Estacas de pedra emergiram como lan?as, avan?ando em dire??o ao irm?o. Felipe saltou, impulsionado por cordas finas, mas fortes o suficiente para puxá-lo de imediato. Desviou com sucesso da primeira onda, porém uma das estalagmites seguintes rasgou o lado esquerdo de seu corpo, liberando faíscas e vapor.
— Nada mal. Com certeza nada mal — murmurou Felipe para si mesmo, vendo a leve marca derretida que ficou, mesmo sem Alex ter tocado diretamente a pedra que o acertara. Seguiu ent?o girando no ar, disparando projéteis energéticos em dire??o ao irm?o enquanto se enganchava em uma coluna do lado oposto do grande corredor.
— Alex, pela direita!
A voz chegou de repente, cortando o som metálico dos golpes e o zumbido dos mecanismos de Felipe. Por um breve instante, ambos os combatentes pararam, como se tivessem se esquecido da presen?a de Eva. Mas entenderam imediatamente as implica??es da frase.
Sem pestanejar, Alex se lan?ou para a direita, enquanto Felipe, for?ado pela urgência, correu na dire??o oposta, seguindo o som da voz. Eva, posicionada a uma distancia segura, já tinha uma flecha rúnica preparada. A ponta brilhante soltou um som agudo quando cortou o ar, explodindo em fagulhas no ch?o entre os dois homens. Uma cortina vermelha emergiu, cobrindo seu inimigo em chamas dan?antes.
“Fogo…?”, pensou Alex, franzindo a testa pela escolha da garota. O calor ao redor já era insuportável, e ele n?o entendeu o motivo daquilo. Pelo menos, n?o de imediato.
Foi só quando ele viu o corpo de Felipe, já incandescente, tornar-se ainda mais alaranjado que tudo fez sentido. Os dispensers de vapor do homem-máquina dispararam com mais frequência, soltando rajadas apressadas para tentar dissipar a temperatura excessiva.
"Ent?o é isso!"
Assim, ao invés de se defender, ele esperou. Ele sabia que Felipe viria direto para cima. O irm?o estava mais instável, mais agressivo. Corria, disparando projéteis de todas as armas acopladas por seu corpo enquanto avan?ava. Alex desviava dos tiros com pequenos movimentos, levantando pequenos montes de terra para aparar as balas que n?o conseguia evitar.
E ent?o, como esperado, logo veio o soco metálico.
Alex n?o recuou. Em vez disso, ele avan?ou, jogando-se contra o irm?o com toda a for?a. O impacto foi devastador, criando um sulco na lateral de seu abd?men, mas ele agarrou Felipe com um abra?o apertado, prendendo os movimentos de seu oponente. Os dois caíram juntos no ch?o, um emaranhado de golpes, chutes e impactos que reverberavam pelo sal?o. A for?a bruta de Felipe tentava rompê-lo, mas o pugilista, dando tudo de si, se manteve firme.
— Eva, agora! — gritou Alex, sua voz cheia de urgência.
— Mas eu também vou te acertar!
Alex riu, encarando-a.
Eva hesitou por um segundo, mas vendo aquele olhar debochado, ela entendeu. Ele já estava em combust?o. Um pouco mais de fogo... talvez n?o fizesse diferen?a. Ou, pelo menos, era isso que esperavam.
— Você acha que pode me parar? — Felipe gritou, sua voz metálica misturada a um som gutural enquanto compartimentos por todo seu corpo se abriram. Laminas afiadas dispararam, perfurando profundamente o torso e os bra?os de Alex.
A dor era excruciante, mas o guerreiro n?o cedeu. Ele prendeu os bra?os ainda mais forte, mas seu limite se aproximava a passos rápidos.
— é agora ou nunca!
Eva puxou a corda do arco o máximo que podia, o suor escorrendo por sua testa enquanto o calor do fogo e da tens?o a consumiam. A flecha brilhante voou, cortando o ar com um som agudo, antes de atingir os dois homens.
A explos?o foi instantanea, uma nova onda de calor e luz que engoliu tudo ao redor. O sal?o tremeu, destro?os caíram do teto, e uma cortina de poeira e fuma?a se levantou, ocultando tudo no corredor.
Em meio a um recuo apressado, a pequena arqueira trope?ou, caindo sobre uma pilha de escombros. O impacto foi duro, e peda?os de pedra e metal machucaram suas m?os enquanto ela tentava se levantar. Antes que pudesse reagir, um movimento rápido chamou sua aten??o. Um bra?o cinza vinha velozmente em dire??o ao seu rosto.
— Droga... — grunhiu, fechando os olhos, resignada com o destino iminente.
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Tentou erguer os bra?os para se proteger, mas sabia que seria inútil. N?o passava de uma fortalecedora de rank C, sem for?a física ou resistência comparável aos dois monstros que lutavam à sua frente. A ideia de enfrentar aquele golpe parecia absurda, seus ossos seriam partidos como gravetos.
