis cresciam das paredes como flores congeladas, cada um brilhando com sua própria luz interna. O ar zumbia com energia contida.
— Uau
ela sussurrou, sua voz ecoando estranhamente na camara.
— "Sim"
concordou Kairn, olhando ao redor com uma express?o de reverência.
— "Esta é uma das camaras vivas. O cora??o das minas."
Shade aproximou-se de um dos cristais maiores, estendendo a m?o mas sem tocá-lo.
— "Eles... cantam"
disse ela, surpresa. Era um zumbido baixo, quase além da audi??o, mas inconfundível. Cada nota parecia dan?ar no ar, leve e cintilante, como pequenas campainhas invisíveis. Havia um ritmo próprio, alegre e saltitante, que parecia brincar entre as folhas e galhos, comunicando curiosidade, alegria e até um toque de travessura. O som n?o era apenas ouvido, era sentido, vibrando no peito, lembrando que, por mais estranho que fosse aquele mundo, havia vida e alegria em cada canto escondido.
— "Sempre me perguntei se outros poderiam ouvir"
disse Kairn suavemente.
— "Meus pais podiam. A maioria n?o."
Ela se virou para enfrentá-lo.
— O que acontece agora?
— "Agora..."
ele respondeu, sentando-se em uma rocha plana no centro da camara
— "nós esperamos. O Conselho eventualmente recuara, mas n?o antes de enviar mais ca?adores. Precisamos de um plano."
Shade sentou-se próximo a ele, seu bico agora brilhando em uníssono com as pedras da sua ra?a ao redor.
— Eu n?o sou boa em planos. Sou melhor em reagir.
A voz brincou depois de muito tempo calada
— "FUGIR*******"
— (Pensamento) Vai se fude
— "também ti amu fofa ??"
Kairn sorriu.
— "Ent?o talvez sejamos uma boa equipe. Eu penso demais, você n?o pensa o suficiente."
— Hey!
— “Gostei desse cara.”
A voz comentou, surgindo do nada em sua cabe?a.
— (pensamento) Cala boquinha, cala?
ela protestou, mas sem verdadeira raiva de nenhum dos dois.
Ele riu, um som genuíno que ecoou pela mina. Pela primeira vez desde que se conheceram, Shade sentiu que estava vendo o verdadeiro Kairn, n?o as máscaras que ele mostrava ao mundo.
Seus olhos encontraram os dela, e o momento se esticou, carregado de algo n?o dito. O brilho dos minerais parecia aumentar, como se respondendo à tens?o entre eles.
— "Shade..."
ele come?ou, mas foi interrompido por um som de penetra??o vindo do túnel por onde tinham vindo.
Eles se levantaram em uníssono, assumindo posi??es de luta. Mas, em vez de soldados, o que emergiu da escurid?o foi uma única figura: uma mulher mais velha, construída por chamas e cinzas, como se seu corpo fosse moldado por fogo sólido e partículas flutuantes de carv?o. Os cabelos prateados se dissolviam em fuma?a, e seus olhos brilhavam com a mesma luz laranja intensa que os de Kairn, irradiando calor e energia em cada movimento.
— "Tia Morwen?"
Kairn sussurrou, seu choque é evidente.
A mulher falou, seus olhos passando de Kairn para Shade, ent?o para o bico brilhante em suas m?os.
— "Parece que você encontrou uma portadora de uma arma interessante, sobrinho. Os sonhos foram certos, como sempre."
Shade olhou entre os dois, sentindo que o ch?o tinha mudado sob seus pés mais uma vez.
— "Quem é ela, Kairn?"
Antes que ele pudesse responder, Morwen estendeu a m?o em dire??o ao bico de Shade.
— "Posso? Faz tanto tempo desde que segurei uma arma de porte t?o interessante quanto."
Hesitante, Shade entregou uma arma. No instante em que as m?os de Morwen tocaram o metal, os cristais em toda a camara explodiram com luz, banhando o espa?o em brilho multicolorido.
— "Ah"
disse Morwen, seus olhos se iluminando com entendimento.
— "é por isso que os sonhos me trouxeram aqui. N?o é só sobre você, Kairn. Nunca foi."
Ela evoluiu o bico para Shade, que sentiu uma corrente estranha percorrendo seu bra?o ao pegá-lo. O metal agora parecia mais quente, mais vivo do que antes.
— "O que está acontecendo?"
perguntou Kairn, confuso.
Morwen falou misteriosamente.
— "O sigillis escolheu sua portadora por uma raz?o, sobrinho. E o fogo dentro de você queima por um propósito maior do que você sabe. Os dois juntos... bem, isso é uma história que mal come?ou a ser contada."
Seus olhos encontraram os de Shade.
— "E você, minha cara... você carrega mais do que apenas uma arma. Você carrega uma chave. A quest?o é: você tem coragem de girá-la?"
— fala português por gentileza..? '-'
Na superfície, acima deles, os filhos da persegui??o continuaram. Mas aqui, na minha cantante, Shade sentiu que tinha tomado uma decis?o sem mesmo perceber. Suas jornadas foram entrela?adas agora, seu destino ligado ao de Kairn, e ao planeta estranho e vivo que ambos chamavam de lar.
Ou...
Foi um azar gigantesco...?

