O ar dentro do Santuário Selado era diferente de tudo que Li Tian já havia sentido.
Era como respirar a lembran?a da morte.
As portas de obsidiana se fecharam atrás dele com um baque surdo, selando a luz do mundo exterior. Só restava a penumbra fria e o som abafado de seu próprio cora??o.
A mulher de cabelos prateados — que se revelara como Ye Lan, Guardi?-Chefe de Zhulong — n?o o acompanhara. “Esse caminho é só seu”, ela dissera. “Lá dentro, até mesmo os deuses se perdem.”
A lamina quebrada presa às suas costas tremia em silêncio, pulsando em uníssono com algo… mais fundo no templo.
“Você sente, n?o sente?”
A voz de Yu Shen ecoou dentro de sua mente.
“Ali… ali está um fragmento meu. Um peda?o daquilo que fui — e do que n?o deveria voltar a ser.”
Li Tian desceu os degraus do santuário, guiado por uma fraca luz azul que escorria das rachaduras nas paredes. Os corredores pareciam dobrar a realidade, estendendo-se mais do que deveriam. Símbolos antigos brilhavam e desapareciam, como se sussurrassem histórias há muito esquecidas.
A primeira camara era circular, adornada por esculturas de seres divinos — mas n?o como os deuses que os mortais veneravam.
Eram deformados.
Olhos onde n?o deveriam existir. Bra?os demais. Asas de ossos partidos.
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“Os Deuses Primordiais”, Yu Shen murmurou. “Eles n?o eram belos. Eram poder… bruto e insano.”
Li Tian sentia o peso daquela memória gravada em pedra. Mas seguiu adiante.
Logo, o templo o testaria.
Do ch?o rachado, emergiu a primeira aberra??o.
Era um ser feito de sombras vivas, com uma mandíbula rasgada até o peito e olhos que choravam sangue. Uma Sentinela do Fragmento — guardi? de algo que jamais deveria ser encontrado.
Ela gritou, e o som dilacerou o silêncio com uma for?a que fez Li Tian cair de joelhos.
Mas ele n?o hesitou.
Saltou à frente, a lamina quebrada ardendo com runas vivas. Cortou o ar em um arco selvagem, fendendo a criatura em dois. Mas em vez de morrer, ela se multiplicou, duas sombras menores surgindo de cada peda?o.
Li Tian apertou os dentes.
— Maldi??o…
A voz de Yu Shen rugiu:
“Use o selo! Ele está dentro de você!”
Li Tian sentiu algo se erguer do fundo de sua alma. Um símbolo brilhou em sua testa — o selo do pacto. A lamina brilhou com fogo dourado, e ao desferir um novo golpe, a luz n?o cortou só o corpo: aniquilou a essência da criatura.
As sombras gritaram… e evaporaram.
O caminho se abriu. Uma nova porta. Um novo sussurro.
“Mais perto.”
Li Tian caminhou por uma ponte de pedra sobre um abismo sem fim. Do fundo, m?os espirituais estendiam-se para agarrá-lo — as almas de antigos cultivadores que falharam.
Mas ele os ignorou. A lamina o protegia.
Por fim, ele chegou à camara final.
Era um altar quebrado, no centro do qual flutuava um núcleo negro, envolto em correntes douradas gravadas com runas de aprisionamento.
O ar ali era denso. Quase líquido.
Yu Shen ficou em silêncio por um longo instante.
E ent?o disse:
“Aquele… é o meu cora??o.”
Li Tian arregalou os olhos.
— O quê?
— Quando fui selado, meu corpo foi despeda?ado pelos próprios deuses traidores. Cada parte de mim foi trancada, separada… para que eu nunca pudesse voltar.
O cora??o pulsava lentamente, como se ainda vivesse.
— Mas ele ainda tem consciência? — Li Tian perguntou.
Yu Shen respondeu com pesar:
— O que está ali… é tudo que restou do meu lado divino. E se for libertado… ele pode n?o me reconhecer mais.
— Ele pode… consumir você.
Silêncio.
Li Tian respirou fundo. O poder que precisava para desafiar os céus estava ali, à sua frente. Mas também, um perigo que talvez ultrapassasse sua compreens?o.
Mesmo assim, ele deu um passo à frente.
E ent?o, uma voz falou.
N?o de Yu Shen.
Mas do próprio cora??o.
— Mortal… você carrega o selo. O vínculo. Mas n?o é digno. Ainda n?o…
As correntes vibraram. O altar tremeu.
E uma forma come?ou a se erguer do núcleo.
Um avatar do cora??o — uma forma feita do poder divino selado, manifestando-se para testar seu herdeiro.
Era colossal, com asas feitas de chamas negras, olhos como sóis em colapso.
Li Tian soube que aquele seria o maior teste de sua vida até agora.
Ele assumiu a postura.
E avan?ou.

