O sal?o parecia respirar com as duas guerreiras.
As luzes dos vitrais, em sua luz pulsante e errática, dan?avam como testemunhas febris da batalha, lan?ando um caleidoscópio de cores por todos os lados. O cheiro do suor misturava-se ao aroma metálico do sangue que come?ava a pingar de pequenos cortes abertos, criando um ambiente denso e sufocante.
O som da arma de Ana raspando no ch?o ecoou como o primeiro trov?o de uma tempestade iminente.
Ela atacou com um salto curto, e sua lamina longa descreveu um amplo arco descendente mirando diretamente na cabe?a de Natalya. Era feroz e trai?oeiro, e utilizava ao máximo seu próprio peso para aumentar o poder destrutivo. Era um golpe claramente calculado, mas também possuia for?a e a imprevisibilidade de um lobo atacando a presa.
A Colecionadora bloqueou com ambas as laminas curvas, mas a for?a do impacto reverberou em seus bra?os. Antes que pudesse retaliar, Ana agachou-se em um movimento inesperado, girando a lamina sobre si como se desenhasse um círculo no ar.
Com o novo golpe vindo em sua dire??o, Natalya permaneceu imóvel até o último instante, quando, com um movimento minimalista perfeito, desviou o ataque, como se fosse tudo apenas parte de sua coreografia. Para sua surpresa, calculou mal a extens?o da arma, e a ponta da lamina cortou levemente sua cal?a, arrancando um grande peda?o de tecido.
“Ela está mais selvagem”, pensou a mulher metálica, antes de logo contra-atacar com um golpe direto e veloz, mas Ana, em vez de recuar, avan?ou com outro golpe. “n?o hesita mais... Está disposta a matar ou morrer”.
Ana permitiu que o ataque perfurasse sua armadura, mas antes que fizesse mais do que machucados superficiais, girou o corpo, alterando a trajetória da lamina por completo. O tranco do giro fez Natalya ir involuntariamente para o lado, e a rainha aproveitou para mudar a dire??o de sua lan?a, fazendo o cabo da arma colidir com for?a contra as costelas de sua oponente. A colecionadora cambaleou um passo para o lado em um pequeno deslize dos pés.
Mas ela n?o era um alvo fácil. Apesar de quase cair, absorveu os impactos com movimentos graciosos, transformando o recuo for?ado em passos que redirecionavam sua energia, a permitindo girar sobre o próprio eixo, momento no qual baixou a m?o com for?a, lan?ando a arma negra para longe que a atingira para longe.
O impulso fez os bra?os de Ana virarem bruscamente para trás, mas apertando a empunhadura com for?a, a guerreira mascarada n?o permitiu que a arma escapasse de suas m?os. Fluidamente, voltou a atacar na dire??o oposta.
Assim, novamente elas se chocaram, laminas contra laminas, o som ressoando como um sino de guerra.
N?o havia espa?o para palavras, apenas centenas de pensamentos que se perdiam em rápidas encaradas. O som de metal e o impacto contra o a?o era a única conversa real entre elas. Era uma cena intrigante, já que um caloroso sorriso nunca deixou suas selvagens faces.
A luta estava em um aparente impasse: respiravam, atacavam e logo saltavam para trás após cada intercepta??o de golpes.
Natalya tomava a iniciativa grande partes das vezes, e suas laminas acopladas — uma extens?o natural de seu corpo — se moviam em padr?es precisos, quase hipnóticos. Cada golpe media Ana, testando suas defesas com uma elegancia fria. Ana desviava com giros e passos largos, sua arma navegando ao redor de seu corpo em constante movimento para redirecionar estocadas que passavam a milímetros de sua pele.
A arma grande era inconveniente, mas ao mesmo tempo sua melhor defesa. Era t?o grande que, quando bem manuseada com um agarre diretamente no corpo da arma, permitia que as armas duplas de sua oponente fossem defendidas simultaneamente, deslizando por seu corpo afiado, sendo aparadas por completo quando chegavam à empunhadura.