No entanto, quando o impacto chegou, n?o foi o que ela esperava. A dor estava lá, mas n?o era t?o intensa. Surpresa, abriu os olhos, ficando at?nita com a vis?o.
O bra?o de Felipe estava à sua frente, caído, com tro?os de a?o retorcidos e implodidos de dentro para fora. As engrenagens e circuitos expostos se moviam inutilmente, liberando fagulhas e sons cada vez mais fracos, como um pequeno animal ferido.
"Deu realmente certo?"
Eva respirou fundo, o alívio momentaneo misturado à incredulidade. Felipe, que parecia invencível até segundos atrás, agora perdia partes de si. N?o tinha certeza se era a explos?o ou o esfor?o de Alex que causara isso, mas n?o se permitiu baixar a guarda.
Ela recuou novamente, preparando um novo disparo com sua flecha. A corda do arco rangeu quando ela a puxou, os dedos firmes, mas seu cora??o acelerado denunciava a tens?o que sentia.
Esperou.
A fuma?a ao seu redor tornava tudo indistinto, abafando os sons e criando um silêncio agoniante. Mas, ao fundo, ouviu algo.
Um som repetitivo, pesado, cruel.
— Ent?o ainda n?o acabou... — murmurou, puxando a corda ainda mais forte.
Quando a fuma?a finalmente se dispersou, uma figura de joelhos surgiu à sua vista. A princípio, a garota ruiva n?o conseguia distinguir quem era quem, ent?o, ao ver a figura de pele fervendo em tons intensos de vermelho e preto, soltou um suspiro de alívio.
Era Alex.
Seu corpo estava machucado, distorcido, pulsando de calor e mana, as raízes e metal fundidos se movendo por baixo de sua pele de forma terrorífica. Mas ele estava de pé, segurando o rosto metálico de Felipe com uma das m?os.
Eva n?o teve tempo de falar. Alex golpeava continuamente, seus punhos esmagando o metal com um som ensurdecedor. Ele parecia fora de si, sua respira??o pesada e irregular acompanhada de olhos vazios que pareciam n?o conseguir se conter.
Felipe n?o reagia mais. Eva notou que n?o era apenas seu bra?o que havia sido destruído – os dois joelhos do homem-máquina também estavam ausentes, reduzidos a peda?os de a?o. Também houve uma grande implos?o na lateral de seu est?mago, deixando um rombo enorme, expondo uma infinidade de pe?as mescladas com órg?os de onde um líquido escuro escorria lentamente.
— Alex... — Eva chamou, hesitante, enquanto abaixava o arco.
Mas ele n?o respondeu. Continuava socando, cada golpe destruindo mais do que restava do irm?o. O ch?o ao redor deles estava marcado por rachaduras profundas, resultado da for?a descomunal que possuía nesse momento.
— Alex! Já acabou!
Eva se aproximou cautelosamente, colocando uma m?o em seu ombro. No entanto, a tirou rapidamente com um grunhido de dor quando sua pele ardeu ao simples toque.
— Ele já se foi, Alex. Está tudo bem...... Por favor… Precisamos ir. N?o há mais nada que possamos fazer aqui. Ana precisa de nós.
Ele finalmente parou. Seus punhos ficaram imóveis, ainda pressionados contra o que restava do rosto do irm?o. Sua cabe?a abaixou-se lentamente, como se as for?as finalmente tivessem o abandonado. Parecia incapaz de respirar, incapaz de pensar.
Moveu ent?o o olhar para a garota ruiva, e apenas a encarou. Por um momento, parecia que ele ia falar, mas nada saiu.
Eva, relutante, parou de insistir. Ela sabia que algo nele havia mudado, algo que talvez nunca voltasse. Antes de partir, deixou sua máscara de raposa ao lado dele, um último gesto de esperan?a.
— Por favor, volte para nós… — sussurrou, antes de desaparecer na escurid?o.
Por longos minutos, Alex permaneceu ali, estagnado, seu corpo uma estátua entre a destrui??o ao seu redor. O calor finalmente come?ou a dar espa?o para uma fria brisa que entrava pelos buracos que haviam feito nas paredes, e a voz de Felipe ainda ecoava em sua mente, cada palavra um golpe mais profundo que o último. Ele fechou os olhos, sentindo o peso da escolha que havia feito esmagá-lo.
— Por que isso tinha que terminar assim? Fantasmas n?o deveriam morrer… N?o deveriam…
Ele estendeu a m?o trêmula, tocando o rosto frio e quase totalmente deformado ao seu lado. Pela primeira vez em anos, sentiu-se completamente impotente. A determina??o que sempre o impulsionara agora parecia ter desaparecido.
— Me desculpe… Me desculpe por n?o ter sido o irm?o que você precisava… Me desculpe por n?o ter… Poder suficiente…
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