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A jane é muito pequena e deixa apenas alguns raios de luz entrarem para iluminar meu caderno. Está coberto de poeira, o que me faz querer espirrar. Embora eu goste de aprender com a tia Liora, odeio escrever essas cartas. N?o sou muito boa em escrever, e isso me frustra.
Ou?o um barulho alto e sinto meu ouvido zumbindo. Levanto a cabe?a e olho ao redor, mas parece que era só coisa da minha cabe?a. Tudo o que vejo s?o paredes descascadas e manchas de umidade. Suspiro com a distra??o e volto minha aten??o para minha tarefa.
O ch?o de cimento é muito áspero, e n?o há onde sentar, ent?o tenho que me ajoelhar aqui. Isso me incomoda e quebra meu foco — a sensa??o é muito aguda, dói.
—Droga.— murmuro baixinho, ajustando minha posi??o. Apoio meu caderno no velho papel?o que encontrei perto de casa, cruzo as pernas e me acomodo, usando o lápis que a tia Liora me deu para terminar minha carta.
A gramática é terrível, tenho certeza, mas ainda n?o consigo me concentrar o suficiente para consertar. Espero que a tia Liora n?o me repreenda.
Fecho o caderno com o lápis enfiado entre as páginas e me levanto. Olho ao redor do quarto da tia Liora e pego meu caderno e o papel?o. Tia Liora é mais pobre do que eu e minha m?e, mas e é mais educada. Eu n?o entendo.
—Tia Liora! Terminei minha tarefa!— grito, pundo e apertando o caderno e o papel?o contra o peito. Corro levemente para a frente e abro caminho pe casa da tia Liora.
Ou?o passos suaves — estou indo em dire??o à cozinha e vejo a tia Liora cortando um peda?o de p?o queimado. Tem cheiro de trigo e carv?o, um pouco sujo, mas também delicioso.
—Tia Liora! Terminei minha tarefa!— Comemoro, erguendo o caderno em sua dire??o enquanto me aproximo.
Tia Liora sorri rgamente. O cabelo de é t?o lindo, cacheado como nos contos de fadas, cro e castanho. Felizmente, os céus s?o justos — e tem um rosto muito feio. Cro, eu nunca diria isso a e. Eu te amo, tia Liora! Eu amo sua feiura!
—Rei, você já terminou? Que garota inteligente você é.— E me elogia com um sorriso, e eu me sinto orgulhosa de mim mesma, culpada por achar que e é feia. —Traga o caderno aqui e pegue um peda?o de p?o.
Meus olhos se arregam, a boca salivando. Corro o mais rápido que posso, entregando a e o caderno e esticando minhas m?os depois de limpá-s em minhas roupas para tirá-s do pó.
—Obrigada, tia!— Sorrio, imaginando o gosto daquele p?o grosso e marrom queimado. Mesmo que tenha gosto de massa crua, ainda será delicioso.
Tia Liora coloca um peda?o grosso de p?o em minhas m?os, e eu o mordo assim que ele toca meus dedos. Sinto sua m?o na minha cabe?a, acariciando meus cachos crespos, e sorrio para e.
—Adorei o p?o! Obrigada, tia.— Eu rio de boca cheia. O p?o tem gosto de massa crua doce e é delicioso, embora a crosta esteja completamente carbonizada e tenha um gosto horrível.
—De nada, Rei.— E continua afagando minha cabe?a, ent?o para. O rosto da tia Liora parece estranho depois que e olha pe jane da cozinha.
—O que foi, tia?— murmuro depois de enfiar o resto do p?o na boca. Estava uma delícia—pena que meu peda?o era t?o pequeno.
—Rei… Eu vi algo estranho. Você deveria ir para casa.— E abaixa a voz, espiando para fora. Há um som fraco de veículos em meus ouvidos—pensei que fosse só minha imagina??o, mas n?o parece. —Vá para casa, Rei.
Tia Liora parece ansiosa. E me devolve meu caderninho e papel?o. Olho para e, hesitante, ent?o aceno.
—Estou indo, tia Liora.—
E acena e me acompanha até a porta. Todas as casas lá fora parecem cobertas de fuma?a e poeira. é estranho — há um cheiro forte de ferrugem.
—Rei, n?o fale com ninguém e vá direto para casa.— As pavras de me assustam. Meu cora??o dispara, e eu concordo ferozmente.
—Ok, já vou, tia!— respondo antes de correr em dire??o à minha casa com meu caderno. Há fuligem no ar, me fazendo tossir um pouco.
Minha casa n?o é longe, ent?o, depois de alguns passos, chego à porta e entro. Minha m?e me puxa para dentro e tranca a porta.
—Reinelle! Onde você estava?— Sua voz é cortante, e e parece chateada com alguma coisa.
Estou assustado e surpreso.
—Eu estava estudando com a tia Liora…— Eu disse a e esta manh?—e esqueceu?
E parece se lembrar e rexa, me abra?ando e suspirando.
—Desculpa, querida. Eu esqueci por um momento. N?o aconteceu nada lá fora, certo?— Eu ban?o a cabe?a, sem saber realmente o que está acontecendo hoje.
—N?o… Zane está com você?— Abro a boca, olhando ao redor em busca de Zane enquanto encaro o ch?o. Ele deveria estar tirando seu cochilo da tarde.
Minha m?e assente e suspira.
—Sim. Ele está comigo.— E sorri levemente, ent?o suspira novamente baixinho. Eu me agarro a e, já que e parece chateada.
—Hoje, eu escrevi uma carta!— Seu rosto se ilumina quando eu digo isso, e e acaricia meu cabelo, segurando minhas costas e me acariciando. Seus olhos brilham enquanto eu falo.
Mam?e adora quando aprendo coisas novas. Por que e n?o sabe ler?
—Sério? Eu queria saber ler—você consegue ler sua carta para mim, Rei?— Mam?e dá um tapinha gentil na minha cabe?a, e eu concordo, me aconchegando em seus bra?os.
Ent?o uma sirene alta soa, fazendo o zumbido retornar aos meus ouvidos. é horrível — dói. Pe jane, vejo um veículo pousando em uma área vazia.
—M?e… o que é isso?— Antes que eu possa olhar direito, mam?e pressiona minha cabe?a contra seu peito e me abra?a forte.