Em meio ao incansável enfrentamento, uma das laminas de Natalya deslizou perigosamente perto do ombro de Ana, rasgando parte de sua capa, e foi quando uma abertura finalmente foi vista.
Ana subiu rapidamente a lan?a-espada. O golpe parecia simples, bruto, mas foi quando suas m?os repentinamente soltaram o cabo que sua ferocidade finalmente se mostrou. A arma voou, seguindo a trajetória na qual foi deixada, e a finta pegou Natalya de surpresa, fazendo-a se defender tarde demais, pois um cotovelo coberto por um acessório de metal que brilhava com runas acertou seu queixo com for?a.
Ela recuou cambaleando, mas n?o perdeu o controle. Com um movimento bem pensado, as laminas em seus bra?os fizeram um estranho som, e ent?o se soltaram em dire??o às suas m?os, onde tomaram o formato de duas pequenas adagas.
Os golpes que se assemelham a socos perfurantes repentinamente tornaram-se perfeitos para cortes, e de suas laminas avermelhadas finos fios de fuma?a escapavam.
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Sem uma pausa, ela se jogou novamente na luta. Seus golpes eram diferentes agora — mais rápidos, mais duros. Cada ataque parecia visar n?o apenas ferir, mas desestabilizar Ana.
Apesar disso, a rainha se adaptou ao novo estilo rapidamente. Cada vez que esquivava de um golpe, usava o próprio movimento para girar a lan?a em angulos inesperados, obrigando Natalya a também reajustar sua guarda. Infelizmente a proximidade tornou-se uma desvantagem, e durante um pequeno descuido, um fino corte foi feito em sua lateral, atravessando a brecha de sua armadura. Era superficial, mas ia das costas à barriga, com finos fios de sangue come?ando a empapar sua roupa.
Ana respondeu a inc?moda dor com uma risada baixa e rouca, lan?ando a ponta da lan?a-espada para baixo. O movimento parecia desajeitado, mas foi intencional: a lamina arranhou o ch?o, soltando faíscas que ofuscaram a vis?o de Natalya por um instante.
Foi aí que a luta tomou vida própria.
Ana era um furac?o: atacava de angulos incomuns, girava a longa arma, chutava com suas botas e até empurrava Natalya com o ombro quando as laminas colidiam. Em contraste, Natalya era o centro calmo da tempestade, seus passos precisos e refinados, suas laminas descrevendo arcos perfeitos que pareciam mais uma dan?a do que um duelo, sua postura imaculada.
N?o é como se a luta de Ana n?o fosse elegante como a de sua oponente, pelo contrário, também parecia uma obra de arte. No entanto, despertava algo primordial nos observadores, era inconscientemente notável que aquilo era o ápice do instinto. Tal luta n?o era pensada, fazia parte de quem ela era.
“Está demorando demais…”, Ana n?o p?de deixar de pensar em quanta resistência uma pessoa com partes robóticas utilizava em rela??o a si própria.
Ela estava realmente cansada, muito mais do que imaginou que estaria.
Mas e sua oponente? Aquelas respira??es pesadas eram reais?
N?o queria pagar para ver.
Assim, em um momento crítico, onde Ana bloqueava ambas as laminas de Natalya e as duas estavam próximas o suficiente para sentirem a respira??o uma da outra, uma pulsa??o escura irradiou da lan?a negra. A for?a de Ana aumentou, e pequenas veias apareceram em seu pulso direito, onde pétalas escuras chacoalharam por baixo das luvas da armadura. A escurid?o n?o era apenas visual; parecia consumir a luz ao redor, tornando o ambiente colorido algo sinistramente opressivo.
O impasse de for?a e vontade ficou mais intenso. Natalya fincou os pés no ch?o, n?o querendo ceder, até que com um empurr?o mútuo, se separaram, criando uma pequena distancia.
Com um rugido baixo, Ana fez um novo corte vertical. A energia distorceu o ar, criando uma trilha negra que ricocheteou pelo sal?o, criando uma série de finas rachaduras nos vitrais.
Surpresa, Natalya deu passos ágeis para longe tentando desviar, mas a explos?o arrancou um peda?o da estrutura metálica de suas armas, que foram arremessadas para longe sem qualquer resistência. Estavam destruídas, quebradas em sua base, já n?o capazes de serem utilizadas no duelo.
Uma nova encarada ocorreu.
Admira??o.
Temor.
Respeito.
Raiva.
Divers?o.
Ambas entendiam aquilo, e novamente a necessidade de verbalizar qualquer coisa se perdeu.
Seus peitos subiam e desciam enquanto recuperavam o f?lego. O próprio ambiente parecia exausto ao ser preenchido por tais respira??es pesadas. O suor escorria pela têmpora de Ana, e tentando puxar mais ar para dentro de si, ela removeu a máscara, a jogando próxima às escadas. Natalya passou as costas da m?o por seus óculos, ajustando-os, até que ergueu os olhos em dire??o a intacta lan?a-espada negra. Um leve e perigoso sorriso foi formado em seus lábios.
— Toda boa lamina merece um nome — comentou finalmente, a voz como um murmúrio baixo, enquanto gesticulava levemente para a lan?a. — A sua, uma lamina t?o selvagem e bela, n?o deveria ser exce??o. Merece algo digno de seu criador... e, quem sabe, de seu fim.
— Quem faria algo t?o inútil? — respondeu Ana, a voz firme, mas com uma ponta de desdém. — Minha espada é apenas isso, uma espada.
Natalya inclinou a cabe?a levemente, seus olhos avaliando a arma enquanto um sorriso provocador surgia em seus lábios.
— Uma ferramenta sem identidade… Que desperdício para algo t?o feroz.
Ana bufou, ajustando o aperto sem qualquer tra?o de emo??o além de seu intrigado sorriso.
— E o que você sugere, Colecionadora? Algo como "Destro?adora de egos"? Ou talvez "A última Palavra"?
Natalya riu suavemente, um som carregado de ironia.
— Acho que você pode pensar em algo mais elegante que isso.
Ana passou um dedo levemente pela lamina negra em um gesto carinhoso.
— Nah, ela n?o precisa disso. N?o é, minha amiga? — murmurou, os olhos fixos no metal que parecia brilhar com uma energia própria.
Uma única palavra ecoou na mente de Ana, fria e insidiosa.
"Matar."
— Eu sei, eu sei. Calma que a gente já faz isso…
Natalya arqueou uma sobrancelha pela estranha e divertida cena, mas ficou um pouco confusa.
Balan?ou a cabe?a, desistindo de pensar, e sem dizer mais nada, com um gesto teatral, jogou os tocos laminas destruídas para o lado. O som metálico ecoou pelo sal?o, enquanto os fragmentos batiam secamente no ch?o.
De sua cintura, puxou duas novas laminas, idênticas às anteriores, mas com um brilho mais intenso. Suas runas avermelhadas pulsavam suavemente, como se aguardassem para serem ativadas.
— Que seja. Eu mesmo a nomearei quando tomá-la de você.
— Bla, bla, bla — Ana balan?ou as m?os, ignorando a frase. Logo inclinou levemente a cabe?a, seus olhos avaliando as novas armas de Natalya. Suspirou, rapidamente perdendo o interesse nas pe?as práticas, mas simples. — Se realmente for capaz de me matar primeiro, ai você faz a porra que você quiser.
O intervalo de palavras chegou ao fim. Sem mais provoca??es, o confronto recome?ou.
O impacto inicial foi explosivo, e as faíscas rubras que dan?avam pelo sal?o pareciam refletir a intensidade do confronto. Cansada, Ana novamente soltou a lan?a-espada e o som do cabo batendo no ch?o ecoou pelas paredes. A Colecionadora reconheceu o movimento e, confiante, acreditou que poderia prever o próximo ataque.
Mas esse breve momento de presun??o foi tudo o que Ana precisava.
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